Quase um século após quebrar a marca de 240 km/h, o Blue Bird retorna à praia onde fez história, agora como peça de celebração.
Um ícone do automobilismo de volta ao lugar onde fez história. Em 1925, o Blue Bird foi o primeiro carro a ultrapassar 240 km/h. Agora, ele voltará à mesma praia para uma homenagem marcante.
Recorde histórico em 1925
No dia 21 de julho de 1925, o carro Blue Bird entrou para a história. Com 350 cavalos de potência e um motor V12 Manitou de 18 litros, ele alcançou 150,76 mph (ou 242,628 km/h) na praia de Pendine Sands, no País de Gales.
O responsável pela façanha foi Malcolm Campbell, ícone do automobilismo britânico. Essa foi a primeira vez que alguém superou a marca das 150 milhas por hora em terra.
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O feito atraiu a atenção do mundo. Na época, atingir essa velocidade era algo inacreditável. Hoje, esse número é comum em pistas e rodovias especiais, mas há um século, foi um verdadeiro marco.
Retorno ao local da conquista
Agora, quase 100 anos depois, o Blue Bird está prestes a retornar a Pendine Sands. O carro original será levado à praia para uma cerimônia simbólica. O evento contará com a presença do neto de Campbell, Don Wales. Segundo a Reuters, os engenheiros do Museu Nacional do Automóvel vão ligar o carro para marcar a data.
Após essa ativação, o Blue Bird será levado até a areia para uma foto estática. Depois disso, será exibido na frente do Museu da Velocidade Terrestre, celebrando o centenário do recorde.
Legado da velocidade
O feito de Campbell em 1925 despertou o fascínio por velocidade. Seu neto comentou que a marca de 150 mph criou uma “mania” que tomou conta da sociedade. “Todo mundo queria saber quem tinha o recorde de velocidade em terra”, disse Don Wales.
Antes disso, Campbell já havia batido 146,16 mph na mesma praia, em 1924. E em 1935, foi o primeiro a romper a marca de 300 mph, dessa vez no deserto de Bonneville, nos Estados Unidos.
Desde então, os recordes seguiram crescendo. Em 1997, Andy Green, da Força Aérea Real Britânica, atingiu 1.227,785 km/h com o jato Thrust SSC, quebrando a barreira do som em terra.
Apesar de projetos como o Bloodhound e o Aussie Invader 5R tentarem superar 1.600 km/h, o atual recorde ainda não foi quebrado.
Conservação e dificuldades do motor
O Blue Bird está hoje preservado no Museu Nacional do Automóvel, em Beaulieu. Após décadas esquecido em um celeiro, foi restaurado e guardado no museu. Em 1993, uma tentativa de ligá-lo falhou. O motor estava travado, com danos em bielas, pistões e outras peças.
Segundo o engenheiro-chefe Ian Stanfield, a restauração durou dez anos. Foi um trabalho difícil, já que a fábrica original da Sunbeam foi destruída na Segunda Guerra Mundial.
Com poucos recursos, o time precisou pedir peças emprestadas ou mandar fabricar componentes específicos.
Mesmo com o desafio, o carro foi recuperado. Agora, está pronto para reviver parte de sua história, ainda que apenas de forma simbólica.
Mesmo com o avanço da Fórmula 1 e da corrida espacial, o espírito que impulsionou pioneiros como Malcolm Campbell ainda inspira.
O retorno do Blue Bird às areias de Pendine Sands marca mais do que um aniversário: é uma lembrança viva do desejo humano de superar limites.
