A rede Coffee Lab, com sede em São Paulo, adotou a escala 4×3 entre seus funcionários há oito meses. Segundo a empresária Isabela Raposeiras, dona do negócio, o faturamento da rede subiu 35% no ano passado, os custos com transporte caíram e nenhum trabalhador da operação teve redução salarial durante o período de adaptação.
A discussão sobre o fim da escala 6×1 no Brasil ganhou um capítulo prático que vem chamando atenção entre empresários do setor de varejo e serviços. A rede de cafeterias e escola de cafés Coffee Lab, sediada em São Paulo, adotou a escala 4×3 há oito meses e relata resultados positivos tanto para a empresa quanto para os funcionários durante o período de aplicação.
A empresária Isabela Raposeiras, dona do negócio, afirma que a mudança trouxe ganhos mensuráveis na operação. Segundo ela, o faturamento cresceu 35% no ano passado, os gastos com transporte caíram e nenhum trabalhador da rede teve corte salarial, declarações que ainda não foram acompanhadas de divulgação contábil pública por parte da empresa e devem ser tratadas como case empresarial, não como pesquisa independente.
Como funciona a escala 4×3 na prática

O modelo aplicado pela Coffee Lab funciona com quatro dias de trabalho seguidos de três dias de folga consecutivos. As unidades da rede abrem todos os dias da semana, mas com equipes em escala rotativa, organização que garante o funcionamento contínuo do negócio sem aumentar a jornada individual de cada funcionário.
-
O mega plano de R$ 526,3 bilhões da FIRJAN para o Rio de Janeiro mira reerguer a maior indústria do Brasil, com dois terços dos investimentos indo para petróleo e gás
-
Depois de devolver cerca de 20 navios com soja brasileira, China surpreende ao sinalizar aumento das compras de proteína animal, enquanto Brasil já consumiu 70% da cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina
-
A inflação de alimentos subiu 302% em 20 anos no Brasil, mas o supermercado mudou: o poder de compra rendeu 87% mais mortadela e 31% menos fruta, e os ultraprocessados tomaram o carrinho
-
Gigante do agro foca no Brasil e anuncia fábrica colossal automatizada de R$ 100 milhões no interior de SP
A rotina diária também passou por ajustes específicos para viabilizar o modelo. As cafeterias da rede funcionam das 9 horas às 18 horas em turno único, com todos os funcionários entrando e saindo juntos, formato que reduz a complexidade da escala e facilita o controle operacional do dia a dia.
A carga horária diária fica abaixo de dez horas, considerando uma hora de almoço e intervalos previstos pela legislação trabalhista. Esse desenho exige eficiência operacional alta durante o período em que a equipe está presente, já que o atendimento precisa acontecer dentro de uma janela mais concentrada do que em redes que operam em escalas tradicionais.
Vale uma observação importante sobre o alcance da mudança dentro da empresa. A escala 4×3 foi implantada apenas nas unidades de atendimento ao público, e áreas internas como escritório e setor de torrefação ainda operam em escala 5×2, embora a empresária afirme que essas equipes também devem migrar para o novo modelo em breve.
Os números relatados pela empresária
A principal alegação da Coffee Lab envolve o crescimento financeiro do negócio durante o período de adoção do novo modelo. Segundo Isabela Raposeiras, o faturamento da rede teve alta de 35% no último ano, incluindo melhora na margem de lucro do negócio.
O dado é apresentado como declaração direta da empresária. A Coffee Lab não publicou demonstrações financeiras auditadas que comprovem o crescimento atribuído à mudança da escala, situação que torna o número uma alegação relevante para o debate, mas que precisa ser contextualizada como informação empresarial sem verificação contábil externa.
Outro ponto destacado pela dona do negócio envolve a economia operacional. Os custos com transporte teriam caído após a implementação da escala 4×3, já que cada funcionário se desloca menos vezes por semana até o local de trabalho, redução que beneficia tanto o orçamento dos colaboradores quanto eventuais subsídios oferecidos pela empresa.
A empresária também afirma que o número de lojas e a quantidade de funcionários da rede continuam os mesmos depois da mudança. Para Raposeiras, a única alteração significativa veio na organização interna dos processos e na busca por maior eficiência operacional, ajustes considerados essenciais para que o novo modelo não pesasse no caixa do negócio durante o período de adaptação inicial.
A causalidade entre escala e crescimento exige cautela
É importante destacar que correlação não significa necessariamente causalidade nesse tipo de discussão. O fato de o faturamento ter subido 35% no mesmo período em que a empresa adotou a escala 4×3 não prova automaticamente que o novo modelo de trabalho tenha sido o responsável direto pelo crescimento financeiro do negócio.
Outras variáveis podem ter contribuído para o resultado relatado. Campanhas de marketing, mudanças no contexto econômico, aumento de demanda específico no setor de cafeterias gourmet ou outros fatores operacionais podem ter influenciado o desempenho sem qualquer relação direta com a jornada dos funcionários no balcão de atendimento.
