No congresso Automotive News Europe, em 10 de junho de 2026, o CEO François Provost disse que a ameaça chinesa é a velocidade, não o tamanho. A Renault fez o Twingo elétrico em 21 meses com um centro em Xangai, mas a aposta vem com até 2.400 cortes e dúvidas sobre qualidade.
Assustada com a velocidade das fabricantes chinesas, a Renault decidiu copiar esse ritmo e fez o novo Twingo elétrico em apenas 21 meses, com a meta de repetir a façanha em 36 modelos nos próximos cinco anos. Segundo a Xataka Brasil, o problema, na visão da montadora, não é mais o tamanho das rivais da China, e sim a rapidez com que elas lançam carros. Para o grupo francês, acompanhar esse passo virou questão de sobrevivência.
De acordo com a reportagem, quem resume esse desafio é François Provost, CEO da Renault desde julho de 2025. Em 10 de junho de 2026, durante o congresso Automotive News Europe, ele defendeu que a empresa precisa aprender com as fabricantes chinesas e acompanhar seu ritmo de desenvolvimento. O Twingo elétrico, feito cerca de duas vezes mais rápido do que projetos anteriores como o Renault 4 e o Renault 5, virou o modelo a ser seguido, mas a estratégia tem custos.
A ameaça chinesa que fez a Renault mudar de ritmo

A leitura da Renault sobre a concorrência mudou de foco. Segundo a Xataka Brasil, no congresso Automotive News Europe, em 10 de junho de 2026, o CEO François Provost resumiu o desafio: a verdadeira ameaça não é mais o tamanho das fabricantes chinesas, mas a capacidade delas de desenvolver veículos muito mais rápido do que as rivais europeias. É uma inversão em relação ao discurso de anos atrás, quando o medo era a escala da China.
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Por isso, o plano é acelerar toda a linha. De acordo com a reportagem, Provost, que assumiu o comando do grupo em julho de 2025, acredita que a Renault precisa aprender com as fabricantes chinesas e acompanhar seu ritmo de desenvolvimento e de tecnologia. Nos próximos cinco anos, a montadora planeja lançar 36 novos modelos, todos com um ciclo de desenvolvimento de cerca de 24 meses, enquanto o padrão europeu ainda costuma variar de três a cinco anos.
O método Twingo: menos burocracia e um centro em Xangai
O Twingo elétrico é a prova de conceito dessa virada. Segundo a Xataka Brasil, o carro urbano foi desenvolvido em apenas 21 meses, cerca de duas vezes mais rápido do que programas elétricos anteriores da Renault, como o Renault 4 e o Renault 5. Para entender o salto, é preciso olhar para Xangai, onde, desde 2024, a montadora mantém o Ampere China Development Center, um centro com cerca de cem engenheiros que teve papel decisivo na concepção do novo Twingo, com apoio de fornecedores locais de tecnologia elétrica.
A bateria concentra boa parte das novidades. De acordo com a reportagem, ela usa a química LFP, de fosfato de ferro e lítio, mais barata do que as baterias NMC tradicionais, desenvolvida em parceria com a chinesa CATL, e adota uma arquitetura em que as células ficam integradas diretamente ao compartimento, sem módulos intermediários, com propulsão de uma especialista chinesa, a Shanghai e-Drive. Ainda assim, a Renault faz questão de dizer que não terceirizou o projeto, já que as decisões estratégicas e a maior parte da engenharia seguiram coordenadas no Technocentre de Guyancourt, perto de Paris, e o reaproveitamento da plataforma AmpR Small, com menos protótipos físicos, uso intenso de ferramentas digitais e uma linha simplificada, de uma só bateria e um só motor, completou a fórmula.
O preço social da velocidade: até 2.400 cortes na engenharia
Essa transformação, porém, não acontece sem atrito. Segundo a Xataka Brasil, a Renault confirmou que pretende reduzir seu quadro global de engenharia entre 15% e 20% nos próximos dois anos. Na prática, são de 1.650 a 2.400 postos que devem ser eliminados de um total de cerca de 11.500 engenheiros, espalhados por França, Brasil, Índia, Marrocos, Romênia, Coreia do Sul, Espanha e Turquia. O Brasil, portanto, está entre os países afetados.
A empresa tenta suavizar o impacto e mira na burocracia. De acordo com a reportagem, a montadora afirma que não há demissões compulsórias previstas e que as atividades estratégicas de concepção e desenvolvimento continuarão na França, com o objetivo de reduzir níveis administrativos e simplificar processos. A mesma lógica aparece nas alianças, pois, após o recuo da histórica parceria com a Nissan, a Renault desenvolverá dois pequenos carros elétricos para a Ford, colabora com a Geely em projetos industriais na América do Sul e na Coreia do Sul, e mantém motores híbridos e a combustão pela joint venture Horse Powertrain, área em que acredita ainda competir com as chinesas.
Rápido e bem: dá para conciliar velocidade e qualidade?
No fundo, a aposta da Renault esbarra em uma pergunta difícil. Segundo a Xataka Brasil, dá para desenvolver mais rápido mantendo o mesmo nível de qualidade? O automóvel moderno ficou extremamente complexo, pois um carro recente já tem mais de 100 milhões de linhas de código, muito mais do que um avião comercial. Os sistemas de assistência exigidos pela regulamentação europeia GSR 2, as arquiteturas elétricas e os softwares embarcados tornam as fases de validação mais críticas do que nunca.
A experiência chinesa mostra os dois lados. De acordo com a reportagem, algumas marcas da China provaram que é possível lançar modelos rapidamente, mas também expuseram os limites dessa pressa, com veículos que precisaram de várias atualizações importantes depois do lançamento para corrigir falhas. O que segue em aberto é se a Renault, e as marcas que adotam essa lógica, conseguirá repetir o processo a cada lançamento sem transformar os carros em versões beta nem os clientes em cobaias.
Pressionada pela velocidade das fabricantes chinesas, e não mais pelo tamanho delas, a Renault resolveu mudar a forma de fazer carros, entregou o Twingo elétrico em 21 meses e quer repetir o feito em 36 modelos nos próximos cinco anos.
A estratégia, conduzida pelo CEO François Provost, tem dois lados claros, pois, de um, há ganho de velocidade e tecnologia mais barata e, de outro, a eliminação de até 2.400 postos de engenharia, em países que incluem o Brasil, além da dúvida sobre manter a qualidade. No fim, a aposta da montadora vai depender de provar que dá para ser rápido sem tratar o cliente como cobaia.
E você, acredita que a Renault vai conseguir fazer carros bons no ritmo das fabricantes chinesas, ou a pressa vai cobrar seu preço em qualidade e empregos? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores, com respeito às diferentes visões sobre o futuro da indústria automotiva.

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