A Nasa investe em um conceito que transforma poeira lunar em vidro estrutural e inspira estudos sobre futuras cidades na superfície da Lua
A Nasa confirmou, em 2025, que financia um projeto experimental que utiliza o regolito lunar como matéria-prima para produzir estruturas de vidro resistentes. Essa iniciativa foi selecionada dentro do programa NIAC (Conceitos Inovadores Avançados da Nasa) e objetivo é transformar a poeira lunar em vidro líquido para formar habitats esféricos totalmente desenvolvidos a partir de material local.
O conceito foi proposto pelo arquiteto Martin Bermudez, chefe-executivo da empresa californiana Skyeports. Segundo ele, a técnica pode permitir a criação de grandes estruturas pressurizadas para abrigar astronautas em missões prolongadas na Lua.
O que é a tecnologia criada pela Skyeports
A proposta consiste em derreter o regolito lunar, que contém até 60% de silicatos, segundo dados apresentados por Bermudez em 2024. Esse material, quando aquecido entre 1.500 °C e 2.000 °C, torna-se vidro líquido. Na baixa gravidade da Lua, esse vidro forma esferas perfeitas sem necessidade de moldes complexos. Bermudez afirma que a equipe pretende adicionar titânio, magnésio e cálcio para tornar o material ainda mais resistente. Ele explica que essa combinação pode gerar estruturas fortes o suficiente para suportar radiação, impacto de micrometeoritos e mudanças bruscas de temperatura.
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Além disso, o conceito prevê o uso quase integral de recursos lunares, o que reduz a dependência de cargas transportadas da Terra, como explica Bermudez em declarações à Yahoo Tech! em 2024. Ele afirma que essa abordagem faz parte de estudos para habitats autossustentáveis nas próximas décadas.
Declarações do idealizador e motivação do projeto
Bermudez destaca que sempre buscou soluções arquitetônicas para ambientes extremos. Em 2023, ele iniciou conversas com cientistas e constatou que o vidro lunar poderia superar a resistência de muitos materiais usados em construções terrestres. Segundo ele, as primeiras simulações mostraram que seria possível produzir esferas pequenas como protótipo inicial. Em seguida, modelos maiores seriam desenvolvidos para abrigar áreas de trabalho, dormitórios e sistemas de suporte à vida.
Ele afirma que deseja ver estruturas interligadas por túneis de vidro, com áreas destinadas a cultivo de alimentos, sistemas de água e ambientes comunitários. Embora o projeto não busque replicar completamente as condições terrestres, Bermudez acredita que a tecnologia pode aproximar o ambiente lunar de algo funcional e seguro para ocupações humanas.
Dimensões planejadas e potenciais futuras aplicações
As primeiras esferas terão dimensões de poucos centímetros, segundo documentos fornecidos à Nasa no início de 2025. Contudo, a meta é desenvolver estruturas com centenas ou milhares de metros de diâmetro ao longo das próximas fases. Esse avanço permitirá que astronautas testem, pela primeira vez, habitats de vidro produzidos diretamente no ambiente lunar. O conceito também inclui a possibilidade de gerar água e cultivar plantas dentro das esferas pressurizadas, conforme relatado por Bermudez em entrevistas técnicas.
Ele também projeta que, no futuro, versões menores dessas esferas poderão ser colocadas em órbita para testes estruturais. Essa etapa, porém, depende de resultados prévios da fusão do regolito e da produção estável do vidro lunar.
Financiamento e cronograma das pesquisas
A seleção no NIAC ocorreu em janeiro de 2025 e, assim, iniciou a fase de desenvolvimento financiado. Os recursos apoiarão análises sobre fusão do regolito, criação de protótipos transparentes e estudos estruturais. Além disso, a agência considera a iniciativa relevante para o programa Artemis, que prevê presença humana contínua na Lua desde 2020.
Perspectivas e impacto na exploração lunar
Especialistas consultados pela Nasa afirmam que o uso direto de material lunar representa passo decisivo para missões prolongadas e, portanto, influencia planos de bases permanentes. Além disso, eles destacam que a produção de vidro lunar reduz dependências logísticas e, assim, fortalece estratégias de exploração segura e sustentável.
