Aos 17 anos, entre os estudos para medicina, Luana Amy pintou à mão uma estampa em aquarela e fundou a La’s Clothing, marca de roupa que cresceu sem investidor, já vendeu 135 mil peças e mira R$ 15 milhões em 2026, virando referência de jovem empreendedora na moda feminina.
Era para ser médica. Luana Amy passava os dias estudando para o vestibular de medicina quando, no meio dos livros, começou a desenhar e a pintar estampas só por gosto. Uma delas, feita à mão em aquarela, foi parar numa foto no Instagram, e a reação mudou o rumo da vida dela. Várias meninas perguntaram onde comprar aquela peça. Foi ali, quase por acaso, que nasceu a La’s Clothing, hoje uma marca de roupa que já vendeu 135 mil peças sem nunca ter recebido um centavo de investidor.
A trajetória dela foi contada pela Exame e impressiona pelo tamanho do salto. De uma estampa pintada no quarto, em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo, para uma empresa que projeta faturar R$ 15 milhões em 2026. No caminho, Luana largou o sonho da medicina, virou referência de jovem empreendedora e provou que, na moda feminina, talento somado a teimosia pode transformar um hobby de colégio num negócio milionário.
Uma estampa em aquarela que virou negócio

Aos 16 anos, Luana já mexia com a rede social fazendo presets, aqueles filtros de edição de foto, e aprendendo na prática como prender a atenção das pessoas na tela. A moda entrou na história depois, aos 17, quando ela pintou à mão a primeira estampa em aquarela. Não era um plano de negócio, era uma brincadeira que deu certo.
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O estopim foi a resposta do público. Quando postou a peça com a estampa autoral, choveram pedidos de meninas querendo comprar igual. Luana não tinha estoque, não tinha fornecedor, não tinha empresa. Tinha só a vontade de tentar. “Eu não tinha medo. Não tinha vergonha. Só fui fazendo”, contou a jovem empreendedora à Exame. Essa frase resume o espírito que tirou a La’s Clothing do papel.
A escolha do nome e a cara da marca vieram do jeito dela de ver moda: peças de estética minimalista, com estampas exclusivas e um quê de item de coleção. Desde o começo, a marca de roupa apostou em design autoral em vez de seguir cegamente as tendências de massa. Foi essa identidade que fez a La’s Clothing se destacar num mercado lotado de lojas parecidas.
De Mogi das Cruzes para 135 mil peças vendidas
O que começou pequeno cresceu rápido. Em pouco tempo, a La’s Clothing deixou de ser um teste de adolescente para virar uma operação de verdade, com produção, logística e uma legião de clientes fiéis. Os números contam essa virada: a marca de roupa já vendeu mais de 135 mil peças e acumula mais de 450 mil seguidores nas redes sociais.
O motor desse crescimento foi a constância de Luana nas redes. Ela transformou o Instagram numa vitrine viva, conversando direto com o público e mostrando os bastidores da produção. “Desde o dia que o Instagram foi criado, eu nunca passei um dia sem postar”, disse a fundadora. Essa disciplina diária de anos é o segredo pouco glamouroso por trás do sucesso da moda feminina dela.
Os resultados financeiros acompanharam o engajamento. Segundo a FashionNetwork, a La’s Clothing chegou à casa dos R$ 10 milhões de faturamento em poucos anos de operação. Em 2024, a empresa registrou cerca de R$ 5,7 milhões, um salto expressivo sobre o ano anterior, e a curva seguiu subindo desde então. A jovem empreendedora mostrou que dá para escalar uma marca de roupa partindo praticamente do zero.
O sonho de medicina que ela trocou pela moda

Luana estava no caminho tradicional, estudando duro para passar em medicina, quando as vendas da La’s Clothing começaram a crescer e ela precisou decidir. De um lado, o sonho antigo e o status de uma carreira consagrada. Do outro, uma marca de roupa que estava dando certo nas mãos dela.
Ela escolheu a moda, mas sem largar os estudos. Luana Amy abandonou o vestibular de medicina e acabou aprovada em Marketing na Universidade de São Paulo, a USP, justamente para profissionalizar a gestão do próprio negócio. Em vez de cursar a faculdade que a sociedade esperava, ela foi buscar o conhecimento que a empresa pedia. Foi uma troca de sonho por outro, feita com os pés no chão.
Esse tipo de decisão costuma assustar família e amigos, e não é receita para qualquer um. Mas no caso de Luana Amy o cálculo se mostrou certeiro. A jovem empreendedora percebeu cedo que tinha em mãos algo raro: um produto que as pessoas queriam comprar e uma habilidade natural de se comunicar com elas. Apostar nisso foi mais lógico do que parecia de fora.
