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SP
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Inconformada com famílias vivendo sobre lama, maré e esgoto na maior favela de palafitas do Brasil, Santos entregou 60 moradias erguidas sobre estacas de até 35 metros no mangue: obra de R$ 29,2 milhões trocou barracos por apartamentos de 41,69 m², casas térreas, saneamento, comércio e píer flutuante

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Escrito por Ana Alice Publicado em 25/06/2026 às 15:33 Atualizado em 25/06/2026 às 15:36
Parque Palafitas em Santos entrega 60 moradias no Dique da Vila Gilda, com obra de R$ 29,2 milhões sobre área de mangue. (Imagem: Ilustrativa)
Parque Palafitas em Santos entrega 60 moradias no Dique da Vila Gilda, com obra de R$ 29,2 milhões sobre área de mangue. (Imagem: Ilustrativa)
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Projeto-piloto em Santos entrega moradias sobre o mangue, combina habitação, saneamento e comércio local, e abre caminho para uma nova etapa prevista no Dique da Vila Gilda, com investimento público e ampliação planejada.

A Prefeitura de Santos entregou, em 30 de abril de 2026, as primeiras 60 moradias do projeto-piloto Parque Palafitas, no Dique da Vila Gilda, na Zona Noroeste da cidade.

A intervenção substitui parte das construções precárias sobre o mangue por apartamentos, casas térreas e estruturas urbanas com saneamento, iluminação pública, áreas de apoio e píer flutuante.

As unidades foram implantadas na mesma região onde as famílias já viviam, sem transferência para bairros distantes.

Segundo a Prefeitura, a proposta buscou manter os vínculos comunitários e ampliar a infraestrutura em uma área marcada por ocupações sobre palafitas, avanço da maré, descarte irregular de lixo e lançamento de esgoto sem tratamento adequado.

O empreendimento foi construído em uma área de cerca de 4 mil metros quadrados na Vila Gilda.

De acordo com a administração municipal, o investimento total do projeto é de R$ 29,2 milhões, valor relacionado às etapas de fundação, superestrutura e implantação das unidades habitacionais.

A entrega marcou o recebimento simbólico das chaves pelos moradores.

As mudanças foram previstas para começar na primeira quinzena de maio de 2026, após a conclusão das etapas finais de organização das famílias e dos imóveis.

Parque Palafitas reúne apartamentos, casas térreas e áreas de apoio

O Parque Palafitas reúne 44 apartamentos distribuídos em quatro edifícios residenciais e 16 casas térreas.

Quatro dessas casas foram destinadas a pessoas com deficiência, conforme informações divulgadas pela Prefeitura de Santos.

A estrutura do conjunto também inclui blocos comerciais, espaço para associação de moradores, áreas técnicas para instalações elétricas e hidráulicas, calçadas acessíveis, iluminação pública e sistema de captação de energia solar voltado às áreas comuns.

Cada apartamento tem 41,69 m² de área privativa, com sala, dois quartos, cozinha conjugada com lavanderia, banheiro e circulação.

Nas casas térreas, a configuração inclui sala de estar e jantar integradas, cozinha, área de serviço, dois quartos, banheiro e varanda nos fundos.

Moradia sobre palafitas em Santos (Imagem: Reprodução/Prefeitura de Santos)
Moradia sobre palafitas em Santos (Imagem: Reprodução/Prefeitura de Santos)

Parte das unidades recebeu adaptação para moradores com deficiência.

A divisão dos espaços, segundo a Prefeitura, foi planejada para atender famílias que já viviam no Dique da Vila Gilda e que foram selecionadas para a etapa piloto do projeto.

Além das moradias, o complexo prevê espaços voltados ao comércio e à convivência comunitária.

Os blocos comerciais devem abrigar pequenos negócios e serviços locais, enquanto a associação de moradores passa a contar com área própria dentro do conjunto.

Moradias em área de mangue foram erguidas sobre estacas profundas

A técnica construtiva é um dos pontos centrais do projeto.

Como o terreno fica em área de mangue, com solo instável e influência da maré, as unidades foram erguidas sobre lajes apoiadas em estacas profundas.

Segundo a Prefeitura de Santos, foram concretadas 212 estacas, com profundidade entre 30 e 35 metros, para sustentar as estruturas das moradias.

O método guarda semelhança com soluções usadas em obras portuárias, mas foi aplicado em um projeto de habitação popular.

No Parque Palafitas, a estrutura combina lajes de apoio, guarda-corpos e elementos pré-fabricados.

