Em Salvador, um esquema de Pix falso no Balanço Geral Bahia colocou Marcelo Castro no centro de acusações de desvio de doações, usou famílias vulneráveis para arrecadar dinheiro em rede aberta e escancara falhas da Justiça ao atrasar o julgamento de um dos maiores golpes televisivos recentes no Brasil hoje
Um esquema de Pix falso no Balanço Geral Bahia, liderado pelo repórter Marcelo Castro, usou famílias vulneráveis como apelo emocional e fez desvio de doações via Pix em rede nacional, enquanto parte do dinheiro nunca chegou às vítimas.
Quase dois anos depois, as famílias ainda aguardam na Justiça a reparação pelo dinheiro que nunca chegou e pela humilhação pública que sofreram, enquanto o caso volta a ser adiado por motivos burocráticos. O julgamento que poderia responsabilizar os envolvidos por desviar recursos via Pix falso, em nome de quem mais precisava, foi postergado novamente, desta vez por falta de espaço físico para acomodar todas as partes em sala de audiência.
O esquema do Pix falso em rede aberta

O caso veio à tona a partir de um quadro do programa Balanço Geral Bahia, comandado pelo repórter Marcelo Castro.
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Em diferentes edições, a atração apresentava histórias de famílias em situação de extrema vulnerabilidade, pedindo doações para custear tratamentos médicos, equipamentos adaptados, advogados e despesas básicas.
Na tela, no entanto, a chave de Pix exibida não era das vítimas, mas de integrantes do próprio grupo investigado.
De acordo com investigação interna da Record Bahia e da polícia, o esquema de Pix falso funcionou durante 1 ano e 5 meses, sempre com a mesma lógica: histórias dramáticas, forte apelo emocional, grande exposição dos personagens e uma chave de doação que direcionava o dinheiro para contas controladas por jornalistas e laranjas.
Enquanto o público acreditava estar ajudando diretamente famílias vulneráveis, até 75% do montante arrecadado teria sido desviado.
Levantamentos apontam que as campanhas movimentaram mais de R$ 543 mil em doações, com mais de R$ 407 mil supostamente embolsados pelo grupo, o que supera com folga a marca dos R$ 400 mil desviados. Doze famílias foram identificadas como vítimas diretas do esquema de Pix falso.
Miguel, leucodistrofia e a promessa quebrada
Uma das histórias que sintetiza o impacto humano do golpe é a de Jucileide e do filho Miguel, de 17 anos, vítima de uma doença neurodegenerativa rara, a leucodistrofia.
Em estágio avançado, a condição tirou a capacidade de Miguel de andar, e a família precisava de uma cadeira de rodas adaptada para garantir algum conforto e mobilidade.
Sem recursos, Jucileide aceitou expor a rotina do filho em rede aberta.
Marcelo Castro foi até a casa da família, fez a reportagem e anunciou que o caso seria incluído no quadro de doações.
Mas, pouco antes de entrar ao vivo, avisou que o Pix exibido na tela não seria o da mãe, alegando “questões burocráticas” e o risco de o banco bloquear as transferências.
Ela confiou. Meses depois, descobriu que R$ 45 mil haviam sido arrecadados em nome de Miguel, mas apenas R$ 10 mil chegaram até a família.
“Eu fui vítima de distorção, eu fui vítima de roubo, eu me senti violada, usada, não só eu, mas principalmente meu filho”, resumiu Jucileide.
Miguel morreu há seis meses, e a foto do jovem, hoje, representa para a mãe uma mistura de saudade, dor e lembrança da exposição a que foi submetido em rede aberta enquanto outros lucravam com o Pix falso.
Augusto, a encenação forçada e a dor em frente às câmeras
Outro caso emblemático é o de Lucileide e do filho Augusto, de 21 anos, que convive com hidrocefalia, má formação da coluna vertebral e não consegue andar.
A família pediu ajuda no programa para adquirir um triciclo motorizado que desse ao jovem um mínimo de independência.
O que mais chocou a mãe, porém, foi a abordagem da equipe.
Ela relata que o repórter insistiu para que o filho se arrastasse no chão diante das câmeras e para que ela mesma chorasse de forma forçada, tudo para ampliar o impacto emocional da reportagem e aumentar o volume de doações.
“Bora deixar ele se arrastar que aí vai ter mais audiência”, teria ouvido.
O público respondeu, como esperado, com grande solidariedade. Dos R$ 30 mil arrecadados a partir do caso, apenas R$ 6 mil foram repassados à família, que vive em uma casa simples e segue enfrentando as mesmas limitações diárias.
O que deveria ser um gesto de empatia acabou se transformando em dupla violência: emocional, pela exposição encenada, e financeira, pelo desvio dos recursos.
Outras vítimas: advogado, assalto e drama com criança autista
A lista de atingidos pelo esquema de Pix falso não para em Miguel e Augusto.
Maria de Fátima procurou o quadro para tentar resolver uma questão previdenciária ligada ao marido falecido, precisando de dinheiro para contratar um advogado.
Mais de R$ 27 mil foram doados em seu nome, mas só R$ 3 mil chegaram à conta da viúva. Ela relata ter desenvolvido problemas de saúde depois do golpe, com dores intensas e abalo emocional visível.
Já Larissa foi assaltada ao lado da filha, que tem transtorno do espectro autista, e também virou personagem do programa.
O repórter prometeu montar uma ação de doações para ajudá-la a se reerguer. No momento da transmissão ao vivo, porém, Larissa foi impedida de anunciar a própria chave de Pix.
Marcelo informou que seria usada “uma pessoa de confiança de lá de dentro” para receber os valores.
