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Maior complexo de energia eólica offshore do planeta tem o tamanho da Grande Londres — e consegue gerar eletricidade para 6 milhões de residências no Reino Unido

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 30/06/2025 às 15:19
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Foto: Maior complexo eólico offshore do mundo
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Dogger Bank, maior parque eólico offshore do mundo, começou a operar no Reino Unido e gerará energia para 6 milhões de residências com 3,6 GW de capacidade.

No meio do Mar do Norte, a centenas de quilômetros da costa inglesa, está nascendo um novo tipo de megacidade. Mas em vez de arranha-céus, ali se erguem torres metálicas gigantes, cada uma com hélices do tamanho de asas de avião. Este é o Dogger Bank Wind Farm, o maior complexo de energia eólica offshore já construído no planeta — e um dos projetos mais ambiciosos da transição energética global. Com capacidade total estimada de 3,6 gigawatts (GW) ao final da construção, o complexo terá energia suficiente para abastecer 6 milhões de residências britânicas — o equivalente a mais de 15% de todos os lares do Reino Unido. Para se ter ideia do tamanho, a área total ocupada pelas turbinas será maior que a região da Grande Londres.

Mais do que uma obra de engenharia de ponta, Dogger Bank é um símbolo do futuro energético europeu — onde ventos oceânicos substituem carvão, gás e petróleo como motores da economia.

A fazenda eólica offshore que desafia o mar – Dogger Bank Wind Farm

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Dogger Bank está sendo construída em uma área com profundidades que variam de 20 a 40 metros, entre 130 e 190 km da costa nordeste da Inglaterra. Essa região é conhecida historicamente como Doggerland, um antigo trecho de terra que ligava o Reino Unido ao continente europeu durante a era glacial, hoje submerso.

A localização foi escolhida estrategicamente por três motivos:

  • Ventos fortes e constantes, ideais para geração eficiente.
  • Águas relativamente rasas, que facilitam a instalação das turbinas.
  • Distância suficiente da costa, reduzindo impactos visuais e ambientais.

O projeto está dividido em três fases principais: Dogger Bank A, B e C — cada uma com capacidade de 1,2 GW. Há ainda planos para uma quarta fase, Dogger Bank D, que pode elevar a capacidade total para 4,8 GW no futuro.

Turbinas gigantes: cada uma gera energia para 16 mil casas

As turbinas utilizadas no projeto são da classe Haliade-X, desenvolvidas pela GE Renewable Energy. Cada unidade tem impressionantes:

  • 260 metros de altura total (maior que a Torre Eiffel)
  • 220 metros de diâmetro do rotor
  • Capacidade de 13 MW por turbina

Apenas uma dessas turbinas pode gerar energia suficiente para alimentar até 16 mil residências britânicas por ano. O complexo completo terá mais de 270 turbinas quando todas as fases estiverem concluídas.

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As torres são montadas em bases do tipo “monopile”, estruturas cilíndricas que são cravadas diretamente no solo marinho. O transporte e instalação exigem embarcações especiais, como o Voltaire, da Jan De Nul, e navios de última geração com posicionamento dinâmico e guindastes de 3.000 toneladas.

Capacidade de geração e impacto nacional do Dogger Bank Wind Farm

O Reino Unido já é líder mundial em energia eólica offshore, e Dogger Bank consolida essa posição. Com seus 3,6 GW, o projeto representa:

  • Quase 30% da capacidade instalada offshore atual do Reino Unido
  • Mais da metade da meta de novos GW a serem instalados até 2030
  • Energia para abastecer 1 em cada 5 casas do país

Além de reduzir as emissões de CO₂ em mais de 6 milhões de toneladas por ano, o projeto está atraindo investimentos bilionários, criando milhares de empregos diretos e indiretos, e reposicionando portos como Newcastle e Hull como centros logísticos da nova economia verde.

Uma parceria global por trás do megaempreendimento

O Dogger Bank Wind Farm é resultado de uma joint venture entre três gigantes globais:

  • SSE Renewables (Reino Unido)
  • Equinor (Noruega)
  • Vårgrønn (joint venture entre Eni e HitecVision)

O financiamento da primeira fase já soma US$ 6 bilhões, e o investimento total estimado ultrapassa US$ 15 bilhões ao fim do projeto.

As empresas estão apostando em tecnologias de automação, inteligência artificial e monitoramento remoto para garantir que o parque seja um dos mais eficientes e bem gerenciados do mundo.

O futuro da eletricidade no Reino Unido está no mar

Com a guerra na Ucrânia, a volatilidade do gás natural e a necessidade urgente de reduzir as emissões de carbono, o Reino Unido acelerou seus planos de transição energética. E a energia eólica offshore está no centro dessa estratégia.

A meta do governo britânico é chegar a 50 GW de capacidade offshore até 2030. Dogger Bank responde sozinho por mais de 7% dessa meta, e funcionará como modelo para novas instalações não só na Europa, mas também em mercados emergentes como Brasil, Taiwan, Índia e Estados Unidos.

Além disso, o Reino Unido planeja construir linhas de transmissão submarina HVDC de última geração para conectar Dogger Bank diretamente às redes de Londres e Manchester, com perdas mínimas de energia.

Desafios e inovação contínua

Instalar um parque eólico dessa magnitude no meio do mar não é tarefa simples. Os principais desafios enfrentados pela equipe incluem:

  • Condições climáticas severas, que atrasam as operações marítimas.
  • Logística complexa, com equipamentos pesando até 700 toneladas.
  • Monitoramento ambiental contínuo, para preservar a fauna e flora marinha.

Para superar esses obstáculos, a Dogger Bank Wind Farm adota o que há de mais moderno em automação: drones subaquáticos, sensores climáticos em tempo real, softwares preditivos e uma plataforma digital que integra dados de geração, manutenção e clima 24 horas por dia.

Um marco da transição energética global

Dogger Bank não é apenas um projeto britânico. É um símbolo da nova era energética que se desenha no planeta. Ele mostra que é possível pensar grande, executar com excelência e reduzir drasticamente a dependência de combustíveis fósseis — sem comprometer o crescimento econômico.

Para engenheiros, gestores públicos e investidores do setor de energia, Dogger Bank serve de referência internacional, tanto pela escala quanto pela capacidade de execução. E, mais importante: é um lembrete de que as grandes obras do futuro não serão mais centradas no petróleo, mas no vento, no sol e na inteligência coletiva da humanidade.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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