Crescer sem investidor: a aposta no orgânico
Talvez o detalhe mais impressionante seja como a La’s Clothing cresceu. Em uma época em que toda startup corre atrás de investidor e rodada de captação, a marca de Luana Amy fez o caminho oposto: cresceu sem nenhum investimento externo, reinvestindo o próprio lucro. Cada real que entrou ajudou a financiar o passo seguinte.
A estratégia de marketing seguiu a mesma lógica de baixo custo e alto envolvimento. Em vez de gastar fortunas em anúncios, a marca de roupa investe em conteúdo orgânico que mostra os bastidores da produção, criando proximidade e senso de pertencimento na clientela. O cliente não compra só a peça, compra a história de quem a faz. Essa é a alma da estratégia da moda feminina da La’s.
Crescer no orgânico tem um preço: é mais lento e exige presença constante, exatamente a disciplina que Luana Amy mantém desde a adolescência. Mas tem uma vantagem enorme, que é não depender de ninguém para decidir os rumos. A jovem empreendedora é dona de 100% do que construiu, e isso, num mundo de fundadores diluídos por investidores, é quase uma raridade na moda feminina brasileira.
R$ 15 milhões em 2026: a meta da jovem empreendedora
A ambição não para de crescer junto com a empresa. A projeção é fechar 2025 na casa dos R$ 10 milhões e chegar a R$ 15 milhões de faturamento em 2026, segundo a própria Luana à Exame. Em quatro anos de operação, somando tudo, a La’s Clothing já movimentou perto de R$ 16 milhões com a venda das suas 135 mil peças.
Mais interessante que o número é a maturidade por trás dele. Luana Amy sabe que o que fez a marca explodir não basta para mantê-la de pé. “O talento que me fez viralizar no começo não é suficiente para sustentar a empresa hoje”, reconheceu a fundadora. É a fala de quem entendeu a diferença entre ter um momento de sorte e construir um negócio duradouro na moda feminina.
Por isso ela foi atrás de estrutura, processo e formação. A jovem empreendedora trocou a improvisação dos primeiros anos por gestão de verdade, sem perder a essência criativa que deu origem a tudo. Transformar uma marca de roupa nascida de uma estampa em aquarela numa operação de R$ 15 milhões exige justamente esse equilíbrio entre arte e administração.
Por que a história da La’s Clothing inspira tanta gente
Casos como o da La’s Clothing viram febre porque mexem com um sonho coletivo: o de transformar um talento pequeno em algo grande. A imagem de uma adolescente pintando estampas no quarto e, anos depois, comandando uma empresa milionária é poderosa porque parece, ao mesmo tempo, extraordinária e possível. Qualquer pessoa que já desenhou, costurou ou criou algo se enxerga ali.
Tem também o fascínio do começo modesto. A jovem empreendedora não veio de uma família de investidores nem tinha capital para queimar. Ela tinha um pincel, um celular e uma conta no Instagram. Provar que esse kit básico pode virar uma marca de roupa de oito dígitos é o tipo de história que reacende a esperança de muita gente que sonha em empreender na moda feminina.
E há o lado da identificação geracional. Luana Amy representa uma turma de jovens que cresceu nas redes e aprendeu a transformar audiência em negócio. Ela não esperou diploma, autorização ou investidor. Construiu a La’s Clothing com as ferramentas que tinha na mão, no tempo dela, e isso fala diretamente com quem está começando agora.
O que o caso ensina sobre empreender cedo
Vale uma dose de honestidade no meio da inspiração. Para cada La’s Clothing que dá certo, existem milhares de marcas que não decolam, e o sucesso de Luana Amy combinou talento, trabalho diário, timing e uma boa dose de sorte difícil de replicar. Empreender cedo não é garantia de nada, e a história dela é exceção, não regra.
Ainda assim, dá para extrair lições concretas. A constância nas redes por anos a fio, o reinvestimento do lucro em vez de gastar tudo, a proximidade real com o cliente e a coragem de abandonar um plano seguro quando outro se mostrou melhor são atitudes que qualquer jovem empreendedora pode estudar. Não garantem o resultado, mas melhoram as chances de uma marca de roupa sobreviver e crescer.
No fim, o que a La’s Clothing prova é que o tamanho do começo não define o tamanho da chegada. Uma estampa em aquarela pintada à mão por uma estudante de 17 anos virou uma operação que mira R$ 15 milhões na moda feminina. O sonho de medicina ficou para trás, mas Luana Amy parece ter encontrado exatamente onde queria estar.
E você, já largaria um sonho antigo e seguro, como uma carreira de médico, para apostar tudo num negócio próprio que começou de brincadeira? Conta pra gente nos comentários: qual talento seu você acha que poderia virar uma empresa como a da Luana?