A própria empresária, no entanto, atribui boa parte do resultado à mudança. Para Raposeiras, o fato de os trabalhadores atuarem com mais bem-estar contribui diretamente para o aumento da produtividade e para a melhora na qualidade do atendimento prestado aos clientes da rede em São Paulo durante esses oito meses.
Sem dados independentes que confirmem essa relação, a leitura mais segura é tratar o caso como exemplo empresarial relevante para o debate público em curso. A Coffee Lab oferece um experimento prático que merece acompanhamento por economistas, especialistas em relações de trabalho e demais empresários interessados no tema da redução de jornada no varejo brasileiro.
A visão da empresária sobre o impacto na vida do trabalhador
Isabela Raposeiras já trabalhou em jornadas de 12 horas em outros empregos antes de fundar a Coffee Lab. Essa vivência pessoal influenciou diretamente a decisão de testar um modelo alternativo dentro da própria empresa, segundo a empresária relata em entrevistas concedidas à imprensa especializada.
Para ela, o ganho mais significativo da escala 4×3 está fora da planilha financeira. Os funcionários deixaram de passar duas ou três horas por dia em transporte público em vários dias da semana, conquista que permite tempo livre para descanso, atividades pessoais e convívio familiar dentro da rotina semanal de cada profissional.
A empresária argumenta que esse bem-estar acaba se refletindo no desempenho dentro da loja. Funcionários descansados teriam mais energia para o atendimento, lidariam melhor com clientes e ofereceriam experiência de compra mais agradável, o que, segundo ela, contribuiria para o aumento das vendas registrado pela rede no período recente.
Vale ressaltar que essas afirmações vêm exclusivamente da empresária. Uma reportagem mais completa sobre o caso poderia incluir depoimentos dos próprios funcionários sobre a percepção do novo modelo, situação que enriqueceria o debate público sobre os ganhos reais da escala 4×3 para quem está na ponta da operação no varejo brasileiro durante essas mudanças.
O debate sobre o fim da 6×1 no Congresso
A experiência da Coffee Lab acontece em meio a uma discussão nacional que segue avançando no Congresso brasileiro. Três propostas principais estão em análise nas comissões da Câmara dos Deputados e devem chegar ao plenário nos próximos meses para votação definitiva.
A primeira é o Projeto de Lei 1838/26, apresentado pelo governo federal. A proposta reduz a jornada padrão de 44 para 40 horas semanais, garante dois dias de descanso e proíbe o corte de salários durante a transição para o novo modelo de trabalho em todo o país.
A segunda iniciativa é uma Proposta de Emenda Constitucional apresentada pela deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo. Esse texto foca especificamente no fim da escala 6×1, modelo bastante comum em setores como comércio, alimentação e serviços, configurando um dos pontos mais sensíveis da discussão entre representantes do setor empresarial.
A terceira proposta é uma PEC apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais. Esse texto sugere redução gradual da jornada de trabalho, formato que tenta encontrar caminho intermediário entre as demandas dos trabalhadores e as preocupações empresariais sobre o impacto econômico em diferentes setores da economia brasileira atual.
O que esperar da continuidade do debate
Especialistas e representantes sindicais têm destacado que o tempo de descanso é considerado fator central para a segurança no emprego e para o respeito ao indivíduo dentro do ambiente de trabalho. As propostas seguem em análise em comissões especiais antes da votação em plenário, com cronograma ainda incerto entre os parlamentares envolvidos no tema.
O setor empresarial costuma apresentar visão diferente sobre o assunto. Representantes de empresas argumentam que a redução de jornada pode aumentar custos operacionais, reduzir a competitividade e gerar pressão sobre vagas de emprego, especialmente em pequenas e médias empresas que operam com margem apertada em diferentes setores do varejo nacional.
A experiência específica da Coffee Lab serve como exemplo de aplicação voluntária em um nicho específico do mercado. O case de uma rede de cafeterias de alto padrão em São Paulo, no entanto, pode não refletir necessariamente o que aconteceria em outros segmentos econômicos, como indústria pesada, agronegócio, comércio popular ou serviços de grande escala com volume diferente de funcionários no quadro.
A continuidade do debate público vai depender tanto da tramitação no Congresso quanto da experiência prática de outras empresas que decidam testar formatos alternativos. Cada novo caso ajuda a calibrar a discussão e a fornecer dados reais para parlamentares, sindicatos, empresários e trabalhadores envolvidos diretamente no futuro da jornada de trabalho brasileira em diferentes setores da economia nos próximos anos.
E você, trabalharia em uma empresa que adota a escala 4×3 com três dias de folga semanais, ou prefere o modelo tradicional de 5×2 com dois dias de descanso a cada semana? Acredita que esse tipo de mudança pode mesmo melhorar a produtividade no varejo brasileiro?
Conta aí nos comentários se você apoia o fim da escala 6×1 em discussão no Congresso, se trabalha em algum setor que poderia se beneficiar de jornadas diferentes e como você imagina que essa transformação afetaria a economia brasileira em geral. A discussão ajuda a entender como o trabalhador e o consumidor brasileiro estão enxergando esse debate que pode redesenhar a relação entre tempo de trabalho e qualidade de vida nos próximos anos no país inteiro.

Seja o primeiro a reagir!