A solução foi adotada para permitir a implantação das unidades em uma área sujeita à maré e a variações do solo, sem a necessidade de retirar todos os moradores do território.

O projeto também inclui abastecimento de água e captação de esgoto pela Sabesp.

A infraestrutura hidráulica prevê caixas separadas para diferentes tipos de efluentes e para água pluvial, de acordo com as informações divulgadas pela administração municipal.

As edificações contam ainda com medidas de segurança contra incêndio.

Nos prédios, há extintores; nas construções de três e quatro andares, a Prefeitura informou a instalação de central de alarme e hidrantes.

Imagem: Reprodução/Prefeitura de Santos
Imagem: Reprodução/Prefeitura de Santos

Obra em Santos envolve Prefeitura, Estado e União

A área utilizada no projeto foi cedida pela Superintendência do Patrimônio da União à Prefeitura de Santos.

O termo de cessão foi assinado em janeiro de 2024, etapa necessária para permitir a implantação da intervenção no Dique da Vila Gilda.

A execução envolveu recursos do Governo de São Paulo e contrapartida municipal.

A Secretaria de Comunicação do governo paulista informou que o Estado repassou R$ 27,4 milhões por meio da Secretaria de Governo e Relações Institucionais, enquanto a Prefeitura de Santos ficou responsável pelas obras.

O projeto arquitetônico foi elaborado pelo escritório do urbanista e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, morto em 2021.

A proposta foi apresentada pela Prefeitura como uma alternativa de urbanização para áreas ocupadas por palafitas, com permanência das famílias na mesma região.

A escolha por manter os moradores próximos ao território de origem foi tratada pelo poder público como uma forma de preservar relações de vizinhança e acesso a serviços.

Não há, no texto original nem nas fontes consultadas, indicação de declaração direta de moradores que permita atribuir avaliações pessoais sobre a mudança.

Projeto habitacional de Santos foi apresentado em eventos internacionais

Antes da entrega das primeiras unidades, o Parque Palafitas já havia sido apresentado em eventos nacionais e internacionais.

Em novembro de 2024, a Prefeitura de Santos levou o projeto ao Smart City Expo World Congress, em Barcelona, na Espanha.

Na ocasião, a arquiteta e urbanista Ariadne Daher, sócia do escritório Jaime Lerner, participou de painel sobre soluções urbanas para cidades mais inclusivas.

A apresentação tratou o Parque Palafitas como uma experiência de urbanização em área de mangue e de reassentamento no próprio território.

A iniciativa também havia sido mostrada em 2022 durante a 14ª Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da Unesco, realizada em Santos.

A participação ocorreu antes da entrega das unidades e integrou a divulgação da proposta de urbanização para a Vila Gilda.

@governosp

Mais dignidade para 60 famílias de Santos 🏡 Entrega das novas moradias do projeto-piloto Parque Palafitas, iniciativa inédita no Brasil que vai transformar a realidade da Vila Gilda com habitação, recuperação ambiental e mais qualidade de vida! Sem romper os laços com a comunidade. 💙 ▶️ Dá um play no vídeo e confira!

♬ som original – Governo de São Paulo – Governo de São Paulo

Ampliação do Parque Palafitas prevê mais 350 moradias

A etapa piloto não encerra a intervenção prevista para o Dique da Vila Gilda.

Em 26 de janeiro de 2026, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, a Prefeitura de Santos e a Cohab Santista assinaram convênio de R$ 77 milhões para construir mais 350 unidades habitacionais na região.

O acordo prevê 176 moradias em uma área e 174 em outra.

Segundo a CDHU, a execução deve ocorrer em prazo estimado entre 18 e 24 meses a partir do início das obras.

As novas unidades serão conduzidas pela Cohab-ST, com repasse estadual.

A indicação das famílias beneficiadas ficará sob responsabilidade da Prefeitura de Santos, conforme as regras de atendimento habitacional do município.

De acordo com a CDHU, a ampliação tem como objetivo reassentar famílias que vivem em palafitas e em áreas sujeitas a alagamentos.

A medida integra as ações habitacionais voltadas ao Dique da Vila Gilda, considerado pela Prefeitura a maior comunidade de palafitas do Brasil.

Com a entrega das 60 primeiras unidades e a previsão de expansão para outras 350 moradias, o Parque Palafitas passa a ser usado como referência pelo poder público para intervenções em áreas de mangue já ocupadas.

A aplicação desse modelo em novas etapas dependerá da execução dos convênios, da seleção das famílias e da continuidade das obras previstas para o território.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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