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Tijolão de 500 g e tela esverdeada, o primeiro smartphone do mundo saiu em 1994 por US$ 899 e, corrigido pela inflação, custaria hoje R$ 6.222, o preço de um iPhone 16 Plus

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 08/07/2026 às 19:21 Atualizado em 08/07/2026 às 19:24
O primeiro smartphone do mundo, o IBM Simon, saiu em 1994 por US$ 899. Corrigido pela inflação, custaria hoje R$ 6.222, quase um iPhone 16 Plus
O primeiro smartphone do mundo, o IBM Simon, saiu em 1994 por US$ 899. Corrigido pela inflação, custaria hoje R$ 6.222, quase um iPhone 16 Plus
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Muito antes de o telefone celular virar câmera, carteira e computador de bolso, um “tijolão” de meio quilo com tela esverdeada já era chamado de inteligente.

Segundo o TechTudo, o primeiro smartphone do mundo foi o IBM Simon Personal Communicator, fabricado pela IBM em parceria com a Mitsubishi Electric e vendido pela BellSouth Cellular nos Estados Unidos a partir de agosto de 1994, ao preço de US$ 899 com um contrato de dois anos (ou US$ 1.099 sem contrato). Corrigido pela inflação, esse pioneiro custaria hoje cerca de R$ 6.222, valor próximo ao de um iPhone 16 Plus zero.

Segundo o Mobile Phone Museum, o IBM Simon não era apenas um telefone. Ele fazia ligações, enviava e recebia e-mail e fax, trazia agenda, calendário, calculadora, bloco de notas e relógio mundial, e ainda aceitava aplicativos de terceiros por meio de um cartão encaixado no corpo do aparelho. Faltavam câmera e GPS, e a bateria durava cerca de uma hora, mas o conceito de smartphone de 1994 já estava todo ali. Essa é a peça que abre, de fato, a história do smartphone que hoje você carrega no bolso.

Afinal, qual foi o primeiro smartphone do mundo?

IBM Simon, o primeiro smartphone — Foto: Reprodução/Verdict
IBM Simon, o primeiro smartphone — Foto: Reprodução/Verdict

Quando o IBM Simon Personal Communicator chegou às lojas, em agosto de 1994, a palavra que hoje usamos para ele quase não existia. Ainda assim, o primeiro smartphone do mundo já entregava a ideia central que define a categoria até os dias atuais: juntar, em um único aparelho, o telefone e o computador pessoal. Fabricado pela IBM em parceria com a Mitsubishi Electric e comercializado pela BellSouth Cellular, esse pioneiro nasceu para ser bem mais do que um celular comum.

O nome era comprido, mas a proposta era simples: um comunicador pessoal que cabia, com algum esforço, na palma da mão. É por isso que a história do smartphone não começa com o iPhone, nem com os primeiros aparelhos Android, e sim com esse veterano de tela sensível ao toque, lançado numa época em que muita gente ainda usava telefone com fio em casa.

Entender qual foi o primeiro smartphone do mundo ajuda a medir o tamanho do salto tecnológico das últimas três décadas. O smartphone de 1994 era caro, pesado e limitado, mas plantou a semente de tudo o que veio depois. Sem esse primeiro smartphone, a linha do tempo dos celulares inteligentes simplesmente não existiria.

Um “tijolão” de 500 g com tela esverdeada e caneta

À primeira vista, o pioneiro parecia um bloco preto de telefone sem fio daquela época. O IBM Simon pesava cerca de 500 g, o equivalente a um bom pacote de arroz na palma da mão, e trazia uma tela de cristal líquido (LCD) monocromática, com aquele tom esverdeado típico dos visores dos anos 1990. Nada de cores vibrantes: o brilho esverdeado era a cara dos gadgets da década.

O grande truque, porém, estava justamente nessa tela: ela era sensível ao toque. O usuário navegava pelos menus com os dedos ou com uma caneta stylus que acompanhava o aparelho, um recurso que só se popularizaria de vez muitos anos depois. Para 1994, ver alguém tocar a tela de um telefone para escrever um recado era quase ficção científica.

Esse formato “tijolão” faz parte do charme retrô desse pioneiro e ajudou a definir a estética do smartphone de 1994. Ele não exibia um teclado numérico físico o tempo todo: quando você precisava discar, os números apareciam na própria tela, algo revolucionário para quem estava acostumado a botões de plástico. A história do smartphone, portanto, já nasceu apostando no toque.

