John Sims desconfiou do aviso do antigo dono, cavou o próprio quintal e encontrou um abrigo antinuclear de fibra de vidro, construído em 1961 e fechado por mais de cinco décadas. Agora, o bombeiro restaura o bunker da Guerra Fria para usá-lo como refúgio subterrâneo, a agradáveis 22 °C o ano todo.
Comprar uma casa e ganhar de brinde um pedaço da Guerra Fria: foi o que aconteceu com John Sims, morador de Tucson, no Arizona (EUA). Ao adquirir o imóvel de um amigo, ele foi avisado de que talvez houvesse um abrigo antinuclear enterrado no quintal e não sossegou enquanto não desenterrou o mistério. Segundo os jornais americanos Arizona Daily Star (tucson.com) e The Eagle, o bunker estava lacrado desde 1961.
O tal “segredo” era um antigo abrigo antibomba, daqueles erguidos em plena tensão nuclear entre Estados Unidos e União Soviética. Os registros da construção indicavam que a estrutura havia sido levantada em 1961, mas ninguém sabia se ela teria sobrevivido a mais de meio século debaixo da terra. Sims resolveu descobrir do jeito mais direto possível: cavando.
Um “segredo” revelado na compra da casa

imagem: Reddit
Tudo começou em 2015 quando Sims comprou, no início daquele ano, a casa de um amigo em um bairro central de Tucson. Na negociação veio o aviso: podia haver um abrigo antinuclear escondido no quintal, uma relíquia da Guerra Fria.
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Os documentos do imóvel apontavam que a estrutura teria sido construída em 1961 pela empresa Whitaker Pools, mas se ela havia resistido a 54 anos enterrada era uma incógnita.
A reação de Sims foi imediata. “A primeira coisa que fiz foi perguntar se ele tinha uma pá. Eu ia desenterrar aquilo na hora”, contou.
Pouco depois de se mudar, ele encarou o verão escaldante do Arizona, com temperaturas beirando os 40 °C, disposto a achar o esconderijo subterrâneo custasse o que custasse.
Cavar, desistir e cavar de novo
No início, o esforço rendeu pouco. Depois de abrir alguns buracos rasos e não encontrar nada, Sims quase jogou a toalha, temendo que o abrigo antinuclear tivesse desabado ou estivesse justamente embaixo de um canto do quintal coberto por tijolos.
Foi aí que entrou a tecnologia. Ele contratou um consultor que, com detectores de metal, indicou o ponto certo para cavar.
Mesmo assim, o bombeiro esteve a ponto de desistir mais uma vez até que a pá bateu numa tampa de metal a quase um metro de profundidade. O alívio veio com bom humor: “Eu só torcia para não ser uma fossa séptica”, brincou.
Um bombeiro que sabia dos riscos

Capitão do Rural/Metro Fire Department, Sims tinha treinamento avançado em resgates em espaços confinados e sabia que pressa, ali, podia custar caro.
Ele até conseguiu erguer a pesada escotilha de metal, mas esperou um dia inteiro antes de descer a escada em espiral, testando antes o ar em busca de mofo e deixando algumas pessoas por perto, caso ficasse preso.
A cautela tinha explicação. “Eu sei coisas demais sobre espaço confinado, e estava sozinho em casa”, justificou. “Especialmente se a tampa caísse de volta, não haveria como levantá-la por baixo.” Para quem trabalha com emergências, a curiosidade não podia atropelar a segurança.
O que havia lá embaixo

imagem: Reddit
A descida finalmente revelou o prêmio: um pequeno abrigo antinuclear com cúpula de fibra de vidro, ainda que tomado por entulho. Não era exatamente o tesouro intacto que ele imaginava, mas confirmava de vez a lenda do quintal.
No fundo, Sims sonhava com uma cápsula do tempo. “Eu realmente esperava encontrar um microcosmo… cheio de caixas da defesa civil, detectores de radiação, camas de campanha, essas coisas”, admitiu. Em vez disso, deparou-se com uma estrutura vazia e empoeirada, à espera de uma boa reforma.
Um refúgio a 22 °C o ano inteiro
A prioridade passou a ser restaurar o bunker. Primeiro, consertar a escada em espiral; depois, ouvir engenheiros e empreiteiros sobre como recuperar a estrutura com segurança. Sims também saiu à caça de objetos de época, como galões de água da defesa civil, para devolver ao abrigo o clima dos anos 1960.
O plano é transformar o esconderijo em um retiro particular. Ele pretende passar ao menos uma noite no abrigo depois de pronto e usá-lo como fuga do calor do deserto afinal, lá embaixo a temperatura fica em torno de 22 °C o ano inteiro, um contraste e tanto com o forno que é o verão de Tucson.
Bunkers da Guerra Fria escondidos em Tucson
O abrigo de Sims não é um caso isolado. Segundo ele, a Whitaker Pools construiu vários abrigos antinucleares parecidos em Tucson durante os anos 1960, empurrada pelo clima de pânico da época. “A Crise dos Mísseis de Cuba foi um grande impulso para eles naquele período”, lembrou.
Para quem desconfia ter um bunker no próprio quintal, o conselho dele é começar pelos documentos do imóvel e consultar a prefeitura de Tucson ou o condado de Pima.
Mas o bombeiro faz um alerta: “Pular dentro de buracos no chão geralmente não é uma boa ideia”, diz, lembrando que o ar tóxico de túneis e cavernas pode incapacitar uma pessoa. Não à toa, sua descoberta virou febre: um post no Reddit rendeu centenas de comentários e algumas centenas de milhares de visualizações.
E você, desceria por essa escotilha?
De um simples aviso na compra da casa a um pedaço vivo da Guerra Fria no quintal, a história de John Sims prova que, às vezes, o passado está literalmente enterrado embaixo dos nossos pés basta uma pá e muita curiosidade.
Você teria coragem de descer sozinho por um abrigo antinuclear lacrado há mais de 50 anos? E o que faria com um bunker desses: um refúgio, um escritório, uma adega? Conte nos comentários o que você guardaria lá embaixo.
