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Lamborghini avaliada em R$ 2,6 mi foi encontrada no apartamento de um dos principais alvos da PF no caso das fraudes no INSS — havia também outros itens valiosos

Publicado em 18/05/2025 às 14:14
Fraudes, INSS, PF, Lamborghini
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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PF apreende Lamborghini, joias e obras de arte em operação que apura fraudes no INSS; desdobramentos políticos incluem queda de ministros e bilhões em descontos suspeitos

A Polícia Federal apreendeu uma Lamborghini, joias, relógios e quadros de arte no apartamento de Maurício Camisotti, empresário apontado como um dos principais alvos da operação que investiga fraudes bilionárias no INSS.

A ação ocorreu em abril e teve desdobramentos políticos importantes, como a queda do presidente do INSS e do ministro da Previdência.

Lamborghini e outros itens de luxo apreendidos em São Paulo

No apartamento de Camisotti, localizado no bairro Jardim Europa, área nobre de São Paulo, foram encontrados itens de alto valor.

A lista inclui uma Lamborghini Urus 2020, avaliada em até R$ 2,6 milhões, sete relógios de marcas como Richard Mille, Hublot e Breitling, seis kits de joias e cinco quadros — entre eles, uma obra de Di Cavalcanti. A Polícia Federal também apreendeu uma Toyota Hilux e outras 51 joias.

As peças foram levadas para análise da perícia. Fotos mostram algumas das obras de arte encontradas no local, como quadros de Claudio Tozzi e Inos Corradin.

Empresário nega irregularidades

A defesa de Camisotti declarou que todo o patrimônio foi adquirido legalmente ao longo de três décadas no setor de saúde.

O advogado do empresário, Pierpaolo Bottini, afirmou que os contratos com as entidades investigadas são legítimos e formalizados, com serviços prestados e comprovados. Ele também disse que a acusação de uso de laranjas é “tendenciosa”.

Suspeitas sobre associação ligada ao grupo

A investigação aponta que Camisotti seria o verdadeiro controlador de uma rede de empresas e entidades do setor de saúde e seguros que se beneficiaram de repasses de pelo menos R$ 43 milhões.

Entre essas entidades está a Ambec, terceira associação que mais descontou valores de beneficiários do INSS em 2024. Ela é suspeita de ser comandada por laranjas ligados ao empresário.

Criada em 2006, a Ambec é sediada na Vila Olímpia (SP) e chegou a ser presidida por Maria Inês Batista de Almeida, ex-auxiliar de dentista ligada ao grupo THG, de Camisotti.

Em dois anos, os descontos feitos pela associação saltaram de R$ 25 milhões para R$ 231,3 milhões, representando 8,8% do total de repasses das associações em 2024.

A quantidade de associados também teve aumento expressivo: de três para mais de 600 mil entre 2022 e 2024.

Outras entidades na mira

Segundo a PF e a CGU, desde 2016 foram descontados indevidamente R$ 7,99 bilhões de aposentados e pensionistas. O inquérito aponta que, além da Ambec, o grupo THG também controlaria outras duas entidades: a Unsbras e o Cebap.

Somadas, as três responderam por R$ 456,5 milhões em descontos apenas em 2024, superando até a Contag, líder individual em valores descontados, com R$ 435 milhões.

Desdobramentos políticos e origem da investigação das fraudes

As investigações começaram após reportagens do jornalista Luiz Vassalo, que levaram a ações da CGU e da Polícia Federal. O esquema teria começado ainda em 2019 e se expandido nos anos seguintes. Em abril de 2025, os descontos supostamente foram suspensos.

A operação teve efeitos imediatos. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e o ministro da Previdência, Carlos Lupi, deixaram os cargos. O afastamento foi confirmado após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Disputa política após revelações

O escândalo gerou reações no Congresso. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) culpou o governo Lula pelas fraudes. Em resposta, o deputado André Janones (Avante-MG) defendeu a atual gestão e responsabilizou o governo anterior, de Jair Bolsonaro, pelas irregularidades.

Segundo os dados, cerca de 6 milhões de beneficiários tinham descontos mensais em seus benefícios, totalizando R$ 6,3 bilhões. A maioria, segundo os investigadores, não autorizou esses descontos.

Com informações de O Antogonista.

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Romário Pereira de Carvalho

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