Entrega de 236 apartamentos no Centro de São Paulo reúne famílias atingidas por incêndios, desabamentos e ocupações precárias em um residencial próximo ao metrô, com dois dormitórios, áreas de lazer e investimento municipal que amplia a política habitacional em bairros com infraestrutura consolidada.
A Prefeitura de São Paulo entregou, em 8 de julho de 2026, os 236 apartamentos do Residencial Parque Dom Pedro, na Liberdade, região central da capital, para famílias atendidas pelos programas municipais de habitação e removidas de imóveis e ocupações precárias.
Entre os beneficiários estão 158 núcleos familiares que viviam no Edifício Wilton Paes de Almeida, destruído por um incêndio seguido de desabamento em 2018, além de moradores da ocupação dos Gusmões, da antiga Favela do Moinho e de Paraisópolis.
A inauguração ocorreu um dia depois de o município entregar outras 296 moradias na Mooca, também na região central, ampliando a oferta de habitação popular em bairros próximos a transporte coletivo, comércio, serviços públicos e oportunidades de trabalho.
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O Residencial Parque Dom Pedro recebeu investimento de R$ 49,2 milhões, custeado integralmente pelo município, e foi viabilizado pela modalidade Aquisição do Programa Pode Entrar, que permite à administração incorporar empreendimentos produzidos pela iniciativa privada.
Famílias do Wilton Paes formam o maior grupo atendido

Fotos de: Sergio Barzaghi/PrefSP
A distribuição reservou 158 unidades às famílias atingidas pelo desabamento do Wilton Paes de Almeida, enquanto outras 76 foram destinadas a moradores da ocupação dos Gusmões, localizada na área central e atingida por um incêndio em 2025.
As duas unidades restantes atenderam situações específicas: um apartamento foi entregue a um antigo morador da Favela do Moinho e outro ficou com uma família de Paraisópolis, conforme a divisão divulgada pela Prefeitura durante a cerimônia.
Ao entregar as chaves, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que cada beneficiário carregava uma trajetória marcada por espera e dificuldades e declarou que a mudança para um imóvel definitivo poderia representar uma transformação nas condições de vida dessas famílias.
“Hoje são 236 famílias que recebem os seus apartamentos, mas cada um aqui tem uma história”, declarou o prefeito, ao destacar que os imóveis foram preparados para oferecer uma solução permanente aos grupos incluídos nos programas habitacionais municipais.
O secretário municipal de Habitação, Diogo Soares, afirmou que a localização foi um dos principais fatores considerados no projeto, porque permite reunir moradia, acesso ao transporte, equipamentos públicos, serviços e postos de trabalho em uma mesma região.
Apartamentos têm dois quartos e áreas de lazer
Construído na Rua do Glicério, o residencial reúne apartamentos com áreas entre 34,9 e 42,2 metros quadrados, todos compostos por dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, segundo as características divulgadas pela administração municipal.

Fotos de: Sergio Barzaghi/PrefSP
A estrutura compartilhada inclui salão de festas, salão de jogos, brinquedoteca, sala de estudos, academia e playground, além de uma área de lazer instalada na cobertura para uso dos moradores e de seus familiares.
O endereço também fica próximo às estações Sé, Liberdade e Pedro II do Metrô, o que amplia as alternativas de deslocamento para diferentes regiões da cidade e facilita o acesso cotidiano a escolas, hospitais, lojas e serviços.
Para a Prefeitura, a implantação de moradias populares em uma área já urbanizada reduz a distância entre os beneficiários e os equipamentos necessários à rotina, evitando que a política habitacional fique concentrada apenas em bairros afastados do centro.
Política habitacional avança na região central
Desde 2021, dez empreendimentos habitacionais foram entregues na região central, com um total informado de 2.286 unidades, das quais 1.262 ficaram prontas em seis residenciais concluídos entre 2025 e julho de 2026.
No conjunto da cidade, a administração declarou ter entregado mais de 12.700 unidades entre 2025 e julho de 2026, elevando para 20.600 o número de moradias disponibilizadas desde 2021, enquanto outras 40 mil permaneciam em construção.
Moradoras relatam mudança após anos de espera
Entre as novas moradoras está a cuidadora de idosos Lauane Stefani Silva de Santos, de 30 anos, que vivia no Wilton Paes de Almeida e passará a ocupar o apartamento com as filhas Eloísa, de 12 anos, e Isadora, de oito.
Lauane afirmou que a entrega encerrou uma longa espera iniciada após a perda de sua antiga moradia no incêndio e classificou a mudança como uma realização para ela e as filhas, que agora terão um endereço definitivo.

Fotos de: Sergio Barzaghi/PrefSP
Também antiga moradora do Wilton Paes, Cristina Rosalina dos Santos, de 43 anos, recebeu uma unidade para viver com os filhos Ivanildo Jacinto da Silva Filho, de 24 anos, e Maria Izamile, de 21.
Segundo Cristina, a propriedade representa a possibilidade de deixar de comprometer parte da renda familiar com aluguel, além de oferecer maior estabilidade depois dos anos de incerteza enfrentados desde o desabamento do prédio no Centro.
A auxiliar administrativa Bruna da Silva Rocha, de 23 anos, saiu da ocupação dos Gusmões e recebeu as chaves do imóvel onde viverá com os pais, as irmãs e o sobrinho, reunindo a família no mesmo apartamento.
“Parece que ainda estou sonhando”, afirmou Bruna durante a entrega, ao recordar que sempre viveu em comunidade e que a mudança para o residencial representa uma conquista que antes parecia distante para seus familiares.
Outra beneficiária da ocupação dos Gusmões, a auxiliar administrativa Tainá Rocha, de 29 anos, declarou que espera proporcionar aos filhos uma rotina com mais tranquilidade, segurança habitacional e melhores condições para organizar a vida familiar.
Com apartamentos próximos ao metrô e serviços essenciais, de que maneira iniciativas habitacionais no Centro podem mudar a rotina de famílias que passaram anos esperando por uma moradia permanente em São Paulo?