As doações passaram de R$ 17 mil naquele dia. Mas, quando Larissa conferiu o comprovante, viu que apenas R$ 3 mil haviam sido repassados, apesar da grande repercussão nas redes e de mensagens de pessoas de vários estados dizendo que haviam contribuído.
“Gente de São Paulo, tanta gente falando comigo… Eu parei e pensei: como só R$ 3 mil?”, contou. A resposta veio com as investigações: o restante teria ficado retido no circuito interno de Pix falso.
Como funcionava a engrenagem do Pix falso
Segundo a polícia, o esquema era estruturado em três núcleos principais:
- Marcelo Castro, responsável por fazer as reportagens e se aproximar das famílias vulneráveis
- Jamerson Biriba, editor-chefe do programa, que autorizava a inserção da chave de terceiros na tela
- Lucas Costa Santos, operador que ajudava a cooptar as famílias e os laranjas que emprestavam contas
Durante a exibição do quadro, uma chave de Pix era colocada na tela, mas o código pertencia a integrantes do grupo, nunca às vítimas.
O dinheiro enviado pelos telespectadores entrava em uma dessas contas e, em seguida, era pulverizado por meio de pagamentos de boletos, cartões de crédito e depósitos para os diversos envolvidos.
Nove laranjas foram identificados, muitos deles moradores de comunidades de Salvador.
Um deles, Jackson da Silva de Jesus, foi localizado pela reportagem em uma barbearia.
Visivelmente nervoso, afirmou que não sabia para que o Pix seria usado e que apenas emprestou a chave a um cliente. Depois, disse que não poderia dar mais detalhes por orientação do advogado.
O uso de laranjas ajudava a diluir o rastro financeiro do Pix falso, dificultando a identificação imediata do caminho do dinheiro.
Demissões, denúncia do Ministério Público e crimes imputados
Após a investigação interna, a Record Bahia demitiu por justa causa Marcelo Castro e Jamerson Biriba e ingressou com ações judiciais contra ambos.
Paralelamente, o Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra os dois, contra Lucas e contra os nove laranjas apontados no esquema.
A Justiça aceitou a denúncia, e os acusados responderão por crimes como apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
O processo entrou na fase de instrução, etapa em que são ouvidas testemunhas de acusação, defesa e os próprios réus.
Marcelo chegou a tentar, na Justiça, impedir a exibição da reportagem que detalhou o caso, mas não conseguiu impedir a divulgação das informações.
Em meio à repercussão inicial, o repórter chegou a ser visto em viagens de férias aos Estados Unidos e a Dubai, um dos destinos mais caros do mundo, cena que aumentou a revolta de quem doou acreditando estar ajudando famílias em desespero e viu o Pix falso financiar um padrão de vida incompatível com a narrativa de solidariedade exibida na TV.
Justiça lenta, audiências adiadas e frustração das famílias
Apesar de o caso envolver crianças e jovens em situação de extrema vulnerabilidade, o andamento do processo não tem sido rápido.
As audiências de instrução foram remarcadas pelo menos duas vezes. Inicialmente previstas para março, foram adiadas para esta semana e, agora, voltaram a ser empurradas para frente por um motivo inusitado: falta de espaço em sala do Tribunal de Justiça de Salvador.
O juiz responsável explicou que a vara de organizações criminosas não tem sala com capacidade para aproximadamente 40 pessoas ao mesmo tempo, entre réus, advogados, testemunhas e representantes das famílias.
As audiências ficaram remarcadas para maio do ano que vem, e o magistrado estimou que a sentença poderia sair cerca de 60 dias após o fim da instrução, prazo que ainda é apenas uma projeção.
Especialistas lembram que, em tese, processos envolvendo interesses de crianças deveriam ter prioridade na tramitação.
Na prática, o novo adiamento amplia a sensação de impunidade e prolonga a angústia de quem já esperava há quase dois anos para ver o Pix falso julgado em definitivo.
Dor, humilhação e a cobrança por justiça
Para as famílias, o problema vai muito além do dinheiro. Jucileide destaca que o que está em jogo é a memória do filho Miguel, que poderia ter tido um fim de vida menos sofrido se todo o valor doado em seu nome tivesse chegado à casa da família.
“Essas pessoas usaram ele para se beneficiar, essas pessoas têm que pagar pelo que fizeram, porque isso não se faz com ninguém, muito menos com uma criança”, resume.
Maria de Fátima fala em ferida aberta e em problemas de saúde agravados após descobrir que as doações não chegaram como prometido.
Larissa lembra a vergonha de perceber que, enquanto acreditava estar sendo ajudada, seu caso abastecia um esquema de Pix falso dentro de uma emissora em que confiava. Lucileide carrega a imagem do filho se arrastando no chão para a câmera, cena encenada para sensibilizar o público e maximizar uma arrecadação que, em sua maior parte, foi desviada.
Na avaliação das vítimas, o que ocorreu não foi apenas a exposição de histórias tristes, mas uma “exposição vergonhosa”, em que dramas reais foram distorcidos e mercantilizados.
A confiança na imprensa, na caridade e nas instituições foi profundamente abalada, e a principal expectativa, agora, é que a Justiça consiga separar quem doou de boa-fé de quem se valeu do Pix falso para enriquecer.
E você, ao conhecer os detalhes desse esquema de Pix falso em nome de famílias vulneráveis, acha que o maior impacto está no dinheiro desviado, na humilhação pública das vítimas ou na perda de confiança na TV e nas campanhas de doação?


Como não tem sala!!!!!! Criminosos estão sendo julgados por audiência remota!!! Roubou, comprovou, responde pelo. Crime. O Presidente de El Salvador está certo
Olha só qual a emissora, Record. Aprenderam com o chefe deles. O famoso bispo E M só a iniciais já são o suficiente.
Um ano e meio para descobrirem? Huuummmmm!