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Fábricas de calçados fecham e 528 funcionários vão para a rua após reviravolta que pegou trabalhadores de surpresa; medida afeta centenas de famílias e marca o fim de operações mantidas por décadas.

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 24/06/2026 às 11:06 Atualizado em 24/06/2026 às 11:11
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Fechamento de quatro unidades em Pentecoste interrompe uma operação mantida por mais de 20 anos, atinge centenas de trabalhadores do setor calçadista e mantém apenas uma fábrica ativa, enquanto sindicato acompanha rescisões e medidas trabalhistas após o comunicado feito presencialmente aos funcionários.

O empresário Alexandre Becker comunicou na manhã de segunda-feira (22) o fechamento de quatro fábricas de calçados em Pentecoste, no interior do Ceará, e confirmou o desligamento de 528 trabalhadores.

O anúncio foi feito presencialmente em cada unidade, em uma decisão atribuída a dificuldades econômicas que inviabilizaram a continuidade das operações.

A medida atingiu as unidades Valenti Calçados, Serrota Calçados, Pentecoste Calçados e WS Calçados, todas ligadas ao grupo empresarial de Becker no município.

Segundo os dados informados ao Diário do Nordeste, a Valenti concentrou o maior número de demissões, com 205 funcionários desligados, seguida pela Serrota, com 127, pela Pentecoste Calçados, com 103, e pela WS, com 93.

Fechamento das fábricas de calçados em Pentecoste

O fechamento representa uma mudança brusca para centenas de famílias que dependiam diretamente da produção calçadista em Pentecoste.

A cidade, localizada no Vale do Curu, mantinha relação com o setor havia anos, inclusive com projetos de expansão industrial anunciados anteriormente para ampliar a atividade econômica e gerar novos postos de trabalho.

Em declaração ao Diário do Nordeste, Becker afirmou que a decisão encerra uma trajetória de mais de duas décadas no município.

O empresário disse que as fábricas enfrentaram diferentes crises ao longo dos anos, incluindo a pandemia, e destacou que parte das operações atuava como terceirizada da Paquetá, empresa que também encerrou atividades.

“É um momento muito triste. A gente está em Pentecoste há mais de 20 anos, passamos por várias crises, pela pandemia”, afirmou Becker.

Ele acrescentou que as condições econômicas impediram a manutenção das fábricas e disse que o encerramento provoca pesar para os trabalhadores e familiares afetados.

VS Sport segue ativa no município

Apesar do encerramento das quatro unidades, Becker informou que a VS Sport continuará em funcionamento em Pentecoste.

A fábrica tem 306 funcionários ativos e, segundo o empresário, opera com produção completa do calçado, do início ao fim, o que diferencia a unidade das operações que dependiam de contratos terceirizados.

A permanência da VS Sport foi apresentada pelo empresário como a continuidade possível dentro do município.

Em entrevista ao Diário do Nordeste, ele disse que a unidade segue com expectativa de crescimento e que pretende manter a empresa em Pentecoste, com a intenção de preservar e ampliar empregos na cidade.

Sindicato acompanha rescisões dos trabalhadores

O anúncio das demissões ocorreu com acompanhamento do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Pentecoste, o Sindpast.

O advogado Jarbas Alves participou da comunicação aos empregados, em uma tentativa de acompanhar o processo de encerramento e reduzir dúvidas sobre direitos trabalhistas e procedimentos rescisórios.

De acordo com Becker, o sindicato foi chamado desde o momento em que surgiu a possibilidade de fechamento por razões econômicas.

O empresário afirmou que a entidade passou a atuar à frente das negociações para acompanhar as decisões tomadas durante o processo e garantir conferência sobre os desligamentos.

O Sindpast ficará responsável por verificar as medidas adotadas no encerramento, acompanhar processos na Vara do Trabalho e conferir as rescisões dos funcionários desligados.

Os trabalhadores também deverão receber o Seguro-Desemprego, benefício temporário previsto para assistência financeira durante o período de busca por recolocação.

Indústria calçadista já teve expansão anunciada

A crise ocorre menos de três anos depois de o Governo do Ceará divulgar, em setembro de 2023, um convênio entre a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará e a Prefeitura de Pentecoste para viabilizar dois galpões industriais no município.

Na ocasião, a iniciativa foi apresentada como parte de uma expansão da indústria calçadista local.

À época, a informação oficial indicava que a expansão poderia criar centenas de oportunidades de trabalho e renda, com impacto sobre a economia de Pentecoste.

O governo estadual registrou que Becker também estava à frente da Pentecoste Calçados e da Serrota Calçados, duas das unidades que agora aparecem entre as fábricas fechadas.

Demissões mudam rotina econômica local

O histórico recente ajuda a dimensionar a mudança enfrentada pelo município.

Em 2023, o discurso público girava em torno de ampliação da produção, novos galpões e geração de empregos; em junho de 2026, o comunicado aos trabalhadores passou a tratar do encerramento de unidades e da dispensa de mais de quinhentas pessoas.

A decisão também altera o peso da indústria calçadista na rotina econômica local.

Embora a VS Sport permaneça ativa com 306 empregados, o fechamento das quatro fábricas reduz de forma imediata o número de vagas ligadas diretamente às operações de Becker em Pentecoste e concentra a continuidade das atividades em uma única unidade.

Para os funcionários desligados, os próximos passos passam pela formalização das rescisões, pelo acompanhamento sindical e pelo acesso ao Seguro-Desemprego.

O processo ocorre após o comunicado presencial feito nas fábricas, que marcou o fim das operações mantidas por anos e atingiu trabalhadores distribuídos entre quatro unidades do setor calçadista.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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