Abordado na rua Estado de Israel, na Zona Sul, o técnico Alex Rodrigues Nogueira admitiu ter cobrado para religar energia em apagão e foi preso em flagrante por corrupção passiva, segundo a SSP. Em Diadema, moradores relataram cobrança semelhante enquanto mais de 1,5 milhão de imóveis seguiam sem luz ainda.
Na quarta-feira (10/12/2025), rajadas de vento derrubaram árvores e danificaram a rede elétrica em bairros da Zona Sul de São Paulo. Na quinta-feira (11/12/2025), durante a apuração de denúncias sobre religar energia em apagão, o subprefeito da Vila Mariana, Rafael Minatogawa, abordou um funcionário e registrou a admissão de cobrança.
O caso evoluiu para prisão em flagrante na quinta (11/12/2025) e foi registrado no 16º Distrito Policial, na área de Vila Clementino. A Enel informou que o homem atuava por uma empresa parceira e reforçou que serviços emergenciais para restabelecimento de energia não estão sujeitos a cobrança individual ao cliente.
Abordagem na Vila Mariana e admissão registrada em áudio
Segundo o relato do subprefeito Rafael Minatogawa ao g1, a Prefeitura recebeu denúncia de um comerciante e foi ao local para verificar a suspeita de pagamento para religar energia em apagão.
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A abordagem ocorreu na rua Estado de Israel, na Vila Mariana, Zona Sul, e começou com a menção de que o subprefeito trabalhava na Sena Madureira.
No áudio citado na reportagem, o subprefeito questiona o funcionário, identificado como Alex Rodrigues Nogueira, sobre o valor.
O funcionário afirma ter “passado por tanto” e diz “era 2,5 [mil]”, em referência ao pagamento para religar energia em apagão. Em seguida, ele caracteriza o ato como “bico” e menciona que a nota de serviço dele seria em outro endereço.
Prisão em flagrante e tipificação por corrupção passiva
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que policiais civis do 16º Distrito Policial (Vila Clementino) prenderam em flagrante, na quinta-feira (11/12/2025), um funcionário de empresa de fornecimento de energia elétrica por corrupção passiva. A SSP localiza a ocorrência na Praça Manuel Vaz de Toledo, na Zona Sul.
O subprefeito afirmou que deu voz de prisão após identificar a suposta cobrança irregular e que aguardou a chegada da Polícia Civil para formalizar a condução.
Até o momento informado, o g1 buscava a defesa do funcionário.
Print de chave PIX e posicionamento da Enel
As informações apontam que um print obtido com um comerciante mostra o envio de chave PIX para depósito como condição para religar energia em apagão.
Procurada, a Enel inicialmente não comentou o funcionário e depois declarou que ele atuava para uma empresa parceira.
A distribuidora afirmou que qualquer exigência de pagamento para reparos na rede elétrica, para restabelecimento de energia, está fora das regras de conduta.
Também orientou que clientes usem os canais oficiais da Enel para dúvidas e registros.
Denúncia em Diadema e registro no 3º DP
Além do episódio na Vila Mariana, a Secretaria da Segurança Pública relatou acionamento da Polícia Militar em Diadema após moradores afirmarem que prestadores de serviços estariam cobrando valores para restabelecer fornecimento.
O caso foi encaminhado ao Plantão do 3º Distrito Policial de Diadema para registro do boletim de ocorrência.
A SSP informou que uma equipe foi ao local, abordou os funcionários envolvidos e conduziu as partes à unidade policial.
Detalhes adicionais seriam fornecidos após a conclusão do BO, conforme a nota citada.
Apagão sem prazo e mais de 1,5 milhão sem luz
Na quinta-feira (11/12/2025), a Enel Distribuição São Paulo afirmou que não havia prazo para restabelecer a energia em milhares de imóveis na capital e na Grande São Paulo.
Em nota enviada às 15h, a empresa alegou que, em alguns pontos, o restabelecimento exigia reconstrução completa da rede, com substituição de postes e transformadores e, em alguns casos, recondução de quilômetros de cabos.
A empresa também disse que pátios lotados de veículos vistos em três pontos da cidade reuniam carros de equipes de diferentes turnos, segundo explicação do diretor regional Marcelo Puertas ao Bom Dia São Paulo.
Segundo os dados citados, mais de 1,5 milhão de imóveis em 24 cidades atendidas pela Enel permaneciam sem luz na manhã da quinta (11/12/2025), cerca de 1 milhão apenas na capital.
Às 14h59, eram 1.258.755 clientes sem energia na capital e região metropolitana, sendo 865.870 na capital.
A Enel atribuiu o apagão a um ciclone extratropical e a um vendaval considerado histórico, segundo o Inmet, com duração aproximada de 12 horas na quarta-feira (10/12/2025) e rajadas de até 98 km/h.
A falta de energia afetou semáforos, abastecimento de água e mobilidade urbana.
Prejuízo no comércio e apelo por restabelecimento
Na Vila Mariana, a sócia do restaurante de culinária africana Manden Baobá, Laila Santos, de 30 anos, relatou prejuízos e disse ter feito oito chamados à Enel desde a quarta (10/12/2025) sem ver equipes no bairro.
Ela afirmou ter perdido mercadorias, clientes e uma reserva para confraternização, enquanto aguardava religar energia em apagão no entorno do estabelecimento.
O relato descreve comércios fechados na região, incluindo restaurantes, lavanderias, salões de beleza e farmácias.
Parte dos que operavam usava geradores, em meio à falta de previsão oficial para normalização.
O que está confirmado nas informações: a admissão de cobrança de R$ 2,5 mil para religar energia em apagão, a prisão em flagrante por corrupção passiva informada pela SSP, e a existência de denúncia similar em Diadema com encaminhamento ao 3º DP.
O que não foi informado: versão da defesa do funcionário e prazo de restabelecimento da energia.
Em situações de apagão, pagar para religar energia em apagão é descrito pela Enel como prática fora das regras e deve ser tratado como denúncia formal.
Preserve prints, áudios e comprovantes, registre boletim de ocorrência e use os canais oficiais da Enel e da SSP para acompanhar orientações e atualizações em Vila Mariana e Diadema.

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