O que o IBM Simon fazia (e o que faltava nele)

Celular Simon, da IBM, foi o primeiro a oferecer funções PDA — Foto: Reprodução/Mobile Phone Museum
Celular Simon, da IBM, foi o primeiro a oferecer funções PDA — Foto: Reprodução/Mobile Phone Museum

Se o visual assustava, a lista de funções impressionava para a época. Além de fazer e receber ligações, esse aparelho inteligente enviava e recebia e-mails e fax, algo que deixava executivos em êxtase em 1994. Tinha agenda de contatos, calendário, calculadora, bloco de notas e até relógio mundial, tudo reunido em um só corpo preto e pesado.

Havia ainda um detalhe que soa surpreendentemente moderno: o IBM Simon aceitava aplicativos de terceiros, carregados por meio de um cartão. Ou seja, a ideia de “instalar um app” para ganhar novas funções, que parece coisa da era iPhone, já dava seus primeiros passos ali, nos anos 1990. Esse é um capítulo pouco lembrado da história do smartphone, mas fundamental.

Nem tudo era perfeito. O smartphone de 1994 não tinha câmera nem GPS, itens que hoje consideramos básicos em qualquer celular. Pior: a bateria durava cerca de uma hora de uso, o que obrigava o dono a viver perto de uma tomada. Some a isso o peso de meio quilo e você entende por que o primeiro smartphone era um objeto de vanguarda, mas ainda muito longe de ser prático no dia a dia.

De US$ 899 a R$ 6.222: a conta que a inflação fez

Aqui entra a parte que mais dói no bolso. O primeiro smartphone do mundo custava US$ 899 nos Estados Unidos com um contrato de dois anos, e chegava a US$ 1.099 para quem quisesse levar o aparelho sem amarras de operadora. Já era um preço de luxo em 1994, reservado a quem tinha muito dinheiro sobrando ou a empresas dispostas a pagar caro pela novidade.

Agora vem o pulo do gato da economia. Quando você corrige aqueles US$ 899 de 1994 pela inflação até 2026, o valor equivale a cerca de R$ 6.222. Não é pouca coisa: esse montante fica próximo ao preço de um iPhone 16 Plus zero, um dos smartphones mais avançados à venda hoje. Em poder de compra, portanto, o primeiro smartphone custava quase o mesmo que um topo de linha atual.

A comparação com o iPhone 16 Plus é o que torna a história tão saborosa. Por um preço parecido, o comprador de 1994 levava para casa um “tijolão” de tela verde e bateria de uma hora, enquanto o comprador de 2026 leva um iPhone 16 Plus com câmeras profissionais, tela de alta resolução e bateria para o dia inteiro. O primeiro smartphone e o iPhone 16 Plus custam quase igual, mas entregam mundos completamente diferentes.

Uma mão segurando um smartphone moderno de tela preta, sem marca visível. (Imagem ilustrativa)
Uma mão segurando um smartphone moderno de tela preta, sem marca visível. (Imagem ilustrativa)

Primeiro smartphone ou primeiro celular? DynaTAC entra na história

Aqui é preciso desfazer uma confusão comum. O IBM Simon foi o primeiro smartphone, mas não foi o primeiro celular da história. Esse outro título pertence ao Motorola DynaTAC, lançado em 1983, mais de uma década antes do pioneiro dos aparelhos inteligentes.

A diferença é importante e explica muita coisa. O Motorola DynaTAC, de 1983, era um telefone celular no sentido puro: servia para fazer e receber chamadas sem fio, e só. Já o primeiro smartphone, o pioneiro de 1994, foi o primeiro a juntar telefone com funções de computador, como e-mail, agenda e aplicativos. Ou seja, o celular nasceu em 1983, mas o smartphone só apareceu 11 anos depois.

Guardar essas datas ajuda a não embaralhar a história do smartphone com a história do telefone celular. Foram onze anos entre o primeiro celular e o primeiro smartphone, um intervalo em que a tecnologia amadureceu até caber num aparelho que fazia bem mais do que apenas ligar. O smartphone de 1994 foi o marco que separou o telefone comum do minicomputador de bolso.

Por que o primeiro smartphone vendeu só 50 mil unidades?

Se o aparelho era tão avançado, por que quase ninguém se lembra dele? A resposta está nos números de venda. O primeiro smartphone do mundo vendeu apenas cerca de 50.000 unidades, todas nos Estados Unidos, e disponíveis em somente 15 estados do país. Nunca foi um sucesso de massa.

