Estudo aponta que oficinas de carro elétrico no Brasil podem faturar até R$ 5 bilhões por ano até 2030, impulsionadas pelo crescimento acelerado da frota de veículos eletrificados.
As oficinas voltadas para manutenção de carro elétrico estão no radar de especialistas como um dos setores mais promissores da próxima década. Segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (22/09), o segmento poderá movimentar até R$ 5 bilhões anuais até 2030.
Esse crescimento expressivo reflete o avanço da eletrificação automotiva no Brasil. Embora a frota ainda seja pequena, a tendência é de expansão acelerada, abrindo espaço para empresas independentes que desejam atuar fora das concessionárias.
Independentes terão grande participação na manutenção
De acordo com o levantamento, metade desse mercado bilionário ficará com oficinas independentes. Dentro desse grupo, cerca de R$ 500 milhões deverão ser absorvidos por empresas de médio porte. O cálculo considera que a partir do fim do período de garantia — entre três e cinco anos — os veículos elétricos começarão a buscar reparos fora da rede autorizada.
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As estimativas foram baseadas em uma frota projetada de 2 milhões de veículos eletrificados até 2030, com gasto médio anual de R$ 2.500 por carro em manutenção. Esse valor inclui reparos especializados, substituição de peças eletrônicas e atualização de softwares embarcados.
Apesar de ainda representar uma pequena fatia da frota nacional, o mercado de carros elétricos cresce em ritmo acelerado. Em agosto de 2025, o Brasil registrou 25.297 emplacamentos de veículos eletrificados, sendo 7.603 totalmente elétricos. O crescimento foi de 48,8% em comparação ao mesmo mês de 2024.
No acumulado do ano, entre janeiro e agosto, foram 164.457 unidades vendidas — um salto de 50,5% frente ao período anterior. Com isso, os eletrificados já somam cerca de 500 mil unidades em circulação, o equivalente a 1,1% da frota nacional.
Desafios para as oficinas de carro elétrico
O Porto Digital alerta que a maior barreira pode estar na falta de profissionais capacitados. “Sem capital humano qualificado, o Brasil corre o risco de assistir à revolução elétrica de fora. Precisamos agir agora, com políticas de requalificação, fomento à formação técnica e apoio à inovação. Isso inclui infraestrutura, certificações, ferramentas de diagnóstico e, sobretudo, capital humano qualificado”, destacou Luíz Maia, professor da UFRPE e pesquisador do Porto Digital.
Enquanto carros a combustão dependem de trocas de óleo e peças mecânicas, os veículos elétricos exigem um perfil técnico diferente. Sistemas como o BMS (Battery Management System), as ECUs (Electronic Control Units) e os sensores de condução autônoma demandam especialistas capazes de atualizar firmwares, diagnosticar falhas digitais e substituir módulos de forma segura.
