Segundo o Tehran Times, repercutido pela TV BRICS, a proposta de bolsa de grãos foi tratada pelo ministro da Agricultura do Irã, Gholamreza Nouri Ghezeljeh, e pelo vice-ministro russo Maksim Markovitch, em Indore, na Índia. A iniciativa ainda está em construção e depende de forte apoio da Rússia, segundo Teerã.
O Irã e a Rússia anunciaram que trabalham de forma estreita na criação de uma bolsa de grãos para os países do BRICS, em declaração do ministro da Agricultura iraniano, Gholamreza Nouri Ghezeljeh. A fala ocorreu durante encontro com o vice-ministro da Agricultura da Rússia, Maksim Markovitch, na cidade indiana de Indore, e foi repercutida pelo Tehran Times, parceiro da TV BRICS.
As autoridades iranianas apresentam o projeto como uma peça estratégica para o comércio agrícola entre economias emergentes. De acordo com o Tehran Times, Teerã descreveu a bolsa de grãos do BRICS como um mecanismo capaz de aumentar a transparência do mercado, facilitar transações de grãos e fortalecer as cadeias de abastecimento alimentar, e destacou que a iniciativa exigirá forte apoio da Rússia, um dos maiores produtores de grãos do mundo. As negociações ocorreram durante a reunião de ministros da Agricultura do BRICS, em 12 e 13 de junho de 2026, em Indore, no estado indiano de Madhya Pradesh.
A proposta de bolsa de grãos do BRICS

O projeto é descrito por Teerã como um instrumento de integração agrícola entre as economias emergentes. As autoridades iranianas apresentaram a bolsa de grãos do BRICS como um mecanismo estratégico, capaz de aumentar a transparência do mercado, facilitar as transações de grãos e fortalecer as cadeias de abastecimento alimentar entre os países do grupo.
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O avanço da ideia, porém, depende diretamente de Moscou. Teerã destacou que o sucesso da iniciativa exigirá forte apoio da Rússia, descrita como um dos maiores produtores de grãos do mundo e participante de destaque na associação. A bolsa de grãos segue, assim, como uma proposta em construção, condicionada à cooperação entre os dois países.
O apelo aos bancos centrais e aos pagamentos
O lado financeiro ganhou atenção especial nas conversas sobre a bolsa de grãos. Teerã instou os bancos centrais dos dois países a se engajarem de forma mais ativa na simplificação de pagamentos e de operações comerciais, em apoio ao setor empresarial que atua no comércio entre os mercados.
A coordenação entre instituições financeiras também entrou na pauta. Representantes dos dois lados defenderam uma articulação mais estreita entre instituições financeiras e órgãos reguladores, para facilitar pagamentos, reduzir custos de transação e apoiar empresas que atuam no comércio agrícola. O ministro iraniano ainda agradeceu à Rússia pelo apoio às iniciativas do país no cenário internacional.
Transporte marítimo, portos e logística

A logística aparece como base prática para sustentar a bolsa de grãos. Além do comércio de grãos, os dois países ressaltaram a importância de ampliar as conexões de transporte marítimo e de usar melhor a infraestrutura portuária existente, vistas como apoios essenciais ao fluxo de mercadorias. As autoridades observaram que rotas de navegação mais fortes e corredores de transporte mais eficientes serão fundamentais para as futuras exportações e importações agrícolas.
O trabalho conjunto já vinha sendo costurado nas alfândegas. No início de 2026, as autoridades aduaneiras dos dois países lançaram iniciativas voltadas a simplificar os procedimentos de desembaraço, aprimorar a coordenação operacional e fortalecer a cooperação em capacitação. Eles também trabalharam em medidas práticas para agilizar os fluxos comerciais e reforçar as redes logísticas que conectam os dois mercados.
A agricultura como motor da cooperação Irã-Rússia
A bolsa de grãos se encaixa em uma cooperação agrícola que vem crescendo rápido. A agricultura continua sendo uma das áreas de cooperação bilateral com expansão mais acelerada entre Irã e Rússia, e ambos manifestaram disposição para ampliar o comércio de commodities essenciais, desenvolver mecanismos agrícolas conjuntos e intensificar a colaboração em iniciativas de segurança alimentar no âmbito do BRICS.
Do lado russo, a resposta foi de adesão à proposta. A Rússia apoiou a participação do Irã na iniciativa e manifestou disposição para ampliar a cooperação bilateral e implementar projetos conjuntos dentro do grupo. A convergência reforça a agricultura como um eixo central da relação entre os dois países.
Um acordo de turismo entre 2026 e 2028
Paralelamente às conversas sobre a bolsa de grãos, os dois países avançaram em outra frente. Um novo roteiro de cooperação turística para o período de 2026 a 2028 foi assinado durante um fórum internacional em Moscou, em mais um sinal da aproximação entre Teerã e Moscou.
O acordo de turismo mira facilitar a vida de quem viaja entre os dois países. O documento estabelece medidas para facilitar viagens, aprimorar sistemas de pagamento, simplificar procedimentos de visto e fortalecer a conectividade aérea, além de disposições para melhorar a acessibilidade financeira dos viajantes. Os dois lados manifestaram confiança de que os fluxos turísticos podem crescer de forma significativa à medida que a conectividade melhore e as condições regionais fiquem mais favoráveis.
A proposta de bolsa de grãos do BRICS, conduzida por Irã e Rússia, segue como um plano em construção, com a simplificação de pagamentos, a coordenação bancária e a logística marítima como principais pilares, segundo as autoridades iranianas citadas pelo Tehran Times e repercutidas pela TV BRICS.
Para o Brasil, membro do BRICS e um dos maiores exportadores de grãos do mundo, uma bolsa desse tipo é um assunto de interesse direto, ainda que o anúncio tenha se concentrado no eixo entre Teerã e Moscou.
As conversas, realizadas na reunião de ministros da Agricultura do BRICS, em 12 e 13 de junho de 2026, em Indore, apontam para uma cooperação agrícola mais profunda entre economias emergentes, embora os resultados práticos da bolsa de grãos ainda dependam das próximas negociações.
E você, o que acha de uma bolsa de grãos do BRICS liderada por Irã e Rússia? Acredita que ela pode mudar o comércio agrícola entre as economias emergentes? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre comércio e geopolítica, com respeito às diferentes visões.

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