Escassez de motoristas qualificados, envelhecimento da categoria e avanço dos caminhões digitais pressionam o transporte rodoviário de cargas, enquanto montadoras e entidades de formação ampliam treinamentos para preparar profissionais para uma operação cada vez mais tecnológica, segura e estratégica.
A Mercedes-Benz do Brasil reforçou, em 06 de julho de 2026, a parceria com a Fabet, Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte, ao manter 15 caminhões em regime de comodato para aulas práticas de formação e especialização de motoristas profissionais.
Em meio à escassez de mão de obra no transporte rodoviário de cargas, a iniciativa ganha peso porque a falta de condutores qualificados já afeta transportadoras, pressiona a operação logística e amplia a importância da capacitação no país.
Dados da Confederação Nacional do Transporte mostram que 65,1% das empresas de transporte rodoviário de cargas relatam falta de motoristas profissionais, enquanto o déficit estimado de condutores no Brasil supera 120 mil profissionais em 2025.
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Esse cenário ajuda a explicar por que a formação deixou de ser apenas uma etapa operacional e passou a ocupar espaço mais estratégico nas montadoras, nas transportadoras e nas entidades ligadas à qualificação do setor.
Déficit de motoristas pressiona o transporte de cargas
Além da dificuldade para preencher vagas, as empresas convivem com um desafio de renovação geracional, já que a idade média dos caminhoneiros brasileiros chegou a 45,3 anos, conforme a pesquisa “Perfil e Preferências dos Caminhoneiros”, divulgada pela CNT em 2025.
No mesmo levantamento, apenas 9,5% dos profissionais aparecem com menos de 30 anos, enquanto 12,9% estão acima dos 60 anos, retrato que indica baixa entrada de jovens em uma atividade cada vez mais dependente de tecnologia.
Com a frota mais conectada, o trabalho do motorista deixou de se limitar à condução tradicional e passou a exigir domínio de sistemas de segurança, recursos digitais, telemetria, transmissões automatizadas e ferramentas de apoio à operação.
Para frotas que buscam reduzir consumo, evitar paradas e ampliar a disponibilidade dos veículos, o treinamento contínuo se tornou parte da gestão do transporte, especialmente quando a forma de dirigir interfere diretamente nos custos da operação.
Caminhões tecnológicos mudam a formação profissional
Na avaliação da Mercedes-Benz, a qualificação permite que os profissionais aproveitem melhor o potencial dos veículos no dia a dia, com efeitos sobre eficiência operacional, segurança nas estradas e redução de impactos ambientais ligados à condução.
Além do Centro de Treinamento da marca, em Atibaia (SP), a empresa mantém parcerias com entidades do setor para ampliar o acesso a cursos voltados a motoristas, gestores de transporte e prestadores de serviço.
“Os conhecimentos adquiridos nos treinamentos da Fabet contribuem para a condução mais eficiente dos veículos, com impactos diretos na redução do consumo de combustível, na otimização dos custos de manutenção e no aumento da disponibilidade da frota”, afirmou Sandro Onofre, gerente sênior de Desenvolvimento da Rede de Concessionários Caminhões e Ônibus & Treinamentos da Mercedes-Benz do Brasil.
Ao relacionar capacitação e uso adequado das tecnologias embarcadas em caminhões e ônibus, o executivo aponta um tema que ganha força à medida que as frotas incorporam sistemas de desempenho, conectividade e segurança.
Dentro das transportadoras, esse preparo pode influenciar produtividade, manutenção e aproveitamento dos veículos, porque a operação moderna exige que o motorista compreenda não apenas o trajeto, mas também os recursos disponíveis na cabine.
Fabet leva caminhões às aulas práticas
Com 30 anos de atuação, a Fabet tem matriz em Concórdia (SC) e filial em Mairinque (SP), além de cursos presenciais, on-line e in company voltados a motoristas, gestores do transporte e prestadores de serviço.
Em 2025, a fundação formou mais de 22 mil alunos, segundo dados divulgados pela Mercedes-Benz, número que reforça o papel da instituição na preparação de profissionais para diferentes segmentos do transporte rodoviário.
Atualmente, a montadora informa ser a única fabricante de veículos comerciais parceira da Fabet e disponibiliza 15 caminhões para aulas práticas, usados em programas de formação inicial e especialização de condutores experientes.
Esses veículos atendem cursos de operação de modelos truck, articulados e biarticulados, além de capacitações em direção segura, econômica e sustentável, áreas que se tornaram mais relevantes com a sofisticação das frotas.
“Ao apoiar os cursos da Fabet, contribuímos para o fortalecimento da educação e da segurança no trânsito, ao mesmo tempo em que promovemos a formação qualificada de profissionais para o setor de transporte”, disse Jefferson Ferrarez, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões da Mercedes-Benz do Brasil.
Mulheres ganham espaço na qualificação de motoristas
Também ligada à parceria, a pauta da inclusão aparece no Movimento A Voz Delas, iniciativa da Mercedes-Benz voltada à valorização da presença feminina no transporte e à ampliação de oportunidades em uma atividade historicamente ocupada por homens.
A ação reúne empresas parceiras e busca estimular melhores condições de trabalho, maior representatividade e entrada de novas profissionais, em um momento no qual o setor discute alternativas para reduzir a falta de mão de obra.
Entre as iniciativas está a promoção “Na Direção dos Seus Sonhos”, criada para mulheres que desejam trocar de categoria da CNH e ingressar como motoristas de caminhão no transporte rodoviário de cargas.
As selecionadas participam gratuitamente, na Fabet, do Curso de Formação de Mulheres para o Transporte de Cargas, ação que conecta qualificação profissional, inclusão feminina e resposta prática à necessidade de novos condutores.
A ampliação da formação feminina surge como uma das frentes possíveis para enfrentar o déficit, embora o problema também envolva atração de jovens, melhoria das condições de trabalho e adaptação da profissão à nova realidade tecnológica dos caminhões.
Com transportadoras relatando falta de motoristas, montadoras investindo em capacitação e veículos cada vez mais digitais nas estradas, o setor conseguirá formar profissionais no ritmo exigido pela logística brasileira?
