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Saiu de um quartinho de 12 metros quadrados e hoje comanda um império de combustíveis de R$ 24 bilhões com mais de mil postos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 09/07/2026 às 03:21 Atualizado em 09/07/2026 às 03:24
Como o Grupo Argenta saiu de um quartinho de 12 m² em Flores da Cunha e virou um império de combustíveis de R$ 24 bilhões com mais de mil postos.
Como o Grupo Argenta saiu de um quartinho de 12 m² em Flores da Cunha e virou um império de combustíveis de R$ 24 bilhões com mais de mil postos.
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Em 1985, dois irmãos da Serra Gaúcha dividiam um quartinho alugado de cerca de 12 metros quadrados, com uma mesa, uma cadeira e um telefone. Quarenta anos depois, esse mesmo negócio virou o Grupo Argenta, ecossistema de Flores da Cunha (RS) que projeta faturar R$ 24 bilhões em 2025 e já reúne mais de mil postos de combustível espalhados pelo país.

Segundo a Exame, o que começou como um serviço de transporte de caixas de madeira para vinícolas se transformou num ecossistema de 14 empresas, com mais de 6.500 funcionários e faturamento projetado 35% maior que o de 2024. Segundo o Serra em Pauta, as antigas empresas SIM, de Flores da Cunha, passaram oficialmente a se chamar Argenta em 25 de abril de 2024, numa homenagem aos irmãos fundadores Deunir e Neco Argenta.

O quartinho de 12 metros quadrados onde tudo começou

Para entender o tamanho do Grupo Argenta hoje, é preciso voltar a 1985. Naquele ano, Neco Argenta tinha apenas 21 anos quando decidiu, ao lado do irmão Deunir, montar um pequeno negócio na cidade de Flores da Cunha, no coração da Serra Gaúcha. O ponto de partida foi modesto ao extremo: um quartinho alugado de aproximadamente 12 metros quadrados, equipado apenas com uma mesa, uma cadeira e um telefone.

A ideia inicial nada tinha a ver com combustíveis. Os irmãos organizavam o transporte de caixas de madeira usadas por produtores de uva e vinícolas da região. Era um serviço simples, de logística, que dependia de rodar quilômetros pela serra e conquistar a confiança de um cliente de cada vez. Aquele quartinho apertado foi, na prática, a primeira sede do que viria a ser um dos maiores grupos do ramo no Brasil.

O detalhe do espaço de 12 metros quadrados virou símbolo. Ele resume a distância entre o ponto de origem e o que o Grupo Argenta representa quatro décadas depois. Não havia capital de peso, não havia frota, não havia postos. Havia dois irmãos, uma cidade do interior gaúcho e a disposição de transformar um serviço pequeno em algo muito maior do que qualquer um imaginava.

Do transporte de caixas ao primeiro posto de combustível

Neco Argenta, fundador do Grupo Argenta, que começou num quartinho de 12 metros quadrados em Flores da Cunha e hoje comanda mais de mil postos de combustível. (Foto: Reprodução/Exame)
Neco Argenta, fundador do Grupo Argenta, que começou num quartinho de 12 metros quadrados em Flores da Cunha e hoje comanda mais de mil postos de combustível. (Foto: Reprodução/Exame)

O salto que mudaria tudo veio em 1993. Foi nesse ano que Neco Argenta e o irmão abriram o primeiro posto de combustível, dando início à vocação que definiria o futuro do Grupo Argenta. A decisão de entrar no ramo de combustíveis não foi um acaso: a Serra Gaúcha era uma região de forte circulação de veículos, transporte de cargas e movimento constante de vinícolas, indústrias e turismo.

Daquele primeiro posto de combustível em diante, o negócio deixou de ser apenas logística de caixas e passou a girar em torno do abastecimento. Cada novo posto de combustível inaugurado ampliava a presença da marca nas estradas gaúchas e criava a base de clientes que sustentaria a expansão seguinte. A operação foi crescendo de forma orgânica, posto a posto, praça a praça.

Ao longo dos anos 1990 e 2000, o que era um único posto de combustível se multiplicou. O grupo aprendeu a operar em escala, a negociar volumes maiores e a montar a estrutura que, mais tarde, permitiria virar não só dono de postos, mas também distribuidora.

A virada: quando o Grupo Argenta decidiu crescer de verdade

Se a fundação foi em 1985 e o primeiro posto veio em 1993, foi a partir de 2018 que o Grupo Argenta acelerou de forma decisiva. Aquele foi o momento em que a empresa assumiu de vez uma estratégia de expansão baseada em aquisições e parcerias, deixando de crescer apenas de maneira orgânica para incorporar redes, marcas e operações inteiras.

A lógica era clara: num mercado de combustíveis dominado por gigantes, ganhar escala rápido era questão de sobrevivência e de força de negociação. Comprar redes de postos de combustível já existentes, firmar parcerias com marcas nacionais e integrar operações de distribuição permitiu ao grupo pular etapas que levariam décadas para serem vencidas apenas com inaugurações uma a uma.

Foi nesse período que o Grupo Argenta deixou de ser uma empresa regional para virar um dos nomes mais relevantes do setor de combustíveis no Sul do país. A cada aquisição, o faturamento subia, o número de postos crescia e a estrutura de distribuidora ganhava novas bases. O quartinho de 12 metros quadrados ficava cada vez mais distante no retrovisor.

SIM, Charrua e Petronas: as bandeiras que somam mais de mil postos

Um dos postos de combustível operados pelo Grupo Argenta, que reúne as bandeiras SIM Rede, Charrua e Petronas. (Foto: Divulgação/Grupo Argenta)
Um dos postos de combustível operados pelo Grupo Argenta, que reúne as bandeiras SIM Rede, Charrua e Petronas. (Foto: Divulgação/Grupo Argenta)

Hoje, o Grupo Argenta abastece o país sob três bandeiras principais: SIM Rede, Charrua e Petronas. Juntas, elas devem ultrapassar a marca de mil postos de combustível até dezembro de 2025, um número que coloca o grupo entre os maiores operadores de postos do Brasil.

