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Enquanto grandes prédios costumam ser implodidos ou cercados por guindastes externos, um hotel de 40 andares começou a encolher no centro de Tóquio enquanto máquinas desmontavam sua estrutura por dentro

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 12/07/2026 às 22:54 Atualizado em 12/07/2026 às 22:56
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Um hotel de 40 andares começou a encolher no centro de Tóquio
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O Grand Prince Hotel Akasaka, com cerca de 139 metros, foi desmontado por uma fábrica fechada instalada no topo, enquanto macacos hidráulicos abaixavam sua cobertura e guindastes internos recuperavam energia, em uma demolição controlada que reduziu poeira, ruído e emissões no centro de Tóquio.

Um hotel de 40 andares começou a encolher no centro de Tóquio, mas sua cobertura continuava visível no topo. Em vez de implodir a torre, a equipe retirava suas estruturas internamente e abaixava a parte superior de forma gradual.

O Grand Prince Hotel Akasaka tinha aproximadamente 139 metros de altura. Projetada pelo arquiteto Kenzo Tange, a torre foi inaugurada na década de 1980, encerrou as atividades em 2011 e teve sua desmontagem concluída em 2013.

A informação foi publicada pela Wired, revista internacional de tecnologia e inovação. A construtora Taisei instalou uma unidade fechada nos pavimentos superiores, onde máquinas e trabalhadores desmontavam o edifício sem expor toda a operação à cidade.

Implodir o hotel no centro de Tóquio aumentaria os impactos

Implodir um prédio alto exige uma extensa área de segurança. A queda rápida também pode produzir uma grande nuvem de poeira, lançar pequenos materiais ao redor e provocar ruído intenso durante a operação.

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Esses efeitos seriam especialmente problemáticos em uma região adensada de Tóquio. O hotel estava cercado por ruas, edifícios e atividades urbanas que não poderiam ser simplesmente afastadas por longos períodos.

A solução foi realizar uma demolição controlada de cima para baixo. Cada parte era retirada separadamente, transportada até o solo e organizada dentro de um processo industrial protegido.

Uma fábrica de demolição funcionava escondida no topo

A Taisei aplicou o Sistema Ecológico de Reprodução, conhecido pela sigla Tecorep. A tecnologia transformou os últimos pavimentos do hotel em uma unidade fechada de desmontagem.

Primeiro, a equipe retirou os materiais que não ajudavam a sustentar o prédio. Depois começou a desmontar lajes, vigas, pilares e outras estruturas localizadas abaixo da cobertura.

Painéis fechavam a área de trabalho e impediam que boa parte da poeira se espalhasse. A cobertura original protegia os equipamentos e mantinha a desmontagem menos exposta às condições do tempo.

Uma fábrica de demolição funcionava escondida no topo
Uma fábrica de demolição funcionava escondida no topo

Visto da rua, o prédio não parecia estar passando por uma demolição convencional. A torre apenas perdia altura aos poucos, enquanto a maior parte do trabalho permanecia escondida.

Macacos hidráulicos faziam a cobertura descer

A parte superior do hotel era sustentada por pilares provisórios e macacos hidráulicos. Os pilares seguravam o peso da cobertura enquanto os elementos estruturais logo abaixo eram retirados.

Após a desmontagem de um pavimento, os macacos hidráulicos abaixavam a parte superior. Esse sistema permitia que a cobertura descesse gradualmente sem ser retirada nas primeiras etapas da operação.

O processo era repetido durante o avanço da obra. Por isso, quem observava o hotel percebia uma situação incomum: a cobertura permanecia no mesmo formato, mas aparecia cada vez mais próxima do solo.

A torre de aproximadamente 139 metros começou a parecer menor sem sofrer uma queda repentina. O efeito visual era resultado de uma sequência controlada de retirada, sustentação e descida.

Guindastes internos geravam eletricidade na descida dos materiais

As partes desmontadas não eram jogadas do alto. Guindastes instalados dentro do hotel baixavam os materiais até o solo de maneira controlada.

Durante a descida, o movimento permitia recuperar energia e transformá-la em eletricidade. Essa energia era usada em equipamentos da própria operação, incluindo a iluminação da área de trabalho.

Guindastes instalados dentro do hotel baixavam os materiais até o solo de maneira controlada.
Guindastes instalados dentro do hotel baixavam os materiais até o solo de maneira controlada.

A tecnologia aproveitava uma força que normalmente seria perdida durante a descida das cargas. Porém, isso não significa que toda a energia necessária para desmontar o prédio tenha sido produzida pelo próprio sistema.

A recuperação energética funcionava como um complemento. Além de controlar o transporte dos materiais, os guindastes ajudavam a reduzir parte do consumo externo da obra.

Poeira caiu 90% e ruído foi reduzido em até 23 decibéis

A Wired, revista internacional de tecnologia e inovação, registrou os indicadores divulgados pela Taisei. A construtora estimou que o sistema reduziu a poeira em 90%.

A Taisei também atribuiu ao método uma redução de ruído entre 17 e 23 decibéis. Decibel é a medida usada para indicar a intensidade de um som. Quanto maior a redução, menor é o barulho percebido ao redor da obra.

A estrutura fechada ajudava a conter partículas e sons produzidos pela retirada de concreto e aço. Isso diminuía a interferência sobre moradores, trabalhadores, motoristas e prédios próximos.

A construtora calculou ainda uma redução de até 85% nas emissões do processo. A estimativa considerava medidas como recuperação de energia, separação dos materiais e realização da desmontagem dentro do prédio.

Técnica pode interessar a cidades brasileiras adensadas

A desmontagem do Grand Prince Hotel Akasaka mostrou que um edifício alto pode ser retirado sem implosão e sem depender apenas de grandes guindastes externos. A operação reuniu máquinas internas, estruturas provisórias e controle hidráulico.

Esse tipo de engenharia pode ser útil em áreas adensadas de cidades brasileiras, onde prédios antigos dividem espaço com ruas movimentadas, imóveis vizinhos e redes de serviços. A aplicação dependeria das condições estruturais de cada construção e do planejamento da obra.

A técnica não elimina todos os impactos de uma demolição. Ainda existe movimentação de materiais, consumo de energia e produção de resíduos. A diferença está na possibilidade de controlar essas etapas dentro de uma estrutura fechada.

Concluída em 2013, a desmontagem do hotel deixou uma referência para a engenharia urbana. O prédio desapareceu gradualmente enquanto sua cobertura descia, seus materiais eram retirados por dentro e parte da energia da operação era recuperada.

Se uma técnica reduz poeira, ruído e riscos para toda a vizinhança, ela deveria ser priorizada mesmo que a demolição levasse mais tempo? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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