A demanda aérea global cresceu em março, mas os dados foram distorcidos pela guerra entre EUA-Israel-Irã, que fechou grande parte do espaço aéreo no Oriente Médio, derrubou voos internacionais, afetou cargas e elevou a preocupação com oferta e preço do querosene de aviação.
A demanda aérea global foi afetada em março pela interrupção de boa parte do tráfego nos países do Oriente Médio, em meio à guerra entre EUA-Israel-Irã. A Associação Internacional de Transporte Aéreo registrou alta de 2,1% nos quilômetros pagos por passageiro em relação a março de 2025, mas o avanço teria sido de 8% sem os mercados localizados na zona de conflito.
A capacidade total, medida em assentos-quilômetro oferecidos, caiu 1,7% na comparação anual. O fator de ocupação dos voos chegou a 83,6%, alta de 3,1 pontos percentuais em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No tráfego internacional, o impacto foi mais claro. A demanda recuou 0,6% em março na comparação com março de 2025, enquanto a capacidade caiu 6,2% e o fator de ocupação ficou em 84,1%.
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Oriente Médio lidera queda nos voos internacionais
A queda geral do tráfego internacional foi puxada pelas companhias aéreas do Oriente Médio, que registraram retração de 60,8% na demanda em relação ao ano anterior. A capacidade das empresas da região caiu 56,9%, e o fator de ocupação ficou em 67,8%, queda de 6,6 pontos percentuais.
Esses números refletem o fechamento de grande parte do espaço aéreo regional durante a guerra. A demanda aérea internacional, portanto, foi diretamente prejudicada por restrições operacionais que limitaram rotas e reduziram a oferta de voos.
O crescimento global observado no mês veio do desempenho doméstico. A demanda interna subiu 6,5% em comparação com março de 2025, enquanto a capacidade cresceu 5,6% e o fator de ocupação chegou a 83,0%, alta de 0,7 ponto percentual.
Brasil aparece entre os destaques positivos
O Brasil foi um dos destaques positivos de março no mercado doméstico. Os quilômetros pagos por passageiro cresceram 10,8%, taxa inferior apenas à registrada pela China, que avançou 13,7%.
A métrica brasileira de assentos-quilômetro oferecidos também apresentou forte alta. O aumento foi de 8,7%, novamente atrás apenas da China, onde a expansão chegou a 13,1% no mês.
Enquanto a demanda aérea doméstica mostrou força em mercados como Brasil e China, a pressão no Oriente Médio reduziu o resultado global. A diferença entre os mercados afetados pela guerra e os demais ficou evidente nos números internacionais.
Combustível vira preocupação para companhias
O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertou para a preocupação com o querosene de aviação em 2026, tanto em oferta quanto em preços. A possibilidade de escassez em partes do mundo dependentes de suprimentos do Golfo foi apontada como risco para os próximos meses, especialmente na Ásia e na Europa.
Os preços dos combustíveis para aviação subiram 106,6% em março na comparação anual. No mesmo período, o petróleo bruto avançou 43,1%, enquanto as margens de refino aumentaram 320%.
Walsh afirmou que essa pressão ainda não afetou o tráfego de março nem as reservas futuras. Mesmo assim, ainda não há clareza sobre o ponto em que preços elevados podem começar a mudar o comportamento dos passageiros.
O verão no Hemisfério Norte ainda se desenha como um período normalmente movimentado para viagens. A resiliência das companhias aéreas, porém, está sendo testada, e a estabilização da oferta e do preço do combustível foi tratada como ponto crucial.
Carga aérea sofre queda mais forte em março
No mercado global de carga aérea, o impacto do conflito foi mais sensível. A demanda total, medida em toneladas-quilômetros de carga, caiu 4,8% em relação a março de 2025, com queda de 5,5% nas operações internacionais.
A capacidade, medida em toneladas-quilômetros de carga disponíveis, diminuiu 4,7% no comparativo anual. Considerando apenas voos internacionais, a retração foi de 6,8%.
A queda ocorreu em um momento de expansão da produção industrial global e do comércio de bens. Em fevereiro, a produção industrial mundial cresceu 3,1% em relação ao ano anterior, marcando o 38º mês consecutivo de alta, enquanto o comércio global de bens subiu 8,0%.
Rotas comerciais pressionam resultado global
As companhias aéreas do Oriente Médio tiveram o pior desempenho regional na carga aérea. A demanda caiu 54,3% em março, enquanto a capacidade recuou 52,4% em relação ao ano anterior.
As maiores perdas vieram das rotas Europa-Oriente Médio, com queda de 57,6%, Oriente Médio-Ásia, com retração de 58,6%, e Europa-América do Norte, com baixa de 3,4%. As demais rotas comerciais apresentaram ganhos, mas não compensaram o peso das perdas nessas conexões.
Na América Latina e no Caribe, a demanda por carga aérea cresceu 1,8% entre março de 2025 e março de 2026. A capacidade da região aumentou 5,1%, enquanto as redes de carga seguem ajustando operações diante de pressões geopolíticas, tarifárias e operacionais que também afetam a demanda aérea global.
Com informações Infomoney
