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Estudante de 13 anos cria máquina com bactérias que devoram isopor e transformam espuma descartada em energia e plástico biodegradável, atacando um dos resíduos mais difíceis de reciclar e mais presentes nos aterros do planeta

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 04/06/2026 às 08:26
Atualizado em 04/06/2026 às 08:33
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Estudante de 13 anos cria máquina com bactérias que devoram isopor e transformam espuma descartada em energia
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Estudante de 13 anos ajudou a criar um sistema com bactéria capaz de degradar isopor e transformar poliestireno em bioplástico, chamando atenção internacional.

Segundo a Fast Company, Emily Miner tinha 13 anos quando ela e outros colegas do time Nano Nerds, da cidade de Folsom, na Califórnia, decidiram enfrentar um problema que a reciclagem convencional ainda não resolveu de forma eficiente: o isopor. O material, tecnicamente chamado de poliestireno expandido, é amplamente usado em embalagens, copos descartáveis e proteção de eletrodomésticos, mas quase sempre termina em aterros, rios e oceanos.

A equipe buscou na literatura científica organismos capazes de degradar o material e encontrou a bactéria Pseudomonas putida, conhecida por metabolizar estireno, o composto químico que forma a base do poliestireno. A partir disso, os estudantes desenvolveram o Polystyrenator, um digestor que usa bactérias para consumir isopor e gerar calor e PHA, um bioplástico biodegradável. O projeto chegou à semifinal do Global Innovation Award da First Lego League, concorrendo a um prêmio de US$ 20 mil.

Isopor virou um dos resíduos mais difíceis de reciclar no mundo

O isopor é formado por cerca de 95% de ar e 5% de plástico, o que explica sua leveza e sua eficiência como isolante térmico e material de proteção contra impacto. É justamente por isso que ele aparece em tantos produtos do cotidiano, de embalagens de geladeiras a copos descartáveis e bandejas de supermercado.

O problema começa quando esse material termina seu ciclo de uso. Diferentemente de plásticos com cadeia de reciclagem mais consolidada, o poliestireno expandido exige compressão, transporte especializado e processamento caro para ser reaproveitado. Em muitos casos, o custo supera o valor do material recuperado.

Segundo o conteúdo apresentado, menos de 1% do isopor é reciclado nos Estados Unidos. O restante segue para aterros ou para o ambiente natural, onde pode persistir por séculos e se fragmentar em partículas que organismos marinhos confundem com alimento.

Nano Nerds encontraram na bactéria Pseudomonas putida uma saída para o poliestireno

A solução criada pelos estudantes não nasceu de um palpite, mas de pesquisa. Segundo a Fast Company, o grupo investigou estudos científicos até encontrar a Pseudomonas putida, uma bactéria amplamente estudada na microbiologia ambiental por sua capacidade de metabolizar compostos aromáticos.

O estireno, que forma a base química do poliestireno, é um desses compostos. A bactéria consegue quebrar essa molécula e usá la como fonte de carbono. Em determinadas condições, também converte esse carbono em PHA, um polímero biodegradável que funciona como reserva de energia dentro da célula bacteriana.

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Essa descoberta foi o ponto de virada do projeto. Em vez de tentar reciclar o isopor pelos métodos industriais tradicionais, os estudantes passaram a explorar a degradação biológica do poliestireno, usando a lógica do metabolismo bacteriano para atacar um resíduo que a indústria ainda trata como problema sem solução em grande escala.

Polystyrenator foi criado para destruir isopor e gerar bioplástico biodegradável

Com base nessa literatura, o grupo projetou o Polystyrenator, um digestor fechado que mantém condições controladas para maximizar a atividade da Pseudomonas putida. O sistema recebe isopor triturado e usa a ação bacteriana para transformá lo em subprodutos úteis.

Segundo a descrição do projeto, o processo gera calor, resultado do metabolismo bacteriano, e também PHA, sigla para polihidroxialcanoato, um tipo de plástico biodegradável que pode ser usado em embalagens, filmes e até aplicações médicas, dependendo da formulação.

