O East Perth Common Ground, prédio de 17 andares e 112 apartamentos completos, abriu em Perth, na Austrália, como moradia permanente para a população de rua e pessoas de baixa renda. Cada apartamento tem cozinha e banheiro próprios, e a habitação social conta com apoio no local 24 horas por dia.
Uma cidade australiana decidiu enfrentar a vida nas ruas com concreto, escala e um modelo já testado mundo afora. Em Perth, capital da Austrália Ocidental, abriu o East Perth Common Ground, um prédio de 17 andares e 112 apartamentos completos pensado como moradia permanente para a população de rua e para quem vive com baixa renda. O apoio aos moradores ficou a cargo da Mission Australia.
O projeto não entrega só paredes. Cerca de metade dos 112 apartamentos é reservada a pessoas que passaram anos dormindo na rua, e o edifício mantém apoio no local 24 horas por dia para ajudar os moradores a se reorganizar e manter o contrato de aluguel. A obra custou cerca de 70 milhões de dólares australianos e seguiu o modelo Common Ground, de habitação social com suporte, reconhecido internacionalmente como boa prática.
Um prédio de 17 andares para responder à vida nas ruas

A escala chama atenção. Em vez de um abrigo improvisado, Perth ergueu um edifício de 17 andares, batizado de Kaalak, nome de origem do povo Noongar, na esquina das ruas Hill e Wellington, em East Perth.
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São 112 apartamentos completos, somados a áreas comuns e a espaços comerciais no térreo, tudo dentro de uma única torre na Austrália.
A conta é de obra grande. O East Perth Common Ground custou cerca de 70 milhões de dólares australianos, a maior parte bancada pelo governo da Austrália Ocidental, com 8 milhões vindos do governo federal.
A construção, feita pela empreiteira ADCO, foi concluída no fim de 2025, e o prédio entrou em operação em abril de 2026, recebendo moradores aos poucos.
Construir em vez de só acolher é o ponto central. Ao transformar a resposta à população de rua em um endereço fixo e digno, e não em uma vaga temporária, a cidade tratou a moradia como base para tudo o mais.
O tamanho do prédio mostra a ambição: cabe gente o bastante para mudar a estatística de rua da região.
Como é cada apartamento completo

Cada morador ganha uma casa de verdade, não um quarto compartilhado.
Os 112 apartamentos são autônomos, ou seja, cada unidade tem cozinha e banheiro próprios, dando privacidade e autonomia a quem chega.
É a diferença entre dormir num alojamento coletivo e ter, enfim, um endereço só seu.
O projeto também pensou em acessibilidade. Segundo o governo da Austrália Ocidental, os apartamentos seguem uma combinação de padrões de desenho acessível, do nível prata ao platina, este último totalmente adaptado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
A ideia é que a moradia sirva a perfis variados, sem barreiras físicas.
Há ainda uma estrutura de convivência e segurança. Além do apartamento privativo, o prédio oferece áreas comuns e uma recepção com atendimento 24 horas por dia, que garante segurança e dá rosto ao apoio.
Essa combinação de espaço próprio e espaço coletivo é o que transforma a torre em comunidade, e não apenas em depósito de gente.
Metade para quem dormia na rua, metade para baixa renda
O desenho da ocupação é proposital. Cerca de 50% dos apartamentos, algo em torno de 56 unidades, são reservados a pessoas que enfrentaram períodos longos de vida nas ruas, em alguns casos por anos.
A outra metade é destinada a moradores de baixa renda, num modelo de habitação social que mistura perfis no mesmo prédio.
Essa mistura não é detalhe, é estratégia. Reunir quem saiu da rua e quem trabalha com renda baixa evita transformar o edifício em um gueto e cria uma vizinhança mais equilibrada.
O convívio com rotinas diversas ajuda a estabilizar quem está reconstruindo a vida, um princípio central do modelo adotado em Perth.
