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Gigante catarinense dos móveis coloca imóveis e máquinas de R$ 7 milhões em leilão após dívida de quase R$ 36 milhões e recuperação judicial, em tentativa de gerar caixa imediato, manter a produção em Campo Alegre e reorganizar operações no Oeste de SC

Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/04/2026 às 17:16
Atualizado em 22/04/2026 às 17:19
Gigante catarinense dos móveis coloca imóveis e máquinas de R$ 7 milhões em leilão após dívida de quase R$ 36 milhões e recuperação judicial, em tentativa de gerar caixa imediato (1)
Leilão da Três Irmãos na recuperação judicial põe imóveis rurais à venda para gerar caixa e manter Campo Alegre operando.
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Com recuperação judicial em andamento, a Três Irmãos abre leilão em duas datas e coloca imóveis rurais do Oeste de SC e maquinário industrial à venda para gerar caixa e concentrar a operação em Campo Alegre.

Uma das maiores exportadoras de móveis do país, gigante catarinense a Três Irmãos, com sede em Campo Alegre, no Planalto Norte de Santa Catarina, colocou parte do patrimônio à venda em um leilão que soma cerca de R$ 7 milhões em ativos. A medida ocorre dentro do processo de recuperação judicial e mira um objetivo direto: gerar caixa no curto prazo para reforçar a liquidez e sustentar a operação concentrada na unidade principal.

O primeiro passo do leilão já tem data marcada e chama atenção pelo porte e pelo momento em que acontece. A etapa inicial está prevista para a próxima quarta-feira, 29 de abril de 2026, com oferta de imóveis rurais no Oeste catarinense, enquanto a segunda rodada, em 14 de maio de 2026, amplia o pacote de ativos. Em paralelo, entram na lista máquinas e equipamentos industriais avaliados em cerca de R$ 4 milhões, majoritariamente ligados à unidade de Caçador, que teve suas operações reduzidas.

O que está sendo leiloado e por que isso virou prioridade agora

Leilão da Três Irmãos na recuperação judicial põe imóveis rurais à venda para gerar caixa e manter Campo Alegre operando.

O leilão reúne dois grandes blocos de bens: imóveis rurais e ativos industriais. No total, a avaliação divulgada para o conjunto colocado à venda é de aproximadamente R$ 7 milhões, dentro de uma estratégia de reorganização financeira após a empresa declarar dívidas próximas de R$ 36 milhões no plano apresentado em 2024.

Na prática, a venda funciona como uma tentativa de “fôlego” imediato. Em vez de esperar apenas pelos efeitos de ajustes internos, a companhia busca transformar patrimônio em caixa para atravessar um período de reestruturação e seguir com a produção ativa na base principal.

Os números que explicam o tamanho do leilão: R$ 2,76 milhões em imóveis e R$ 4 milhões em máquinas

Na primeira etapa, serão ofertados três imóveis rurais localizados no Oeste de Santa Catarina, sendo dois em Macieira e um em Água Doce. O valor inicial somado desses lotes, conforme o site responsável pelo leilão, é de aproximadamente R$ 2,76 milhões.

Além dos imóveis, entram no leilão máquinas e equipamentos industriais avaliados em cerca de R$ 4 milhões. A maior parte desses ativos está associada à unidade de Caçador, que passou por redução de operações, reforçando o caráter de enxugamento e concentração da estrutura produtiva.

Como funciona o calendário: duas rodadas e ampliação de ativos em maio

O cronograma divulgado prevê duas datas principais. A primeira etapa ocorre em 29 de abril de 2026, com a oferta inicial dos imóveis rurais no Oeste do estado. A segunda rodada está prevista para 14 de maio de 2026, quando a oferta deve ser ampliada dentro do processo de reestruturação.

Ao dividir em etapas, o leilão ganha um componente de “pressão por resultado” no curto prazo, já que a empresa sinaliza necessidade de liquidez imediata ao mesmo tempo em que mantém o plano de reorganização em andamento.

Recuperação judicial e a linha do tempo da crise: do pedido em 2024 ao enxugamento de unidades

Em julho de 2024, a empresa entrou com pedido de recuperação extrajudicial, que depois foi convertido em recuperação judicial. Naquele período, segundo o histórico apresentado, a produção mensal era de cerca de 22 mil móveis e a companhia tinha mais de 500 funcionários.

O processo se intensificou em meio a mudanças de mercado e decisões duras. Em 2023, a unidade de São Bento do Sul foi fechada, com a justificativa de “inviabilidade econômica”. Já em 2024, um novo ciclo de queda nas vendas externas levou à reestruturação da unidade de Caçador, que passou a operar com foco na produção de painéis, após o encerramento de etapas como corte e secagem de madeira.

Por que isso chama atenção: uma gigante que virou referência nas exportações e sentiu a virada do mercado global

A trajetória internacional da Três Irmãos começou em 2009, com exportações para a multinacional sueca IKEA, com fornecimento voltado principalmente ao mercado norte-americano. A partir de 2017, diante da queda nas vendas internas, a empresa passou a focar exclusivamente na exportação e se consolidou rapidamente como uma das maiores exportadoras de móveis do país.

Segundo o pedido de recuperação judicial, o impacto veio com a mudança do cenário global. No documento, a empresa afirma que houve uma reversão significativa no mercado, culminando em uma queda acentuada no consumo de móveis, o que ajuda a explicar a sequência de ajustes e a busca por caixa via leilão.

O que muda na prática: concentração em Campo Alegre e tentativa de manter a operação ativa

Hoje, cerca de 90% das atividades estão concentradas em Campo Alegre, onde ficam a produção principal e as operações administrativas. A lógica do leilão, dentro do plano de recuperação, é sustentar essa concentração, reduzir a pressão financeira e reorganizar ativos que ficaram ligados a unidades com operações reduzidas.

O movimento também sinaliza uma reorganização territorial e operacional: enquanto Campo Alegre assume o centro da operação, ativos no Oeste catarinense e equipamentos ligados a Caçador entram como fonte de recursos no curto prazo, num esforço para atravessar a fase mais sensível da reestruturação.

E agora: caixa no curto prazo, reestruturação em curso e cobrança por resultado

O leilão integra o plano apresentado em 2024 e funciona como uma tentativa de melhorar a liquidez rapidamente, em paralelo às mudanças operacionais já executadas nos últimos anos. O ND Mais informou que tenta contato com a empresa, e o espaço segue aberto.

Com o leilão em andamento e a recuperação judicial como pano de fundo, a dúvida que fica é: você acha que vender imóveis e máquinas é suficiente para uma gigante catarinense retomar o fôlego e manter a produção de pé em Santa Catarina?

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Carla Teles

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