Mãe e filhas criam rede de negócios familiares, aumentam a renda e encontram novo propósito após desafios pessoais e financeiros.
Uma sequência de desafios familiares, marcada por problemas de saúde, dificuldades financeiras e a perda de um ente querido, acabou impulsionando a criação de três negócios administrados por integrantes da mesma família em Bataguassu, no Mato Grosso do Sul. A trajetória envolve uma consultora de beleza, uma cabeleireira e uma costureira que encontraram no empreendedorismo uma alternativa para reconstruir a rotina, ampliar a renda e criar novas perspectivas para o futuro.
A transformação começou a ganhar força no início de 2024, quando Jaqueline Marques, de 45 anos, decidiu investir em capacitação para aperfeiçoar a administração de sua atividade de venda direta de produtos de beleza. O conhecimento adquirido ultrapassou os limites do próprio negócio e passou a beneficiar outras integrantes da família.
Ao longo de dez meses, a empreendedora viu seu faturamento mensal saltar de R$ 1,5 mil para R$ 6 mil, resultado que serviu como ponto de partida para mudanças mais amplas dentro de casa.
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Mãe e filhas encontraram no conhecimento uma oportunidade de mudança
Em vez de aplicar os aprendizados apenas em sua operação comercial, Jaqueline decidiu compartilhar as novas estratégias com a irmã, Esther Dariene, de 43 anos. Dona de um salão de beleza, Esther acumulava 15 anos de experiência profissional, mas enfrentava dificuldades relacionadas à gestão financeira do empreendimento.
A ausência de planejamento e controle mais detalhado das contas colocava em risco a continuidade das atividades. Com a reorganização administrativa, o cenário começou a mudar. Atualmente, o salão registra faturamento mensal entre R$ 3.500 e R$ 4.000, enquanto o valor médio gasto por cliente nos serviços capilares chegou a R$ 200.
A profissional conseguiu ampliar significativamente sua carteira de atendimento e realizou um investimento de R$ 10 mil para inaugurar um novo espaço. A próxima etapa envolve a ampliação dos serviços oferecidos, incluindo procedimentos voltados à estética facial e possíveis parcerias com profissionais ligados ao segmento de bem-estar.
Ao comentar a mudança, Esther destacou a importância de compreender melhor a realidade financeira do negócio. “Eu fazia tudo no automático e não percebia o quanto meu trabalho estava crescendo. Aprendi a controlar meu dinheiro, entender meus números e acreditar no meu potencial como empreendedora”, afirmou.

Novo projeto devolveu propósito à matriarca da família
Enquanto as filhas fortaleciam seus empreendimentos, uma nova preocupação surgia dentro de casa. Após passar por uma cirurgia na coluna em 2022, Gizelda Fatima Marques, de 62 anos, precisou interromper a atividade como trabalhadora doméstica, profissão que sustentou a família durante anos.
A mudança repentina de rotina, somada ao luto pela perda do neto, contribuiu para um período de desânimo e isolamento. Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de participar de um projeto de costura sustentável apoiado pela Bracell.
A iniciativa oferece treinamento, equipamentos e materiais para produção de novos itens a partir do reaproveitamento de tecidos e outros resíduos.
A atividade desenvolvida pelo grupo envolve a transformação de materiais descartados em novos produtos.
Entre os itens reutilizados estão:
- Calças jeans usadas;
- Bolsas industriais de ráfia;
- Tecidos reaproveitados para novos acessórios.
Após a separação do material, ocorre um processo que inclui desmontagem, limpeza e adaptação das peças para a fabricação de novos produtos. As mercadorias produzidas são comercializadas em feiras e estabelecimentos parceiros.
Além da geração de renda, o projeto permitiu que Gizelda voltasse a desempenhar uma atividade produtiva sem necessidade de investimento inicial. “Achei que nesse momento da minha vida eu não teria mais utilidade. Com o projeto, eu volto a me tornar útil. A renda está aumentando e a gente está conseguindo produzir mais”, declarou.
Mãe e filhas criaram uma rede de apoio entre os negócios
Com o passar do tempo, as três atividades passaram a funcionar de forma integrada. A consultoria de beleza conduzida por Jaqueline encontrou espaço em uma antiga área da residência que anteriormente era utilizada para panificação.
O local foi reformado e adaptado para receber clientes interessados em maquiagem e cuidados com a pele. O negócio começou com investimento de R$ 2 mil em produtos e evoluiu para um modelo de venda direta sem intermediários.
A cooperação familiar também gerou resultados práticos. Quando o grupo de costura precisou produzir imagens para divulgar os produtos, a própria Jaqueline foi responsável pela maquiagem das artesãs que participaram das fotografias. Essa interação acabou fortalecendo a colaboração entre os diferentes empreendimentos.
Planos futuros envolvem expansão das atividades
O desenvolvimento dos três negócios alterou inclusive a dinâmica cotidiana da família. Temas relacionados a vendas, organização financeira, logística e capacitação profissional passaram a fazer parte das conversas diárias, substituindo assuntos que antes dominavam a rotina da casa.
Agora, os planos estão voltados para o crescimento das operações. Enquanto Gizelda busca tornar mais eficiente o processo de reaproveitamento dos materiais utilizados na costura, as filhas trabalham na estruturação de um modelo que permita integrar ainda mais os serviços oferecidos pela consultoria de beleza e pelo salão.
A meta é ampliar o alcance dos atendimentos e consolidar os empreendimentos como referências locais, transformando uma história marcada por perdas e dificuldades em um projeto familiar de geração de renda e desenvolvimento profissional.
Com informações da Revista PEGN

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