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Jovem de 19 anos adiou medicina para cuidar da mãe em Roraima, descobriu o café plantado pela avó na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, transformou 240 mudas em quase 9 mil plantas agroflorestais e levou o primeiro café arábica indígena do estado ao ouro nacional, provando que ancestralidade, reflorestamento e gestão podem virar negócio sustentável na Amazônia

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 13/07/2026 às 23:06 Atualizado em 13/07/2026 às 23:32
Jovem indígena transformou café plantado pela avó em Roraima em marca premiada, com cultivo agroflorestal e quase 9 mil plantas.
Jovem indígena transformou café plantado pela avó em Roraima em marca premiada, com cultivo agroflorestal e quase 9 mil plantas.
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Jovem indígena de Roraima uniu história familiar, cultivo orgânico e manejo agroflorestal para transformar um café plantado pela avó em negócio premiado, com raízes na Terra Indígena Raposa Serra do Sol e projeção no mercado de cafés especiais.

Uma jovem indígena de Roraima transformou o café plantado pela avó em uma marca de origem familiar, cultivada em sistema agroflorestal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, e levou o negócio ao reconhecimento nacional no empreendedorismo rural feminino.

Na trajetória de Ana Siqueira Calleri, criadora do Imeru Café, cuidado familiar, agricultura indígena, reflorestamento e gestão se cruzam em uma cadeia produtiva que começou com 240 mudas e alcança uma área em expansão com quase 9 mil plantas.

Segundo a Agência Sebrae de Notícias de Roraima, Ana é responsável pelo Imeru Café, produto 100% arábica, orgânico e cultivado na comunidade indígena Kauwe, localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

A marca venceu a etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Produtora Rural, reconhecimento voltado a iniciativas femininas que reúnem gestão, inovação e impacto social em diferentes regiões do país.

Café indígena de Roraima nasceu de uma decisão familiar

A mudança começou dentro de casa, quando Ana estava prestes a iniciar o curso de Medicina no Paraguai e adiou o plano acadêmico para cuidar da mãe, que havia sofrido um acidente.

Durante esse período, o café cultivado no sítio da família chamou a atenção de um amigo, que provou os grãos e apontou o potencial do produto em um mercado ainda pouco explorado em Roraima.

Mesmo sem experiência prévia na área, a jovem passou a estudar cultivo, pós-colheita e gestão empresarial para estruturar uma produção que, até então, permanecia ligada ao consumo familiar e à história da propriedade.

O que existia como lavoura doméstica ganhou método, marca e posicionamento, com foco em identidade indígena, rastreabilidade e manejo sustentável, elementos que passaram a diferenciar o produto no mercado de cafés especiais.

A iniciativa recebeu o nome Imeru, palavra que significa “cachoeira” e faz referência às raízes macuxi da família, além de homenagear a avó Olindina Calleri, responsável pelo início do cultivo.

240 mudas viraram quase 9 mil plantas agroflorestais

Jovem indígena transformou café plantado pela avó em Roraima em marca premiada, com cultivo agroflorestal e quase 9 mil plantas.
Jovem indígena transformou café plantado pela avó em Roraima em marca premiada, com cultivo agroflorestal e quase 9 mil plantas.

Foi Olindina quem iniciou a história produtiva do café na família, com as primeiras 240 mudas, plantadas antes de o projeto ganhar estrutura comercial, identidade própria e acompanhamento voltado à expansão da lavoura.

A partir dessa base, o projeto cresceu e, de acordo com a Agência Sebrae de Notícias de Roraima, passou a contar com 1.500 plantas produtivas e uma área em expansão que já chega a quase 9 mil plantas.

Mais do que aumento de lavoura, o avanço foi apresentado como parte de uma estratégia de renda, preservação ambiental e fortalecimento comunitário, conectando produção agrícola, território indígena e oportunidades econômicas locais.

Entre os elementos centrais da produção, o sistema agroflorestal ocupa papel importante por permitir que o cultivo agrícola conviva com outras espécies vegetais, associando produção de alimentos, conservação do solo e recomposição de áreas degradadas.