O preço salgado, o peso de meio quilo, a bateria de uma hora e a ausência de uma rede de dados como a que temos hoje pesaram contra. O smartphone de 1994 estava à frente do seu tempo, mas o mundo ainda não tinha infraestrutura nem apetite para ele. Resultado: o IBM Simon foi descontinuado cerca de dois anos após o lançamento, uma vida curtíssima para um produto tão inovador.

Mesmo assim, o pioneiro cumpriu seu papel. Ele provou que dava para colocar um pequeno computador dentro de um telefone, uma ideia que só se tornaria viável em massa quando as baterias, as telas e as redes evoluíssem. A história do smartphone, portanto, começa com um fracasso comercial que, com o tempo, virou um marco tecnológico celebrado.

Do luxo restrito de 1994 ao smartphone de massa

Olhar para o primeiro smartphone e para o iPhone 16 Plus lado a lado é enxergar, em dois pontos, toda a evolução da tecnologia móvel. Em 1994, ter um smartphone era privilégio de pouquíssimos: caro, pesado e restrito a alguns estados americanos. Era um símbolo de status, não um objeto de uso diário para bilhões de pessoas.

Trinta e poucos anos depois, o roteiro se inverteu por completo. O aparelho deixou de ser luxo e virou item de primeira necessidade, presente na mão do trabalhador, do estudante e do aposentado. O que era exceção no smartphone de 1994 virou regra em 2026: quase todo mundo carrega no bolso um celular muito mais poderoso do que o primeiro smartphone jamais sonhou ser.

E o preço conta essa história melhor do que qualquer discurso. O mesmo dinheiro que, corrigido pela inflação, comprava um único aparelho de tela verde compra hoje um iPhone 16 Plus de ponta ou, se a pessoa preferir, vários celulares intermediários bem capazes. A tecnologia ficou incomparavelmente melhor pelo mesmo valor real, e essa é a lição mais bonita da história do smartphone.

O que o primeiro smartphone tem a ver com o Brasil?

Tudo, quando o assunto é poder de compra. Aqueles R$ 6.222 que o primeiro smartphone custaria hoje, corrigido pela inflação, funcionam como uma régua muito interessante para o consumidor brasileiro. Com essa quantia, dá para comprar desde o topo de linha da Apple, na faixa do iPhone 16 Plus, até uma penca de smartphones potentes de marcas variadas.

Na prática, R$ 6.222 no Brasil de 2026 rendem muito. É dinheiro para um único aparelho premium ou, se a ideia for economizar, para três, quatro ou até mais celulares na faixa de R$ 800 a R$ 2.000. Esses modelos fazem tudo o que o IBM Simon fazia e muito mais, com câmera, GPS, internet rápida e bateria para o dia inteiro. O brasileiro que gasta R$ 1.500 num celular hoje leva para casa uma tecnologia que, no smartphone de 1994, nem os mais ricos conseguiam comprar por quatro vezes esse valor.

Esse é o recado que a história do smartphone deixa para o Brasil: o que antes era luxo importado e inacessível virou item de massa no bolso do brasileiro. Do vendedor ambulante ao entregador de aplicativo, o celular inteligente se tornou ferramenta de trabalho e de renda. O primeiro smartphone abriu uma porta que, décadas depois, ajudou a colocar o Brasil inteiro conectado, mesmo que o smartphone de 1994 jamais tenha sido vendido por aqui.

E você, trocaria seu celular atual pelo pioneiro de 1994?

E você, aceitaria voltar no tempo e usar o primeiro smartphone do mundo no lugar do aparelho que está na sua mão agora? Imagine encarar o dia com um “tijolão” de 500 g, tela esverdeada, bateria de uma hora e nenhuma câmera, tudo isso pelo equivalente a R$ 6.222, quase o preço de um iPhone 16 Plus zero. Difícil topar, não é mesmo?

É exatamente esse contraste que torna a história do smartphone tão fascinante. Em pouco mais de três décadas, saímos de um aparelho caríssimo e limitado para smartphones que custam menos, em valor real, e fazem infinitamente mais. O primeiro smartphone de 1994 foi o tijolo inicial de uma revolução que hoje cabe, leve e barata, no seu bolso.

Conte para a gente nos comentários: você pagaria R$ 6.222 num smartphone de 1994 ou prefere gastar esse dinheiro em um iPhone 16 Plus atual, ou ainda em vários celulares mais baratos? E compartilhe esta matéria com aquele amigo que acha que a história do smartphone começou com o iPhone.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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