Com 18 GW de projetos inscritos e potencial de R$ 10 bilhões em investimentos, o Brasil se prepara para realizar o primeiro leilão exclusivo de baterias da sua história — e o setor elétrico nunca mais será o mesmo
O Brasil está prestes a dar um passo que nenhum país da América Latina deu antes. O primeiro leilão dedicado exclusivamente a sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) está previsto para acontecer entre abril e junho de 2026.
Segundo dados da PV Magazine Brasil e da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE), há cerca de 18 GW de projetos de baterias prontos para cadastro.
A demanda inicial é de 2 GW — equivalente a 8 GWh em cenários de 4 horas de uso. Porém, agentes do setor avaliam que o volume pode chegar a 5 GW.
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Alvo de intensa controvérsia, desde sua ampla divulgação, a eliminação da escala 6 x 1 – sob o argumento inconsistente de que ela implicaria ‘ganhos de produtividade’ e até ‘de renda’ à classe trabalhadora – não resiste ao mais elementar princípio econômico. Isso porque, sem ganhos de produtividade efetivos, haverá custo extra a ser suportado pelas empresas, ‘regiamente’ repassado ao consumidor final, sempre ele.
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O potencial de investimentos mobilizados ultrapassa R$ 10 bilhões.

Por que baterias e não termelétricas: a economia de R$ 3,2 bilhões por ano
A lógica por trás do leilão de baterias é econômica. O custo das baterias está dramaticamente abaixo das termelétricas a gás e óleo.
O preço-teto estimado para BESS fica entre R$ 1 milhão e R$ 1,7 milhão por MW ao ano, segundo a ABSAE. Para termelétricas, o valor vai de R$ 2,25 milhões a R$ 5 milhões por MW ao ano.
Com 2 GW de baterias contratadas em vez de térmicas, a economia anual estimada é de R$ 3,2 bilhões.
Além disso, projetos de baterias entram em operação em 14 a 28 meses — os mais rápidos em apenas 14 meses. Termelétricas levam anos.
- Demanda inicial: 2 GW (~8 GWh)
- Projetos cadastráveis: 18 GW (ABSAE)
- Investimentos potenciais: R$ 10 bilhões
- Economia vs térmicas: R$ 3,2 bilhões/ano
- Prazo de operação: 14 a 28 meses
- Déficit de potência até 2034: 55 GW (PDE)
O déficit de 55 GW que obriga o Brasil a agir: as baterias são parte da solução
O Plano Decenal de Expansão da Energia (PDE) projeta um déficit de potência de 55 GW até 2034 no Sistema Interligado Nacional (SIN).
“Esses 55 GW você vai atender via térmicas, hidrelétricas, resposta da demanda, várias soluções. Então o primeiro leilão de 2 GW faz total sentido — você não vai contratar todas as 9 GW num único certame, seria exagerado”, afirmou Markus Vlasits, presidente da ABSAE.
O Ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira confirmou que o leilão deve contratar cerca de 2 GW, coincidindo com os cálculos do setor.
O leilão ocorre no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), mecanismo criado para garantir potência firme ao sistema elétrico diante da expansão de fontes intermitentes como solar e eólica.
A inauguração de plantas de hidrogênio verde no Brasil mostra que o país investe em múltiplas frentes da transição energética.

Huawei, BYD, CATL: as gigantes que querem fornecer baterias para o Brasil
O leilão brasileiro atraiu atenção internacional. Em reuniões bilaterais em Jacarta, Indonésia, o ministro Silveira consultou empresas como Huawei Digital Power, BYD, CATL, Envision, Sungrow e HyperStrong.
Todas apresentaram soluções de baterias em larga escala para o mercado brasileiro.
A competição entre fornecedores chineses e americanos pode beneficiar o Brasil com preços mais competitivos e tecnologia de ponta.
A EPE cadastrou mais de 125 GW em 368 projetos para o LRCAP geral de 2026, incluindo térmicas, hidrelétricas e baterias. A inovação no armazenamento residencial com painéis solares plug-and-play complementa essa expansão em escala menor.
Entraves regulatórios e datas flexíveis: o que pode atrasar o leilão
Por outro lado, o caminho não está livre de obstáculos. A questão da “tarifa dupla” e a alocação de custos — regulamentadas pela Lei nº 15.269/2025 — geram incerteza jurídica e risco de judicialização.
A portaria específica para BESS ainda não foi publicada. A minuta original previa abril de 2026, mas o ministro Silveira sinalizou que pode ocorrer “até junho”.
Além disso, embora 18 GW estejam prontos para cadastro, o leilão inicial contratará apenas 2 GW. O déficit de 55 GW exigirá múltiplos leilões ao longo dos próximos anos.
O setor comercial e industrial já movimenta 500 MWh em armazenamento em 2026, indicando que a demanda privada não espera o leilão público.
Ainda assim, o primeiro leilão exclusivo de baterias do Brasil marca uma mudança estrutural no setor elétrico. Pela primeira vez, o país reconhece oficialmente que armazenamento não é complemento — é infraestrutura essencial.
