Colocar bandeira no capô do carro não aumenta a temperatura do motor, mas pode gerar problemas graves se estiver mal fixada.
O principal risco de usar uma bandeira no capô do carro durante os jogos da Seleção Brasileira não está no aumento da temperatura do motor. O perigo aparece quando o tecido é preso de forma improvisada e pode se soltar com o movimento do veículo, cobrir o para-brisa ou atingir outras pessoas na via.
A avaliação é do especialista em motores Erwin Franieck, conselheiro da SAE Brasil para o MobiAuto. Segundo ele, cobrir a parte externa do capô não compromete o sistema de arrefecimento, porque o calor do motor não é eliminado por meio dessa chapa.
O cuidado dos torcedores deve estar, portanto, na fixação do acessório, especialmente quando o automóvel circula em velocidades mais altas.
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Bandeira no capô do carro interfere no arrefecimento?
Apesar de cobrir uma grande área sobre o compartimento do motor, a bandeira no capô do carro não impede que o veículo controle sua temperatura.
O arrefecimento depende do radiador, do líquido responsável pela troca térmica e do fluxo de ar que entra pela parte frontal do automóvel. Esse conjunto foi projetado para retirar o excesso de calor produzido durante o funcionamento do motor.
A chapa do capô não exerce essa função. Por isso, colocar um tecido sobre sua superfície externa não obriga o motor a trabalhar em temperaturas mais elevadas. De acordo com Franieck, o sistema térmico do veículo é otimizado pela passagem frontal do ar, e não pela liberação de calor através do capô.
A própria construção do automóvel reforça que a chapa não é utilizada como uma área principal de dissipação térmica.
O capô costuma receber uma manta com funções térmica e acústica. Esse material ajuda a manter parte do calor dentro do compartimento e também reduz a quantidade de ruído transmitida para fora do veículo.
Isso significa que o capô atua mais como elemento de isolamento do que como responsável por resfriar o motor. Por essa razão, uma aplicação externa, como a bandeira usada pelos torcedores, não interfere diretamente no funcionamento do radiador ou na circulação do líquido de arrefecimento.
Fixação improvisada pode bloquear a visão do motorista
Embora não cause superaquecimento, a bandeira no capô do carro exige atenção antes de o veículo começar a circular. Uma amarração frágil pode ceder com a força do vento. Caso o tecido se solte parcialmente, existe o risco de ele avançar sobre o para-brisa e reduzir ou bloquear a visão de quem dirige.
O problema pode acontecer de forma repentina, deixando pouco tempo para reação e comprometendo o controle do automóvel. Franieck destaca que existem formas mais seguras de personalizar o carro, como adesivagem profissional e sistemas de amarração capazes de manter o acessório estável durante o deslocamento.

O risco está principalmente nas soluções improvisadas, que não oferecem resistência suficiente à movimentação do ar.
Baixa velocidade reduz o risco, mas não elimina os cuidados
Em trajetos urbanos realizados entre 30 e 40 km/h, o risco é considerado praticamente nulo quando a bandeira está corretamente instalada.
A velocidade menor reduz a pressão do vento sobre o tecido e diminui a possibilidade de desprendimento. Ainda assim, o motorista deve verificar se as pontas estão firmes e se nenhuma parte pode alcançar o para-brisa.
Também é necessário observar se a instalação interfere em outras áreas do automóvel ou na visibilidade durante a condução. Antes de sair, o condutor deve testar a estabilidade da bandeira no capô do carro e evitar materiais ou amarrações que possam ceder com facilidade.
Nas estradas, a situação muda porque a velocidade mais alta amplia a força exercida pelo ar sobre qualquer objeto instalado na parte externa do veículo. Uma bandeira mal presa pode se desprender, atingir outro automóvel ou surpreender motociclistas e demais usuários da rodovia.
O alerta não se limita aos tecidos que cobrem o capô. Até pequenas bandeiras colocadas nos vidros podem escapar da fixação e se transformar em objetos perigosos.
Por isso, uma instalação que parece segura no trânsito urbano pode não resistir às condições encontradas em uma rodovia. Quem pretende viajar com o carro decorado deve redobrar a atenção e evitar levar para a estrada acessórios cuja estabilidade não possa ser garantida.
Como usar a bandeira no carro com mais segurança?
O torcedor pode decorar o veículo sem preocupação com a temperatura do motor, desde que concentre os cuidados na instalação.
A bandeira no capô do carro precisa permanecer firme mesmo com o movimento e não pode ter partes soltas capazes de alcançar o para-brisa. Fixações improvisadas devem ser evitadas, sobretudo quando o trajeto inclui vias rápidas.
Soluções profissionais, como adesivos próprios para o veículo, reduzem a possibilidade de o material se desprender. Sistemas de amarração estáveis também podem ser usados quando impedem que o tecido se movimente livremente.
A checagem deve ser feita antes de cada deslocamento, principalmente depois de períodos de uso ou exposição ao vento.
Motor não é o problema; segurança deve vir primeiro
Estender a bandeira sobre o automóvel continua sendo uma forma de demonstrar apoio à Seleção Brasileira. Do ponto de vista do arrefecimento, a prática não prejudica o funcionamento do veículo nem eleva a temperatura do motor.
O radiador, o líquido de arrefecimento e a entrada frontal de ar continuam responsáveis pelo controle térmico, independentemente da presença da bandeira sobre o capô. Antes de entrar no clima dos jogos, o torcedor deve garantir que a decoração esteja tão segura quanto o restante do veículo.
Fonte: MobiAuto