O foco em quem viveu na rua tem lógica de política pública. A população de rua costuma ser a parcela mais difícil de atender com programas tradicionais, e garantir a ela metade de um prédio inteiro é uma aposta direta no problema mais persistente. Resolver a moradia dessa parcela é, em geral, o passo que destrava todos os outros.
O apoio diário que vem junto com a chave
Entregar a chave é só o começo. O grande diferencial do East Perth Common Ground é o apoio no local, prestado pela Mission Australia, que oferece atendimento individualizado para ajudar cada morador a cuidar da saúde, organizar documentos, buscar trabalho e manter o aluguel em dia. É suporte sob medida, dentro do próprio prédio.
Esse acompanhamento funciona 24 horas por dia. Uma equipe permanente na recepção e serviços de apoio à disposição fazem com que ninguém fique sozinho diante de uma recaída ou de uma crise.
Para quem passou anos na rua, ter ajuda a poucos metros do apartamento é o que sustenta a permanência na moradia.
A lógica é simples e poderosa. Dar um teto sem apoio costuma falhar, porque os problemas que levaram a pessoa à rua continuam ali.
Ao juntar moradia e suporte no mesmo endereço, o modelo aumenta muito a chance de a saída das ruas ser definitiva, e não apenas uma pausa.
O modelo Common Ground, que nasceu em Nova York
A ideia por trás do prédio tem sobrenome. O East Perth Common Ground segue o modelo Common Ground, baseado na filosofia Housing First, ou moradia primeiro, que inverte a ordem das políticas tradicionais: em vez de exigir que a pessoa resolva tudo antes de merecer uma casa, entrega a casa primeiro e ajuda a resolver o resto depois.
O conceito não é novo nem improvisado. Ele nasceu em Nova York há mais de 20 anos e hoje é reconhecido internacionalmente como uma das formas mais eficazes de tirar gente das ruas de maneira duradoura. Levar esse modelo de habitação social para a Austrália foi a aposta de Perth para encarar o problema.
O projeto ainda foi desenhado ouvindo quem entende do assunto por experiência própria. Segundo a Mission Australia, pessoas que já viveram nas ruas participaram da concepção do prédio, ao lado de especialistas em habitação, para que a moradia atendesse de fato às necessidades de quem vai morar nela. Política feita com os destinatários, não apenas para eles.
O que o Brasil pode aprender com Perth
Por aqui, o problema é grande e crescente. O Brasil tem uma população de rua que se multiplicou na última década, e a resposta ainda se apoia muito em abrigos provisórios, que acolhem à noite mas não oferecem um endereço estável.
O caso de Perth mostra um caminho diferente: tratar moradia como solução, e não como favor.
A lição mais clara é sobre juntar teto e apoio. Construir habitação social é essencial, mas o exemplo australiano lembra que paredes sozinhas não bastam: é o acompanhamento diário que mantém as pessoas dentro de casa.
Programas brasileiros de moradia poderiam ganhar força ao incorporar esse suporte permanente.
Há também o recado sobre escala e ambição. Um único prédio de 17 andares concentra serviços, barateia o atendimento e dá visibilidade à causa.
Para cidades brasileiras que enfrentam o aumento da população de rua, pensar grande, com moradia digna e apoio embutido, pode render mais do que dezenas de ações dispersas.
E você, acha que isso funcionaria nas cidades brasileiras?
O East Perth Common Ground prova que dá para enfrentar a vida nas ruas com um projeto sério: 17 andares, 112 apartamentos completos e apoio no local 24 horas por dia, tudo erguido como moradia permanente para a população de rua e pessoas de baixa renda na Austrália.
Mais que abrigo, é endereço fixo com suporte.
E você, acredita que um modelo de habitação social como esse, que une apartamento próprio e apoio diário, poderia ajudar a reduzir a população de rua nas cidades do Brasil? Conta aqui nos comentários se a sua cidade precisa de uma solução assim e o que você acha que ainda trava esse tipo de projeto por aqui.
