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Guerra no Oriente Médio derruba demanda aérea internacional, pressiona cargas e acende alerta sobre combustível das companhias

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 04/05/2026 às 10:13 Atualizado em 04/05/2026 às 10:17
Guerra afetou passageiros e cargas aéreas em março, com queda no Oriente Médio e pressão sobre combustíveis.
Guerra afetou passageiros e cargas aéreas em março, com queda no Oriente Médio e pressão sobre combustíveis.
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A demanda aérea global cresceu em março, mas os dados foram distorcidos pela guerra entre EUA-Israel-Irã, que fechou grande parte do espaço aéreo no Oriente Médio, derrubou voos internacionais, afetou cargas e elevou a preocupação com oferta e preço do querosene de aviação.

A demanda aérea global foi afetada em março pela interrupção de boa parte do tráfego nos países do Oriente Médio, em meio à guerra entre EUA-Israel-Irã. A Associação Internacional de Transporte Aéreo registrou alta de 2,1% nos quilômetros pagos por passageiro em relação a março de 2025, mas o avanço teria sido de 8% sem os mercados localizados na zona de conflito.

A capacidade total, medida em assentos-quilômetro oferecidos, caiu 1,7% na comparação anual. O fator de ocupação dos voos chegou a 83,6%, alta de 3,1 pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano anterior.

No tráfego internacional, o impacto foi mais claro. A demanda recuou 0,6% em março na comparação com março de 2025, enquanto a capacidade caiu 6,2% e o fator de ocupação ficou em 84,1%.

Oriente Médio lidera queda nos voos internacionais

A queda geral do tráfego internacional foi puxada pelas companhias aéreas do Oriente Médio, que registraram retração de 60,8% na demanda em relação ao ano anterior. A capacidade das empresas da região caiu 56,9%, e o fator de ocupação ficou em 67,8%, queda de 6,6 pontos percentuais.

Esses números refletem o fechamento de grande parte do espaço aéreo regional durante a guerra. A demanda aérea internacional, portanto, foi diretamente prejudicada por restrições operacionais que limitaram rotas e reduziram a oferta de voos.

O crescimento global observado no mês veio do desempenho doméstico. A demanda interna subiu 6,5% em comparação com março de 2025, enquanto a capacidade cresceu 5,6% e o fator de ocupação chegou a 83,0%, alta de 0,7 ponto percentual.

Brasil aparece entre os destaques positivos

O Brasil foi um dos destaques positivos de março no mercado doméstico. Os quilômetros pagos por passageiro cresceram 10,8%, taxa inferior apenas à registrada pela China, que avançou 13,7%.

A métrica brasileira de assentos-quilômetro oferecidos também apresentou forte alta. O aumento foi de 8,7%, novamente atrás apenas da China, onde a expansão chegou a 13,1% no mês.

Enquanto a demanda aérea doméstica mostrou força em mercados como Brasil e China, a pressão no Oriente Médio reduziu o resultado global. A diferença entre os mercados afetados pela guerra e os demais ficou evidente nos números internacionais.

Combustível vira preocupação para companhias

O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertou para a preocupação com o querosene de aviação em 2026, tanto em oferta quanto em preços. A possibilidade de escassez em partes do mundo dependentes de suprimentos do Golfo foi apontada como risco para os próximos meses, especialmente na Ásia e na Europa.

Os preços dos combustíveis para aviação subiram 106,6% em março na comparação anual. No mesmo período, o petróleo bruto avançou 43,1%, enquanto as margens de refino aumentaram 320%.

Walsh afirmou que essa pressão ainda não afetou o tráfego de março nem as reservas futuras. Mesmo assim, ainda não há clareza sobre o ponto em que preços elevados podem começar a mudar o comportamento dos passageiros.

O verão no Hemisfério Norte ainda se desenha como um período normalmente movimentado para viagens. A resiliência das companhias aéreas, porém, está sendo testada, e a estabilização da oferta e do preço do combustível foi tratada como ponto crucial.

Carga aérea sofre queda mais forte em março

No mercado global de carga aérea, o impacto do conflito foi mais sensível. A demanda total, medida em toneladas-quilômetros de carga, caiu 4,8% em relação a março de 2025, com queda de 5,5% nas operações internacionais.

A capacidade, medida em toneladas-quilômetros de carga disponíveis, diminuiu 4,7% no comparativo anual. Considerando apenas voos internacionais, a retração foi de 6,8%.

A queda ocorreu em um momento de expansão da produção industrial global e do comércio de bens. Em fevereiro, a produção industrial mundial cresceu 3,1% em relação ao ano anterior, marcando o 38º mês consecutivo de alta, enquanto o comércio global de bens subiu 8,0%.

Rotas comerciais pressionam resultado global

As companhias aéreas do Oriente Médio tiveram o pior desempenho regional na carga aérea. A demanda caiu 54,3% em março, enquanto a capacidade recuou 52,4% em relação ao ano anterior.

As maiores perdas vieram das rotas Europa-Oriente Médio, com queda de 57,6%, Oriente Médio-Ásia, com retração de 58,6%, e Europa-América do Norte, com baixa de 3,4%. As demais rotas comerciais apresentaram ganhos, mas não compensaram o peso das perdas nessas conexões.

Na América Latina e no Caribe, a demanda por carga aérea cresceu 1,8% entre março de 2025 e março de 2026. A capacidade da região aumentou 5,1%, enquanto as redes de carga seguem ajustando operações diante de pressões geopolíticas, tarifárias e operacionais que também afetam a demanda aérea global.

Com informações Infomoney

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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