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Prédio de 17 andares e 112 apartamentos abre como moradia para a população de rua: cada unidade é completa, com cozinha e banheiro, e tem apoio diário no local, na Austrália

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 26/06/2026 às 11:21 Atualizado em 26/06/2026 às 11:26
Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.
Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.
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O East Perth Common Ground, prédio de 17 andares e 112 apartamentos completos, abriu em Perth, na Austrália, como moradia permanente para a população de rua e pessoas de baixa renda. Cada apartamento tem cozinha e banheiro próprios, e a habitação social conta com apoio no local 24 horas por dia.

Uma cidade australiana decidiu enfrentar a vida nas ruas com concreto, escala e um modelo já testado mundo afora. Em Perth, capital da Austrália Ocidental, abriu o East Perth Common Ground, um prédio de 17 andares e 112 apartamentos completos pensado como moradia permanente para a população de rua e para quem vive com baixa renda. O apoio aos moradores ficou a cargo da Mission Australia.

O projeto não entrega só paredes. Cerca de metade dos 112 apartamentos é reservada a pessoas que passaram anos dormindo na rua, e o edifício mantém apoio no local 24 horas por dia para ajudar os moradores a se reorganizar e manter o contrato de aluguel. A obra custou cerca de 70 milhões de dólares australianos e seguiu o modelo Common Ground, de habitação social com suporte, reconhecido internacionalmente como boa prática.

Um prédio de 17 andares para responder à vida nas ruas

Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.
Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.

A escala chama atenção. Em vez de um abrigo improvisado, Perth ergueu um edifício de 17 andares, batizado de Kaalak, nome de origem do povo Noongar, na esquina das ruas Hill e Wellington, em East Perth.

São 112 apartamentos completos, somados a áreas comuns e a espaços comerciais no térreo, tudo dentro de uma única torre na Austrália.

A conta é de obra grande. O East Perth Common Ground custou cerca de 70 milhões de dólares australianos, a maior parte bancada pelo governo da Austrália Ocidental, com 8 milhões vindos do governo federal.

A construção, feita pela empreiteira ADCO, foi concluída no fim de 2025, e o prédio entrou em operação em abril de 2026, recebendo moradores aos poucos.

Construir em vez de só acolher é o ponto central. Ao transformar a resposta à população de rua em um endereço fixo e digno, e não em uma vaga temporária, a cidade tratou a moradia como base para tudo o mais.

O tamanho do prédio mostra a ambição: cabe gente o bastante para mudar a estatística de rua da região.

Como é cada apartamento completo

Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.
Em Perth, na Austrália, um prédio de 17 andares com 112 apartamentos virou moradia e habitação social para a população de rua, com apoio no local 24 horas.

Cada morador ganha uma casa de verdade, não um quarto compartilhado.

Os 112 apartamentos são autônomos, ou seja, cada unidade tem cozinha e banheiro próprios, dando privacidade e autonomia a quem chega.

É a diferença entre dormir num alojamento coletivo e ter, enfim, um endereço só seu.

O projeto também pensou em acessibilidade. Segundo o governo da Austrália Ocidental, os apartamentos seguem uma combinação de padrões de desenho acessível, do nível prata ao platina, este último totalmente adaptado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A ideia é que a moradia sirva a perfis variados, sem barreiras físicas.

Há ainda uma estrutura de convivência e segurança. Além do apartamento privativo, o prédio oferece áreas comuns e uma recepção com atendimento 24 horas por dia, que garante segurança e dá rosto ao apoio.

Essa combinação de espaço próprio e espaço coletivo é o que transforma a torre em comunidade, e não apenas em depósito de gente.

Metade para quem dormia na rua, metade para baixa renda

O desenho da ocupação é proposital. Cerca de 50% dos apartamentos, algo em torno de 56 unidades, são reservados a pessoas que enfrentaram períodos longos de vida nas ruas, em alguns casos por anos.

A outra metade é destinada a moradores de baixa renda, num modelo de habitação social que mistura perfis no mesmo prédio.

Essa mistura não é detalhe, é estratégia. Reunir quem saiu da rua e quem trabalha com renda baixa evita transformar o edifício em um gueto e cria uma vizinhança mais equilibrada.

