Vender doces começou como teste artesanal em Carmópolis, Minas Gerais, após a perda de renda de Maria José de Lima Freitas. Segundo a Universa, a Mazé Doces buscou orientação do Sebrae, registrou empresa, abriu loja própria, criou cerca de 70 variações e produz até 5 toneladas mensais no Sudeste brasileiro.
Vender doces foi o primeiro passo de Maria José de Lima Freitas para criar a Mazé Doces em Carmópolis, Minas Gerais. A trajetória publicada pela Universa em 8 de fevereiro de 2019 começa com uma produção pequena, passa por cursos, reinvestimento, formalização e chega a uma fábrica com 21 funcionários.
O caso tem momentos difíceis, mas a força da história está no caminho empresarial construído ao longo dos anos. Entre a primeira venda de cerca de R$ 20 e a produção mensal de três a cinco toneladas, a marca passou por aprendizado técnico, crédito, gestão, loja própria e distribuição regional.
Perda de renda mudou a direção profissional
Maria José de Lima Freitas, conhecida como Mazé, trabalhava na limpeza de uma cooperativa de crédito em Carmópolis. Ela ficou quatro anos nesse emprego e, segundo a reportagem, gostava da rotina que tinha construído ali.
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A mudança veio quando voltou da licença-maternidade e foi desligada. A perda da renda fixa alterou os planos da família e abriu uma fase de incerteza, mas o texto não se resume a esse ponto: a virada da Mazé Doces veio da capacidade de transformar uma produção caseira em negócio estruturadoo.
Primeira venda mostrou que havia demanda
Depois de usar o dinheiro da rescisão por um período e procurar recolocação, Maria José decidiu testar uma receita artesanal. A fonte relata que o primeiro lote foi feito com leite comprado fiado e um tacho emprestado.
A primeira venda rendeu cerca de R$ 20. Parte do valor foi usada para alimentação e parte voltou para novos ingredientes. A partir dali, vender doces deixou de ser apenas um teste pontual e passou a indicar uma demanda local que poderia ser trabalhada com mais método.
Habilidade vinha da infância no campo
A relação de Mazé com doces começou antes da empresa. Na infância no campo, ela tinha contato com receitas feitas em casa e ajudava em preparos que envolviam frutas e açúcar.
Na entrevista à Universa, ela contou que nem sempre gostava dessa tarefa quando era menina. Mesmo assim, aquele conhecimento prático voltou anos depois como uma base importante para a produção artesanal que daria origem à Mazé Doces.
Lanchonete ajudou a abrir outro mercado
Depois das primeiras vendas, Maria José ofereceu os doces a uma lanchonete de Carmópolis. O dono perguntou se ela fazia doce cristalizado, uma receita que ainda não dominava.
Ela buscou aprender com uma doceira da região e tentou produzir. A primeira experiência não saiu como esperado, mas foi vendida mesmo assim. Esse episódio mostrou que o negócio exigiria mais do que receita: seria preciso aprender técnica, ouvir crítica e ajustar o produto.
Crítica virou motivo para buscar curso
Em uma festa da cidade, o dono da lanchonete experimentou os doces e fez críticas ao resultado. O comentário poderia ter parado a iniciativa, mas acabou funcionando como um alerta sobre qualidade e padronização.
Maria José soube de um curso em uma cidade próxima e decidiu se aprofundar. Depois das aulas, percebeu que precisava melhorar a cozinha e os processos. A partir desse ponto, vender doces passou a envolver formação, investimento e visão de pequena empresa.
Crédito ajudou a melhorar a estrutura
Para investir na cozinha, Maria José tentou um empréstimo de R$ 5 mil no banco, mas não conseguiu aprovação. A alternativa foi buscar dinheiro com pessoas conhecidas, com juros mais altos.
A dívida levou quatro anos e meio para ser quitada, em 2004. O dado mostra que o crescimento teve custo e planejamento. Em vez de tratar a dívida como símbolo de sofrimento, a trajetória revela um desafio de capital comum a pequenos negócios que precisam crescer sem acesso fácil a crédito.