A bandeira SIM é a mais tradicional e a que carrega a história da casa, com quase 200 lojas de conveniência de marca própria espalhadas pelos postos. A Charrua reforça a presença regional, enquanto a Petronas representa o braço mais recente e ambicioso: o grupo se tornou licenciado da marca malaia no Brasil e projeta chegar a 500 postos de combustível sob essa bandeira até o fim de 2025.

Cada bandeira cumpre um papel dentro do ecossistema. Enquanto uma rede de postos de combustível atende o público local com a marca já conhecida, outra avança sobre novas praças e mercados. Essa combinação é o que permite ao Grupo Argenta somar mais de mil pontos de abastecimento e vender em volume suficiente para figurar entre os líderes do setor.

R$ 24 bilhões: os números do império de combustíveis

Os números atuais do Grupo Argenta impressionam justamente pelo contraste com o começo. A projeção de faturamento para 2025 é de R$ 24 bilhões, uma alta de 35% em relação a 2024. Para efeito de comparação, em 2023 o grupo faturou cerca de R$ 15 bilhões, e a previsão para 2024 girava em torno de R$ 19 bilhões. O ritmo de crescimento é acelerado e consistente.

Por trás desse faturamento estão mais de 6.500 funcionários e um ecossistema de 14 empresas que vão muito além dos postos. Há braços dedicados a distribuidora de combustíveis, lubrificantes, aviação, serviços financeiros e até uma vinícola, a Luiz Argenta, que reconecta o grupo às origens ligadas ao vinho da Serra Gaúcha.

O salto de um quartinho de 12 metros quadrados para um faturamento de R$ 24 bilhões em 40 anos é o tipo de trajetória rara no empresariado brasileiro. Mostra como o Grupo Argenta transformou o abastecimento em um negócio de escala bilionária, sem sair de Flores da Cunha. Para Neco Argenta, é a prova de que o interior sabe pensar grande.

A 4ª maior distribuidora de combustíveis do Sul

Além de dono de postos, o Grupo Argenta é hoje a quarta maior distribuidora de combustíveis do Sul do Brasil. Esse braço de distribuidora é o que garante o abastecimento das próprias bandeiras e também de clientes terceiros, movimentando grandes volumes a partir de uma malha logística robusta.

Para dar conta desse volume, o grupo mantém mais de 15 bases de distribuição espalhadas estrategicamente. Cada base funciona como um ponto de armazenamento e escoamento, encurtando distâncias e reduzindo custos para chegar aos postos de combustível e aos clientes finais. É essa engenharia de distribuidora que sustenta a operação de mais de mil postos.

A atuação como distribuidora também abriu portas para contratos de peso. Em 2023, o braço de distribuição fechou acordo para fornecer diesel com conteúdo renovável, e o grupo se firmou como um dos protagonistas do mercado de combustíveis do Sul. Ser distribuidora, e não apenas revendedora, é o que diferencia o Grupo Argenta de boa parte dos concorrentes.

De SIM a Argenta: o nome que virou marca

Durante boa parte da história, o grupo foi conhecido pelas empresas SIM. A virada de identidade veio em 25 de abril de 2024, quando as empresas SIM de Flores da Cunha passaram oficialmente a se chamar Argenta, em referência direta ao sobrenome dos irmãos fundadores, Deunir e Neco Argenta.

A mudança de nome não foi apenas cosmética. Ela unificou sob uma só marca um conjunto de empresas que havia crescido de forma acelerada e precisava de uma identidade comum. O nome Grupo Argenta passou a representar tudo de uma vez: postos, distribuidora, lubrificantes, conveniência e os demais braços do ecossistema.

Rebatizar as operações também teve um peso simbólico. Colocar o sobrenome da família na fachada dos postos de combustível é assumir publicamente a responsabilidade por cada litro vendido. Para Neco Argenta, que começou aos 21 anos naquele quartinho, ver o próprio nome virar a marca de um império de combustíveis é o fechamento de um ciclo.

O que sustenta o Grupo Argenta depois de 40 anos

Em 2025, o Grupo Argenta completa 40 anos, e a fotografia é a de uma empresa que soube crescer sem perder o eixo. O que sustenta o negócio não é um golpe de sorte, mas a soma de decisões tomadas ao longo de quatro décadas: entrar nos combustíveis em 1993, ganhar escala a partir de 2018, virar distribuidora de peso e unificar a marca em 2024.

Neco Argenta gosta de lembrar que a empresa operou quase 40 anos com foco em expansão, e os números confirmam a consistência. Sair de um quartinho de 12 metros quadrados e chegar a mais de mil postos de combustível, 14 empresas, mais de 6.500 funcionários e R$ 24 bilhões de faturamento projetado é resultado de disciplina, não de acaso.

O ecossistema montado em Flores da Cunha mostra que dá para construir um gigante do setor longe dos grandes centros. O Grupo Argenta virou referência de que o interior gaúcho pode gerar negócios de escala nacional, com uma operação de distribuição forte e uma rede de postos que se espalha pelo país. E a história de Neco Argenta e do irmão Deunir prova que um espaço de 12 metros quadrados pode, sim, ser o começo de um império.

Se dois irmãos conseguiram transformar um quartinho alugado num grupo de R$ 24 bilhões em apenas quatro décadas, o que será que ainda impede a próxima grande empresa brasileira de nascer, agora mesmo, numa cidade pequena que quase ninguém percebe no mapa?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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