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Sem fábrica gigante e sem franquia famosa, estudante mineira de 21 anos largou o estágio para vender geladinhos artesanais em Montes Claros e viu a brincadeira de fim de semana virar loja própria de R$ 100 mil por mês

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Escrito por Ana Alice Publicado em 23/06/2026 às 21:45 Atualizado em 23/06/2026 às 21:47
Estudante de 21 anos criou a Master Geladinhos em Montes Claros, abriu loja própria e alcançou faturamento de R$ 100 mil por mês em 2026. (Imagem: Divulgação)
Estudante de 21 anos criou a Master Geladinhos em Montes Claros, abriu loja própria e alcançou faturamento de R$ 100 mil por mês em 2026. (Imagem: Divulgação)
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A história de uma estudante de Montes Claros mostra como um produto simples virou negócio estruturado, com loja, delivery e produção própria, em uma trajetória marcada por testes, redes sociais e expansão local.

Laura Melo, estudante de administração de 21 anos, transformou a venda informal de geladinhos em Montes Claros, no norte de Minas Gerais, em um negócio com loja física, produção própria e faturamento médio de cerca de R$ 100 mil por mês.

A Master Geladinhos começou em 2022, quando ela ainda estava no primeiro ano da faculdade e buscava uma forma de ter renda para gastos pessoais, segundo reportagem publicada pelo UOL em 18 de maio de 2026.

A operação não começou com fábrica de grande porte, franquia conhecida ou estrutura empresarial pronta.

Os primeiros produtos foram feitos na cozinha do apartamento onde Laura morava.

Para divulgar, ela imprimiu panfletos e colocou o material por baixo das portas dos apartamentos do condomínio.

Os pedidos passaram a chegar pelo WhatsApp, canal usado no início das vendas.

Como a Master Geladinhos começou em Montes Claros

A ideia surgiu em março de 2022, no primeiro ano do curso de administração.

Laura já tinha histórico de pequenas vendas desde a infância, como bazares com roupas e pulseiras de miçanga.

Naquele momento, porém, o objetivo era conseguir dinheiro para sair aos fins de semana sem depender dos pais.

Em uma das falas registradas pela reportagem, ela afirmou que queria uma fonte de renda para fazer as próprias coisas, sair no fim de semana e não precisar pedir dinheiro aos pais.

A venda de geladinhos, então, começou como uma atividade paralela à rotina de estudos.

Os primeiros sabores foram morango com Ninho, Oreo, Ninho com Nutella e mousse de maracujá.

Na época, cada unidade custava entre R$ 3,50 e R$ 4.

A divulgação no condomínio ajudou a testar a aceitação inicial do produto entre moradores próximos, antes da criação de uma estrutura comercial mais ampla.

Três meses depois do início das vendas, Laura criou um perfil no Instagram e passou a usar o nome Master Geladinhos.

Em 2023, um influenciador digital da cidade divulgou os produtos, e a procura aumentou.

Segundo a empreendedora, todo o estoque disponível no freezer acabou em cerca de meia hora.

Ela afirmou que, a partir daquele episódio, passou a ver a atividade como uma oportunidade de negócio.

Da produção no apartamento à loja física

Com o aumento dos pedidos, o apartamento deixou de comportar a produção.

No fim de 2023, Laura levou a operação para a casa da avó Maíta, onde permaneceu até janeiro de 2025, pouco antes da inauguração da loja.

Nesse período, o faturamento médio mensal informado por ela era de aproximadamente R$ 20 mil, ainda sem ponto físico aberto ao público.

A decisão de deixar o estágio ocorreu durante o processo de expansão da marca.

Laura declarou que precisava se dedicar ao crescimento da Master Geladinhos.

Depois disso, buscou capacitação, testou novas receitas e passou a trabalhar no aprimoramento da produção.

Em março de 2025, já no último ano da faculdade, ela abriu a loja física em Montes Claros.

O investimento informado foi de R$ 80 mil.

No primeiro mês de funcionamento, o faturamento chegou a R$ 50 mil, valor superior à média registrada quando a produção ainda era feita na casa da avó.

Atualmente, a empresa informa faturamento médio mensal de R$ 100 mil, mas não divulga o lucro líquido.

