Mesmo com cinco anos de quebra pesada na Mogiana e pouca irrigação nas lavouras, o Brasil segue líder mundial no café verde em 2025/26, projeta 63 milhões de sacas e consolida lugar entre os maiores consumidores do planeta
O cenário de campo é duro, mas o Brasil segue líder mundial no café verde. Na Mogiana, uma das regiões mais tradicionais da cafeicultura, a realidade recente é de cinco safras consecutivas com quebra pesada, pouca área irrigada e custo subindo nas costas do produtor. Mesmo assim, as projeções indicam que, na safra 2025/26, o país deve se manter na frente de todos os concorrentes em produção de café verde.
Enquanto o clima castiga e a irrigação ainda cobre apenas parte das lavouras, o Brasil segue líder mundial no café verde com cerca de 63 milhões de sacas produzidas, o que representa mais de um terço do volume global. Ao mesmo tempo, a xícara dentro de casa também ganha força: o país aparece como terceiro maior consumidor de café verde do mundo, atrás apenas da União Europeia e dos Estados Unidos, reforçando o peso interno desse mercado.
Mogiana sofre cinco quebras seguidas e pouca irrigação
Na Mogiana, a cafeicultura vem de uma sequência rara. São cinco anos seguidos de quebras pesadas de safra, em um ambiente de clima instável e custo de produção em alta. A região, que sempre foi sinônimo de qualidade e volume, enfrenta hoje uma combinação de fatores que reduz a produtividade e aperta a margem do produtor.
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Um ponto central é a irrigação. Assim como em outras regiões produtoras do Brasil, o nível de área irrigada na Mogiana ainda é baixo, estimado entre apenas 10 e 15 por cento. Em muitos casos, a irrigação existente foi mal planejada, elevando o custo sem entregar a resposta esperada em produtividade. O resultado é mais despesa com energia, equipamento e manejo, sem a garantia de colher mais.
Irrigação não é passe de mágica contra quebra de safra
Diante das quebras, muita gente vende irrigação como solução definitiva. Mas a realidade de campo é outra. Irrigação não é sinônimo de fim dos problemas com quebra de safra. Há exemplos concretos de lavouras irrigadas sofrendo perdas de 50 por cento em determinadas safras, seja por manejo inadequado, seja por impacto de outras variáveis como temperatura, radiação solar e doenças.
Por isso, o produtor precisa ter cuidado com promessas fáceis. Nem toda irrigação bem instalada garante safra cheia, e irrigação mal desenhada pode piorar a conta ao invés de ajudar, principalmente quando o custo de energia dispara ou o sistema não acompanha a necessidade real das plantas.
Mesmo sob pressão, Brasil segue líder mundial no café verde
Apesar de todos esses desafios regionalizados, o Brasil segue líder mundial no café verde em 2025/26, de acordo com projeções internacionais para a safra. A estimativa é que o país responda por 35,2 por cento da produção global, movimentando cerca de 63 milhões de sacas, dentro de um volume mundial esperado próximo de 178,8 milhões de sacas.
Isso significa que mais de uma em cada três xícaras de café verde produzidas no planeta sai de lavouras brasileiras, mesmo com problemas de clima, quebra de safra e estrutura de irrigação ainda em desenvolvimento em várias regiões.
Vietnã, Colômbia, Indonésia e Etiópia completam o bloco dos grandes produtores
Logo atrás do Brasil, o mapa de produção mostra uma fila de competidores importantes. O Vietnã aparece como segundo maior produtor de café verde, com participação próxima de 17 por cento do total mundial. Em seguida vem a Colômbia, com cerca de 7,7 por cento da produção global, mantendo o peso tradicional em cafés de qualidade.
A lista segue com Indonésia, que deve responder por algo em torno de 7 por cento da produção, e Etiópia, perto de 6,5 por cento do total mundial. Juntos, esses países formam o bloco que domina a oferta global, mas ainda assim nenhum deles ameaça de fato a posição em que o Brasil segue líder mundial no café verde, somando volume, diversidade de regiões e diferentes perfis de bebida.
União Europeia e Estados Unidos lideram o consumo de café verde
Quando o assunto deixa o campo e entra na xícara, a ordem muda um pouco. No ranking de consumo de café verde, a União Europeia aparece em primeiro lugar, com previsão de algo em torno de 41,9 milhões de sacas consumidas na safra analisada, o equivalente a cerca de 24 por cento do total global de aproximadamente 173,9 milhões de sacas.
Os Estados Unidos vêm na segunda posição, com mais de 26 milhões de sacas e participação na casa de 15 por cento do consumo mundial. O mercado americano continua sendo referência de demanda, com forte presença de redes de cafeteria e consumo diário consolidado na rotina da população.
Brasil sobe no consumo e vira terceiro maior mercado do mundo

Do lado do consumo interno, o Brasil segue líder mundial no café verde na produção e sobe posições no ranking de consumo, ocupando a terceira colocação global. As projeções indicam algo em torno de 22,3 milhões de sacas consumidas no país, o que representa 12,8 por cento do café verde bebido no mundo.
Isso mostra uma mudança importante. O brasileiro não é apenas grande produtor, é também grande consumidor de café, seja no cafezinho de coador em casa, no espresso da padaria ou nas cafeterias de nicho que se multiplicam nas grandes cidades. Essa base interna forte ajuda a equilibrar oscilações de exportação, dando mais estabilidade ao setor.
Filipinas e Japão completam o topo da demanda
Depois de União Europeia, Estados Unidos e Brasil, as Filipinas surgem como quarto maior mercado de consumo de café verde, com expectativa próxima de 6,75 milhões de sacas, algo em torno de 3,9 por cento do total mundial. Logo atrás aparece o Japão, com cerca de 6,72 milhões de sacas e participação de aproximadamente 3,8 por cento.
Embora fiquem bem atrás do trio de líderes, esses mercados mostram como o consumo vem se espalhando por diferentes regiões, com novos hábitos, redes de cafeteria e mudança de padrão alimentar impulsionando a demanda.
Desafio para o produtor: manter liderança em café verde com lavouras pressionadas
O quadro geral é claro. Mesmo com cinco quebras seguidas na Mogiana e pouca irrigação, o Brasil segue líder mundial no café verde, mas esse título não é garantido por inércia. Ele depende de investimento em manejo, tecnologia, correção de solo, escolha de variedades e, quando fizer sentido econômico, sistemas de irrigação bem planejados.
Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo interno e a posição de destaque no mercado global exigem que o país siga entregando qualidade e regularidade de oferta, mesmo em anos de clima difícil. Isso passa por profissionalização da gestão, planejamento de longo prazo e cuidado redobrado com custos, especialmente em regiões mais expostas a quebras.
Na sua opinião, o fato de o Brasil seguir líder mundial no café verde mesmo com tantas quebras de safra é mais resultado da força natural do país ou da capacidade dos produtores de se adaptarem a cada nova crise no campo?


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