O ponto mais forte da proposta está na mudança de lógica. Em vez de tratar o isopor como um resíduo sem valor econômico, o projeto tenta convertê lo em um novo material de maior utilidade ambiental, com potencial para substituir plásticos mais problemáticos.

PHA produzido por bactéria tem valor porque é biodegradável e pode substituir plásticos convencionais

O PHA sintetizado pela Pseudomonas putida não se comporta como o poliestireno original. Enquanto o isopor pode permanecer no ambiente por centenas de anos, o bioplástico biodegradável pode ser decomposto por microrganismos comuns do solo em períodos muito menores, especialmente em condições adequadas de compostagem.

Estudante de 13 anos cria máquina com bactérias que devoram isopor e transformam espuma descartada em energia
Foto: Fast Company – nano Nerds/Reprodução

Isso faz do PHA um material relevante para pesquisas de economia circular, porque ele transforma um resíduo de difícil destinação em um produto com aplicação potencial em novas cadeias de produção. Essa característica ajuda a explicar por que o projeto chamou atenção fora do ambiente escolar.

A proposta também reforça uma ideia cada vez mais importante na ciência dos materiais. Muitas vezes, o avanço não está apenas em criar novos plásticos, mas em encontrar caminhos biológicos para reaproveitar resíduos complexos e reconvertê los em materiais menos agressivos ao ambiente.

Projeto escolar dos Estados Unidos chegou à semifinal de prêmio global de inovação

O Polystyrenator foi desenvolvido dentro da First Lego League, uma das maiores competições de ciência e engenharia para estudantes no mundo. A edição em que os Nano Nerds participaram tinha como foco o desafio do lixo e pedia que as equipes identificassem um problema real de resíduos e propusessem uma solução inovadora.

Segundo a Fast Company, de milhares de equipes participantes em vários países, apenas 20 chegaram à semifinal do Global Innovation Award. O time de Emily Miner ficou entre esses grupos selecionados e apresentou o projeto para um painel de especialistas em engenharia e gestão de resíduos.

Esse contexto é importante porque mostra que a ideia não foi tratada apenas como curiosidade escolar. Ela foi avaliada em um ambiente competitivo, com critérios próximos dos usados em projetos de inovação aplicados ao mundo real.

Problema do isopor continua sem solução industrial em escala mesmo anos depois

Apesar do destaque conquistado pelo projeto, o próprio conteúdo mostra que o problema central continua aberto. O mundo ainda produz aproximadamente 14 milhões de toneladas de isopor por ano, enquanto as soluções de biodegradação do poliestireno seguem concentradas principalmente em laboratório e em testes experimentais.

As grandes empresas continuam usando o material porque ele oferece uma combinação difícil de substituir, com baixo custo, leveza e alta proteção contra impacto. Isso faz com que a pressão ambiental aumente sem que a infraestrutura global de reciclagem acompanhe.

O que os Nano Nerds demonstraram foi que a base científica existe. Segundo o texto, o obstáculo maior não está mais em saber se a lógica funciona, mas em transformar essa lógica em escala industrial, com capacidade de receber grandes volumes de isopor e operar com viabilidade econômica.

Emily Miner e os Nano Nerds mostraram que jovens podem entrar em debates reais de ciência e resíduos

Uma das falas mais fortes atribuídas a Emily Miner resume o peso simbólico do projeto. Segundo ela, a experiência mostrou que, mesmo sendo muito jovens, ainda é possível fazer diferença no mundo. Essa frase ajuda a explicar por que o caso chamou atenção além da microbiologia e da engenharia ambiental.

O Polystyrenator não foi uma startup pronta nem uma solução comercial acabada. Mas serviu como prova de conceito de que um grupo de estudantes conseguiu conectar literatura científica, problema ambiental real e aplicação prática em um tema que segue sem resposta robusta no mercado.

No fim, o projeto deixou uma pergunta que continua atual. Se uma equipe de estudantes conseguiu demonstrar que bactérias podem ajudar a destruir isopor e gerar bioplástico biodegradável, por que a indústria global ainda não conseguiu levar essa solução para a escala que o problema exige?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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