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Inglaterra vai despejar cascalho semeado no mar, usando 4 espécies nativas para tentar reviver florestas submarinas, capturar carbono e provar que áreas degradadas do fundo costeiro podem se regenerar

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 24/04/2026 às 15:05
Atualizado em 24/04/2026 às 15:34
Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.
Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.
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Técnica de cascalho verde avança no Reino Unido como aposta na restauração marinha e na captura natural de carbono em áreas costeiras degradadas, com monitoramento científico contínuo e potencial de expansão para outras regiões do país.

A Inglaterra concedeu uma licença marinha inédita para testar a restauração de leitos de kelp na costa nordeste do país com a técnica conhecida como green gravel, que usa pequenas pedras semeadas em laboratório para reintroduzir algas nativas no mar.

A autorização foi dada pela Marine Management Organisation a uma iniciativa liderada pela Newcastle University e pela Marine Biological Association, com o objetivo de recuperar formações submarinas degradadas e avaliar se o método pode ser ampliado para outras áreas do Reino Unido.

Como funciona o cascalho verde na restauração de kelp

O procedimento começa em ambiente controlado, onde juvenis de kelp são cultivados e fixados em cascalho antes de serem devolvidos ao oceano.

A espécie citada na licença divulgada oficialmente é a Laminaria hyperborea, uma alga nativa associada a florestas submarinas em águas britânicas.

A proposta evita, nessa etapa, a instalação de grandes estruturas artificiais no fundo do mar.

Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.
Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.

Em vez disso, pequenas pedras funcionam como base inicial para o crescimento da vegetação marinha, permitindo que pesquisadores acompanhem a sobrevivência, a fixação e a expansão do kelp.

Os plantios serão feitos no verão e no inverno para medir como temperatura, luz e energia das águas influenciam o desempenho da restauração.

Mergulhadores também vão marcar e monitorar os pontos de teste a cada três meses.

Importância das florestas de kelp para o ecossistema costeiro

Florestas de kelp formam habitats usados por diferentes espécies marinhas como área de abrigo, alimentação e reprodução.

Essas formações também sustentam atividades costeiras, como pesca e mergulho, além de contribuir para a resiliência de ecossistemas litorâneos.

O governo britânico afirma que o kelp atua como sumidouro natural de carbono e pode ajudar na mitigação climática.

A vegetação marinha também é associada à defesa costeira, à redução de impactos físicos no litoral e a processos ecológicos como a desnitrificação.

A licença reforça uma mudança de escala na restauração marinha britânica.

Até agora, segundo a Marine Biological Association, a Marine Management Organisation ainda não havia concedido uma autorização específica para atividades de restauração de kelp no Reino Unido.

Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.
Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.

Método busca escala e replicação em outras regiões

A técnica do green gravel já vinha sendo estudada por pesquisadores como alternativa mais simples, prática e escalável para recuperar florestas submarinas.

Em 2024, a Marine Biological Association informou que o projeto testava a abordagem com quatro espécies nativas de kelp no Reino Unido.

Na nova licença, porém, a comunicação oficial destaca a reintrodução de juvenis de Laminaria hyperborea na costa nordeste inglesa.

O avanço regulatório permite que o método seja observado em condições reais, fora do laboratório, com acompanhamento científico contínuo.

O pesquisador Dan Smale, da Marine Biological Association, afirmou que habitats costeiros valiosos enfrentam múltiplas pressões, incluindo aquecimento, ondas de calor e queda na qualidade da água.

Segundo ele, a licença permite testar abordagens “sob condições realistas”.

Pressões climáticas e adaptação dos habitats marinhos

A restauração não pretende apenas repor vegetação perdida.

O projeto foi apresentado como uma tentativa de tornar os leitos de kelp mais resistentes a estresses climáticos e humanos, em uma estratégia de adaptação para ambientes costeiros vulneráveis.

Esse ponto é central porque florestas submarinas dependem de condições ambientais estáveis para se manterem.

Mudanças na temperatura da água, alterações na qualidade do ambiente marinho e pressões locais podem afetar o crescimento e a permanência dessas formações.

Ao acompanhar os pontos restaurados em diferentes estações, os pesquisadores esperam identificar quando e onde o cascalho semeado apresenta melhor desempenho.

Inglaterra testa cascalho verde para restaurar florestas de kelp, capturar carbono e recuperar áreas marinhas degradadas.
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Esses dados serão decisivos para avaliar se a técnica pode sair da escala experimental.

Possível expansão da técnica no Reino Unido

Caso os resultados sejam positivos, o governo britânico afirma que o método poderá ser ampliado para outras regiões do país.

A expectativa é que a experiência ajude a orientar novas frentes de recuperação marinha com menor dependência de intervenções complexas.

O teste também aproxima pesquisa científica, licenciamento ambiental e gestão costeira.

A autorização oficial dá respaldo a uma técnica que combina cultivo em laboratório, implantação direta no mar e monitoramento de longo prazo.

Embora o procedimento pareça simples, seu alcance depende de resultados verificáveis.

A sobrevivência do kelp, a permanência do cascalho no fundo marinho e a resposta do habitat ao longo do tempo serão os principais indicadores para medir o sucesso da iniciativa.

O projeto passa agora a funcionar como um ensaio prático sobre a capacidade de áreas costeiras degradadas voltarem a sustentar florestas submarinas.

A resposta virá do acompanhamento dos pontos restaurados e da comparação entre ciclos sazonais, sem garantia prévia de recuperação em larga escala.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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