A política comercial de Trump impacta mercados globais, mas pode favorecer o Brasil. Veja como o país pode ampliar exportações, atrair investidores e se tornar um elo estratégico no comércio internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou no sábado (1º) a imposição de tarifas de importação sobre produtos vindos do Canadá, México e China. No entanto, nesta segunda-feira (3), o republicano decidiu adiar as taxações para seus vizinhos após negociações com seus líderes. No caso da China, Trump declarou que pretende dialogar com o país “nas próximas 24 horas”. Brasil
Durante sua campanha eleitoral, Trump reforçou sua intenção de adotar uma política comercial mais rígida em relação a todos os parceiros dos EUA. O Brasil, inclusive, foi citado pelo presidente, que ameaçou impor tarifas de 100% sobre os países do Brics caso avancem com a substituição do dólar em suas transações internacionais.
Apesar do cenário desafiador, especialistas ouvidos pela CNN apontam que o Brasil pode encontrar oportunidades nesse contexto.
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O pai fundou a Arezzo numa garagem de Belo Horizonte em 1972 e amargou dois anos de prejuízo, o filho criou a própria marca de sapatos aos 18 e, como CEO, levou o negócio à fusão que criou a gigante “Azzas 2154”, com mais de 30 marcas, 2 mil lojas e um IPO que levantou R$ 565 milhões
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Aos 21 anos, ele pegou um aporte de R$ 200 mil do pai e do tio e fundou uma papelaria “fofa” no Paraná, hoje a BRW fatura R$ 242 milhões, chega a 20 mil pontos de venda e patenteou 11 invenções como o marca-texto com gloss labial para conquistar as adolescentes
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Fim de uma era no Brasil: montadora fecha mega fábrica em solo brasileiro após fracasso nas vendas, enquanto chinesa promete reativar unidade com até 100 mil veículos por ano
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300 caminhões por dia movimentam megacomplexo que reúne 15 plantas industriais, produz 900 milhões de litros de biodiesel por ano e receberá até R$ 6 bilhões para quase dobrar sua capacidade até 2027
Possíveis ganhos para o Brasil
De acordo com Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, o Brasil pode se beneficiar de duas formas. “A primeira é ocupando o espaço deixado pelos EUA nas exportações para outros países. Por exemplo, se a China reduzir a compra de grãos dos EUA, pode aumentar suas compras do Brasil. A segunda é substituir fornecedores de produtos para os EUA. Se os americanos deixarem de importar insumos do México, por exemplo, podem recorrer ao Brasil”, explica.
Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, também enxerga uma oportunidade para o Brasil ao considerar o impacto das tarifas na relação dos EUA com outros países. Ele avalia que, diante de um cenário onde algumas nações estão se afastando da globalização, o Brasil pode se posicionar como um parceiro comercial confiável.
“A reorganização das alianças comerciais é uma grande chance para o Brasil. Estamos vendo uma reconfiguração na cadeia global de suprimentos. Se o país agir estrategicamente e ampliar sua presença no comércio internacional, pode atender mercados que perderam seus fornecedores tradicionais”, pontua Lelis.
Impacto no mercado financeiro
Além das exportações e relações comerciais, a política tarifária de Trump pode influenciar investimentos estrangeiros. Segundo Lelis, o aumento das tarifas pode gerar maior inflação nos EUA, trazendo incertezas ao mercado financeiro americano. Isso poderia levar investidores internacionais a buscar opções em países emergentes, como o Brasil.
No entanto, ele ressalta que, até o momento, o maior benefício para o Brasil é não ter sido diretamente afetado pelas medidas iniciais.
O papel do Brasil como plataforma comercial
Para Robson Gonçalves, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), o país pode se tornar um intermediário estratégico, especialmente se empresas chinesas utilizarem o Brasil como uma porta de entrada para o mercado americano.
“Se as novas tarifas não atingirem o Mercosul e empresas chinesas começarem a usar o Brasil como base para acessar os EUA, isso poderia alterar significativamente nossa pauta de exportação. O Brasil se tornaria uma plataforma de entrada para o mercado norte-americano”, avalia Gonçalves.
Independente do desfecho, Denis Medina, professor da Faculdade do Comércio, destaca que o agronegócio brasileiro pode ser um dos grandes beneficiados. Ele ressalta que o setor pode ter ainda mais vantagens se investir no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado.

