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Nos EUA, Geração Z enfrenta maior risco de desemprego com avanço da inteligência artificial, aponta relatório da Goldman Sachs

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 10/06/2026 às 17:03
Atualizado em 10/06/2026 às 17:07
Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação.
Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação. (Imagem meramente ilustrativa gerada por IA)
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Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação.

A expansão da inteligência artificial continua transformando o mercado de trabalho dos Estados Unidos e tem atingido com mais intensidade profissionais que estão iniciando a carreira. Dados recentes apontam que trabalhadores da Geração Z aparecem entre os grupos mais expostos às mudanças provocadas pela automação, especialmente em áreas administrativas, criativas e tecnológicas.

Embora o número de vagas eliminadas pela IA tenha diminuído nos últimos meses, especialistas alertam que o cenário ainda inspira cautela. Relatório divulgado pelo Goldman Sachs indica que a redução nas perdas de empregos não está ligada a uma desaceleração da tecnologia, mas sim ao crescimento de obras de infraestrutura voltadas para sustentar os sistemas de inteligência artificial.

Por que a Geração Z está no centro dessa transformação?

Os levantamentos analisados pelo banco identificaram uma relação cada vez mais forte entre a adoção de ferramentas de IA e o aumento das dificuldades enfrentadas por profissionais com menos de 30 anos.

Enquanto trabalhadores experientes conseguem utilizar a tecnologia para ampliar produtividade e desempenho, muitos cargos de entrada estão sendo substituídos ou reduzidos. Isso afeta justamente a parcela mais jovem da força de trabalho, que costuma ocupar funções iniciais dentro das empresas.

Segundo os dados compilados pela instituição financeira, ferramentas de inteligência artificial generativa podem elevar a produtividade em cerca de 23%. Esse ganho, porém, tem beneficiado principalmente profissionais que já possuem experiência acumulada e conseguem integrar os novos recursos às suas atividades.

Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação.
Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação. Fonte: CANVA.

Geração Z perde espaço em setores diretamente impactados pela IA

Os maiores cortes associados à automação têm ocorrido em segmentos onde tarefas podem ser executadas por sistemas inteligentes.

Somente em abril, aproximadamente 21,9 mil desligamentos foram atribuídos diretamente ao uso da inteligência artificial. De acordo com o monitoramento do Goldman Sachs, esse foi o maior volume mensal registrado desde o início do acompanhamento, em 2023.

Entre as áreas mais afetadas estão:

  • Marketing;
  • Design gráfico;
  • Atendimento ao cliente;
  • Processamento de documentos;
  • Desenvolvimento de software.

No acumulado dos últimos três anos, as demissões relacionadas ao avanço da tecnologia chegaram a cerca de 136 mil trabalhadores.

Construção de data centers cria vagas, mas especialistas fazem alerta

Ao mesmo tempo em que elimina postos em determinados setores, a inteligência artificial também impulsiona contratações em outros segmentos.

A necessidade de ampliar a infraestrutura digital levou à construção de centros de processamento de dados, conhecidos como data centers. Essas instalações são responsáveis por armazenar e processar as enormes quantidades de informações utilizadas pelos sistemas de IA.

Desde 2022, esse movimento gerou cerca de 212 mil empregos. Atualmente, o setor cria aproximadamente 9 mil novas vagas por mês.

As oportunidades estão concentradas principalmente em áreas como:

  • Construção civil;
  • Instalação elétrica;
  • Climatização;
  • Expansão de redes de energia;
  • Serviços técnicos especializados.

Apesar disso, especialistas avaliam que boa parte dessas contratações possui caráter temporário.

Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação.
Geração Z está entre os grupos mais afetados pela inteligência artificial nos EUA, segundo dados sobre emprego e automação. Fonte: CANVA.

O desafio entre empregos temporários e vagas permanentes

A preocupação dos analistas está relacionada à diferença entre os empregos criados durante a construção dos centros de dados e aqueles necessários para mantê-los em funcionamento após a conclusão das obras.

Estimativas do American Edge Project indicam que o atual ciclo de investimentos pode resultar em 4,7 milhões de vagas temporárias ligadas à construção dessas estruturas.

Por outro lado, a previsão para postos permanentes é significativamente menor. O estudo aponta potencial para cerca de 697 mil empregos voltados à operação e manutenção das instalações.

Isso significa que uma parcela relevante das oportunidades abertas hoje pode desaparecer quando os projetos forem concluídos.

Mercado de trabalho segue criando vagas apesar das mudanças

Mesmo diante das transformações provocadas pela inteligência artificial, a economia norte-americana continua registrando geração de empregos.

Economistas do UBS estimam que aproximadamente 95 mil postos de trabalho foram criados fora do setor agrícola em maio. A taxa de desemprego, segundo as projeções, permaneceu próxima de 4,33%.

Esses números mostram que o mercado ainda mantém capacidade de absorção de trabalhadores. No entanto, a distribuição dessas vagas está mudando à medida que novas tecnologias ganham espaço em diferentes atividades econômicas.

Futuro da Geração Z dependerá da velocidade de adaptação

O avanço da inteligência artificial não deve se limitar aos setores atualmente impactados. Instituições financeiras avaliam que a automação tende a alcançar novas áreas nos próximos anos, incluindo segmentos industriais ligados à produção química e à fabricação de equipamentos elétricos.

Nesse contexto, permanece uma questão central para economistas e especialistas em mercado de trabalho: os novos empregos surgirão em ritmo suficiente para compensar aqueles que estão sendo substituídos pela tecnologia?

A resposta ainda não é definitiva. O que os dados já indicam é que a Geração Z está entre os grupos que sentirão primeiro os efeitos dessa transição, em um cenário onde a capacidade de adaptação profissional poderá se tornar cada vez mais importante.

Fonte: TECMUNDO

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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