Sebrae entrou na trajetória por orientação
Em busca de informação, Mazé ligou de um orelhão para o Sebrae. A instituição enviou a cartilha Ponto de Partida, com orientações sobre desenvolvimento de negócio.
A empreendedora relatou que precisava produzir e, ao mesmo tempo, entender termos, contas e funcionamento de uma pequena empresa. Para acompanhar essa etapa, voltou a estudar e concluiu o Ensino Médio. A profissionalização virou parte central da Mazé Doces.
Pedido da lanchonete confirmou a mudança
As primeiras críticas do comerciante aconteceram em julho de 1999. Em setembro, Maria José refez os doces e mandou uma nova produção para a casa dele.
Pouco depois, a mulher do dono da lanchonete apareceu e informou que ele queria comprar tudo o que houvesse disponível. Na época, eram 16 bandejas, que renderam R$ 64. O episódio marcou uma virada: o produto ajustado encontrou comprador recorrente.
Produção caseira virou rotina comercial
Durante cerca de quatro anos, Maria José continuou fazendo doces tradicionais em casa e cristalizados para a lanchonete. A renda passou a cobrir gastos básicos, e o que sobrava era reservado para novos passos.
Em 2003, ela contratou a primeira funcionária. Em 2004, fez o Empretec, curso do Sebrae. Esses movimentos reforçam que vender doces se transformou em atividade organizada antes mesmo da formalização completa da empresa.
Empresa foi registrada e ganhou fábrica
Em 2005, Maria José registrou formalmente a empresa. No mesmo ano, comprou um terreno e montou a fábrica da Mazé Doces em Carmópolis.
Naquele momento, a operação já tinha mais estabilidade. Segundo a reportagem, só para a lanchonete ela vendia semanalmente entre R$ 600 e R$ 800. O negócio que começou com produção pequena passou a ter espaço próprio e estrutura de fabricação.
Loja própria ampliou o catálogo
Em 2007, Maria José inaugurou a loja própria da Mazé Doces. O espaço passou a vender compotas, geleias, doces em barra e cristalizados.
Ao todo, a empresa chegou a cerca de 70 variações de produtos. Esse catálogo ajudou a tirar a marca da dependência de poucos itens e fortaleceu a presença da Mazé Doces no mercado regional.
Expansão em Divinópolis não deu certo
A trajetória também teve uma tentativa que não funcionou. Empolgada com o crescimento, Mazé abriu outra loja em Divinópolis, mas o retorno esperado não veio.
Ela fechou rapidamente a unidade, administrou as dívidas que ficaram e conseguiu se reorganizar. Esse ponto é importante porque mostra a empresa com mais realismo: crescer envolve testar, errar, corrigir rota e proteger a operação principal.
Produção chegou a até 5 toneladas por mês
Segundo a Universa, a Mazé Doces passou a produzir de três a cinco toneladas de doces por mês. Os produtos podem ser encontrados em vários estados da região Sudeste.
A empresa também chegou a 21 funcionários. A produção artesanal que começou pequena ganhou fábrica, loja, equipe e distribuição. A palavra-chave da trajetória não é apenas vender doces, mas estruturar um negócio em torno deles.
Rotina continuou próxima da fábrica
Na entrevista, Maria José afirmou que passou a viver com conforto e realizou alguns sonhos, como investir em carros e viajar para destinos como Paris, Punta del Este e Chile.
Mesmo com a empresa consolidada, ela continuava indo diariamente à fábrica para supervisionar processos. A presença na operação mostra que a Mazé Doces manteve uma relação direta entre fundadora, produto e controle de qualidade.
Quando vender doces vira empresa regional
A história de Maria José de Lima Freitas mostra que vender doces pode começar em escala pequena, mas exige mais do que uma boa receita para virar empresa. No caso da Mazé Doces, houve crítica, curso, crédito, reinvestimento, formalização, fábrica, loja e equipe.
A pergunta que fica é: o que mais pesa em uma virada como essa, a primeira ideia, a coragem de testar o produto ou a decisão de estudar gestão para transformar uma receita em negócio? Deixe sua opinião nos comentários.