No caso do Imeru Café, a Agência Sebrae de Notícias de Roraima descreve a iniciativa como um negócio que une sustentabilidade, ancestralidade e inovação dentro da agricultura familiar indígena.

Terra Indígena Raposa Serra do Sol fortalece a origem do produto

A força da origem também aparece na localização da comunidade Kauwe, instalada dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, uma das áreas indígenas mais conhecidas do país, no estado de Roraima.

A partir desse território, a marca passou a trabalhar não apenas a venda do café, mas também a história do produto, a cultura local e a relação da família com a terra.

Apresentado pela fonte como o primeiro café arábica indígena de Roraima, e possivelmente do Brasil, o Imeru passou a ocupar uma posição singular em um mercado no qual origem e rastreabilidade têm peso crescente.

Essa formulação reforça a singularidade do projeto no estado e mantém o cuidado necessário com a dimensão nacional da afirmação, já que a própria fonte utiliza uma construção prudente ao tratar do alcance brasileiro.

Em um setor cada vez mais atento a modo de produção, identidade territorial e narrativa de origem, o café passou a se diferenciar por uma combinação de técnica, pertencimento cultural e história familiar.

Imeru Café chegou a cafeterias, lojas especializadas e curadorias

A comercialização ocorre por venda direta nas redes sociais, cafeterias, lojas de artigos indígenas e curadorias fora de Roraima, ampliando o alcance do produto para consumidores interessados em cafés especiais e origem rastreável.

Também fazem parte da estratégia experiências de visitação à comunidade, nas quais consumidores acompanham etapas do processo, do plantio à torra, e entram em contato direto com o território de produção.

Essa aproximação reforça a rastreabilidade do produto e cria uma conexão mais direta entre quem produz e quem consome, aspecto valorizado em mercados que buscam procedência, história e diferenciação.

Nos últimos dois anos, segundo a Agência Sebrae de Notícias de Roraima, o negócio teve crescimento de receita de quase 100%, resultado atribuído ao aumento da produção e à abertura de novos mercados.

Para uma iniciativa rural que saiu do ambiente familiar e passou a disputar espaço em nichos de cafés especiais, a expansão comercial mostra como gestão e posicionamento ajudaram a consolidar a marca.

Café arábica orgânico de Roraima mira novos mercados

Na etapa seguinte, a preparação para exportação aparece como parte dos planos do Imeru Café, que pretende levar o produto a consumidores da América do Sul e da Europa.

A fonte informa que esse movimento ocorre em parceria com o Programa de Qualificação para Exportação, sem afastar a marca dos pilares que sustentam a produção: origem indígena, sistema agroflorestal, agricultura familiar e impacto local.

O reconhecimento no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios fortaleceu a visibilidade da empreendedora e do estado de Roraima em uma premiação nacional voltada a projetos de gestão, inovação e transformação de realidades.

Na categoria Produtora Rural, a vitória de Ana colocou o café indígena roraimense no centro de uma disputa que reuniu empreendedoras de diferentes regiões e atividades econômicas do país.

A Agência Sebrae de Notícias de Roraima também aponta que o projeto participa de ações sociais ligadas ao fortalecimento da agricultura indígena, ampliando o alcance da marca para além da venda do produto.

Esse trabalho conecta o cultivo do café à geração de renda local e ao estímulo de outras famílias produtoras, mantendo a iniciativa vinculada ao território onde a lavoura começou.

A história do Imeru Café se diferencia porque reúne um conjunto verificável de elementos: uma jovem empreendedora, um produto orgânico, cultivo agroflorestal, expansão de plantas, reconhecimento nacional, comércio especializado e planos de internacionalização.

Cada parte ajuda a explicar por que uma lavoura iniciada pela avó ganhou escala e passou a representar uma nova possibilidade econômica dentro da Amazônia indígena.

O que essa trajetória revela sobre o espaço que a agricultura indígena pode ocupar no mercado de cafés especiais do Brasil?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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