Há um ano, foi inaugurada a loja física da Master Geladinhos, em Montes Claros. Crédito: Divulgação
Há um ano, foi inaugurada a loja física da Master Geladinhos, em Montes Claros. Crédito: Divulgação

Delivery responde pela maior parte das vendas

A operação atual reúne loja física e delivery próprio.

O delivery responde por 55% do faturamento, enquanto o atendimento presencial concentra o restante das vendas.

O ticket médio informado por Laura é de R$ 60 nas entregas e R$ 30 na loja.

O cardápio tem 12 sabores fixos, além de opções sazonais.

Entre os mais vendidos estão Ninho com Nutella, pudim de leite e trufado de brownie.

Cada geladinho pesa 130 gramas e custa entre R$ 9 e R$ 12.

A produção é feita na própria loja e chega a cerca de 3.000 unidades por semana, segundo os dados informados pela empreendedora.

O registro público da empresa mostra a razão social Master Geladinhos Ltda, com sede em Montes Claros, atividade principal de fabricação de sorvetes e outros gelados comestíveis e CNPJ aberto em 5 de outubro de 2023.

Essa informação diferencia o início comercial da marca, relatado em 2022, da formalização empresarial registrada posteriormente.

Geladinho artesanal entrou na estratégia da marca

A proposta da Master Geladinhos é vender uma versão artesanal de um produto popular.

Laura afirma que o geladinho produzido pela empresa não é comum, porque passa por preparo no fogo, leva ingredientes que ela classifica como nobres e não utiliza aditivos artificiais.

Ela também diz que as geleias usadas nos sabores são feitas artesanalmente.

Esse posicionamento aparece também na faixa de preço.

A empreendedora reconhece que o valor é maior do que o de geladinhos tradicionais, mas afirma que o processo de produção e os ingredientes usados justificam a diferença.

Em publicação do Sebrae Minas, ela disse que um dos desafios foi reposicionar o geladinho no mercado e mostrar ao consumidor que o produto era uma sobremesa artesanal.

O Sebrae Minas também informou que Laura buscou cursos, capacitações e apoio em temas como precificação, planejamento e marketing.

A estrutura da empresa cresceu com a demanda.

Segundo a publicação, a equipe, que começou apenas com a fundadora, passou a contar com mais cinco funcionários, além de serviços terceirizados de marketing e contabilidade.

Crédito: Divulgação/Sebrae
Crédito: Divulgação/Sebrae

Sazonalidade e novos canais de venda

Para Silmara Regina de Souza, consultora de negócios do Sebrae-SP ouvida pelo UOL, o geladinho tem aceitação facilitada por ser um produto de entendimento simples e ligado à memória afetiva do consumidor.

Segundo ela, “o geladinho faz parte da nossa memória afetiva”, o que contribui para a familiaridade do público com o produto.

Na avaliação da consultora, Laura agregou valor ao produto ao apresentar o geladinho em uma versão mais elaborada.

Silmara também aponta a sazonalidade como um ponto de atenção, já que o consumo desse tipo de produto costuma estar associado ao calor e a períodos mais quentes do ano.

Para reduzir esse efeito, a consultora afirma que a empresa pode explorar datas comemorativas e formatos especiais.

A Master Geladinhos já fez esse movimento na Páscoa, quando vendeu ovos de chocolate com geladinhos dentro.

O desafio, segundo Silmara, é ampliar esse tipo de estratégia para outras datas do varejo.

Outro caminho citado pela especialista é reforçar a atuação em eventos corporativos.

Na avaliação dela, esse canal pode contribuir para a geração de caixa e ajudar a empresa em períodos de menor movimento.

A consultora também observa que a Master Geladinhos disputa espaço não apenas com outras marcas de geladinhos, mas com o mercado de sobremesas em geral.

A trajetória de Laura reúne elementos comuns em pequenos negócios que crescem a partir de testes de mercado: venda inicial em escala reduzida, divulgação local, uso de redes sociais, formalização gradual e ampliação da estrutura conforme a demanda.

No caso da Master Geladinhos, a renda extra criada durante a faculdade deu origem a uma operação com loja própria, delivery e produção artesanal em Montes Claros.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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