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Mudanças climáticas freiam a Terra, adiam corte de um segundo nos relógios para 2029 e evitam risco inédito de colapso em sistemas computacionais que dependem da sincronia global do tempo

Escrito por Carla Teles
Publicado em 16/04/2026 às 10:50
Atualizado em 16/04/2026 às 10:52
Mudanças climáticas freiam a Terra, adiam corte de um segundo nos relógios para 2029 e evitam risco inédito de colapso em sistemas computacionais que dependem da sincronia
Segundo bissexto e segundo bissexto negativo: mudanças climáticas mexem na rotação da Terra e na infraestrutura digital.
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Mudanças climáticas e derretimento polar redistribuem massa do planeta, desaceleram levemente a Terra e adiam o segundo bissexto negativo, evitando um ajuste raro que poderia bagunçar sistemas computacionais

O segundo bissexto sempre foi uma espécie de “correção de rota” do nosso tempo oficial: quando a Terra não bate certinho com o relógio atômico, entra um ajuste para o UTC não se afastar do tempo astronômico. Por décadas, a tendência era a Terra desacelerar e, de tempos em tempos, a solução era adicionar um segundo.

Só que o jogo virou quando medições passaram a indicar a Terra girando mais rápido. Se essa aceleração continuasse, a saída seria inédita: apagar um segundo, o chamado segundo bissexto negativo. A base aponta que isso chegou a ser cogitado para 2026, mas o cenário mudou e o ajuste acabou adiado para 2029.

Por que existiam segundos intercalares no relógio da Terra

Metrologistas precisaram, por muitos anos, adicionar um segundo intercalar aos relógios porque a Terra, tradicionalmente, desacelerava. A explicação citada envolve o atrito das marés causado pela Lua, fazendo com que os dias ficassem um pouco mais longos do que os 86.400 segundos “teóricos”.

Esse detalhe é invisível para a rotina de quase todo mundo, mas é crucial para manter o Tempo Universal Coordenado alinhado com o tempo astronômico. É uma diferença minúscula, só que ela acumula.

O que muda quando a Terra acelera e entra o segundo bissexto negativo

Quando a Terra desacelera, adiciona-se um segundo. Quando acontece o oposto, o ajuste seria apagar um segundo para evitar que o UTC se desencontre do tempo astronômico.

A base deixa claro que isso não seria perceptível para pessoas no dia a dia, mas poderia ter peso real para infraestrutura digital. É justamente por isso que a possibilidade de um segundo bissexto negativo chamou tanta atenção.

O “efeito skate” e como o derretimento polar mexe com a rotação

A explicação central da base usa uma imagem bem fácil de visualizar: o “efeito skate”. Um patinador que quer desacelerar abre os braços; para acelerar, recolhe os braços junto ao corpo.

Aplicando isso ao planeta, quando o gelo polar derrete, a massa de água se redistribui e se espalha mais ao redor do equador, como se a Terra estivesse “abrindo os braços”. Esse deslocamento de massa para mais longe do eixo de rotação, pela conservação do momento angular, tende a desacelerar o giro do planeta.

De 2026 para 2029: como o derretimento “empurrou” o ajuste

Segundo a base, cientistas calcularam que o derretimento massivo na Groenlândia e na Antártica adiou a necessidade de um segundo bissexto negativo de 2026 para 2029.

A leitura é que esse freio provocado pela redistribuição de massa teria contrabalançado e superado a aceleração que havia sido detectada antes, mudando a previsão do momento em que seria necessário apagar um segundo.

O que os dados recentes sugerem sobre a duração do dia

A base afirma que medições em tempo real passaram a respaldar essa mudança de direção. Ela cita que boletins mais recentes do IERS mostram novos valores positivos para a duração do dia, sugerindo que a aceleração cessou e que a Terra está desacelerando ligeiramente de novo.

Isso se encaixa com pesquisas citadas na base dizendo que, entre 2000 e 2020, os dias se alongaram a uma taxa de 1,33 milissegundos por século por causa do derretimento do gelo, com a redistribuição de massa das mudanças climáticas dominando a rotação e superando até o efeito histórico do atrito lunar.

O risco para sistemas computacionais e por que mexer no tempo virou problema

Segundo a fonte destaca que redes e infraestrutura digital podem sofrer quando o tempo é “manipulado”, e chega a afirmar que a prática de adicionar ou subtrair segundos não deve durar para sempre, citando uma decisão do Bureau Internacional de Pesos e Medidas de eliminá-la a partir de 2025.

É o tipo de detalhe que ajuda a entender por que um segundo a mais ou a menos, que parece bobagem no relógio da cozinha, pode virar um evento sensível para sistemas que exigem sincronização perfeita.

No fim das contas, dá uma sensação estranha: um ajuste raro foi adiado por um efeito colateral das mudanças climáticas. Quando você pensa nisso, o que parece mais frágil nessa história, o comportamento da Terra ou a dependência que a infraestrutura digital tem de um tempo cravado no milésimo?

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Carla Teles

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