O convívio com rotinas diversas ajuda a estabilizar quem está reconstruindo a vida, um princípio central do modelo adotado em Perth.

O foco em quem viveu na rua tem lógica de política pública. A população de rua costuma ser a parcela mais difícil de atender com programas tradicionais, e garantir a ela metade de um prédio inteiro é uma aposta direta no problema mais persistente. Resolver a moradia dessa parcela é, em geral, o passo que destrava todos os outros.

O apoio diário que vem junto com a chave

Entregar a chave é só o começo. O grande diferencial do East Perth Common Ground é o apoio no local, prestado pela Mission Australia, que oferece atendimento individualizado para ajudar cada morador a cuidar da saúde, organizar documentos, buscar trabalho e manter o aluguel em dia. É suporte sob medida, dentro do próprio prédio.

Esse acompanhamento funciona 24 horas por dia. Uma equipe permanente na recepção e serviços de apoio à disposição fazem com que ninguém fique sozinho diante de uma recaída ou de uma crise.

Para quem passou anos na rua, ter ajuda a poucos metros do apartamento é o que sustenta a permanência na moradia.

A lógica é simples e poderosa. Dar um teto sem apoio costuma falhar, porque os problemas que levaram a pessoa à rua continuam ali.

Ao juntar moradia e suporte no mesmo endereço, o modelo aumenta muito a chance de a saída das ruas ser definitiva, e não apenas uma pausa.

O modelo Common Ground, que nasceu em Nova York

A ideia por trás do prédio tem sobrenome. O East Perth Common Ground segue o modelo Common Ground, baseado na filosofia Housing First, ou moradia primeiro, que inverte a ordem das políticas tradicionais: em vez de exigir que a pessoa resolva tudo antes de merecer uma casa, entrega a casa primeiro e ajuda a resolver o resto depois.

O conceito não é novo nem improvisado. Ele nasceu em Nova York há mais de 20 anos e hoje é reconhecido internacionalmente como uma das formas mais eficazes de tirar gente das ruas de maneira duradoura. Levar esse modelo de habitação social para a Austrália foi a aposta de Perth para encarar o problema.

O projeto ainda foi desenhado ouvindo quem entende do assunto por experiência própria. Segundo a Mission Australia, pessoas que já viveram nas ruas participaram da concepção do prédio, ao lado de especialistas em habitação, para que a moradia atendesse de fato às necessidades de quem vai morar nela. Política feita com os destinatários, não apenas para eles.

O que o Brasil pode aprender com Perth

Por aqui, o problema é grande e crescente. O Brasil tem uma população de rua que se multiplicou na última década, e a resposta ainda se apoia muito em abrigos provisórios, que acolhem à noite mas não oferecem um endereço estável.

O caso de Perth mostra um caminho diferente: tratar moradia como solução, e não como favor.

A lição mais clara é sobre juntar teto e apoio. Construir habitação social é essencial, mas o exemplo australiano lembra que paredes sozinhas não bastam: é o acompanhamento diário que mantém as pessoas dentro de casa.

Programas brasileiros de moradia poderiam ganhar força ao incorporar esse suporte permanente.

Há também o recado sobre escala e ambição. Um único prédio de 17 andares concentra serviços, barateia o atendimento e dá visibilidade à causa.

Para cidades brasileiras que enfrentam o aumento da população de rua, pensar grande, com moradia digna e apoio embutido, pode render mais do que dezenas de ações dispersas.

E você, acha que isso funcionaria nas cidades brasileiras?

O East Perth Common Ground prova que dá para enfrentar a vida nas ruas com um projeto sério: 17 andares, 112 apartamentos completos e apoio no local 24 horas por dia, tudo erguido como moradia permanente para a população de rua e pessoas de baixa renda na Austrália.

Mais que abrigo, é endereço fixo com suporte.

E você, acredita que um modelo de habitação social como esse, que une apartamento próprio e apoio diário, poderia ajudar a reduzir a população de rua nas cidades do Brasil? Conta aqui nos comentários se a sua cidade precisa de uma solução assim e o que você acha que ainda trava esse tipo de projeto por aqui.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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