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Pesquisador australiano transforma a borra de café jogada fora num tijolo assado a 400 graus que polui 80% menos e é duas vezes mais resistente que o exigido por lei

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 29/06/2026 às 17:16 Atualizado em 29/06/2026 às 17:22
Pesquisadores da Swinburne, na Austrália, fizeram o tijolo de borra de café com argila a 400 graus: polui 80% menos, é 2x mais forte e mira a construção civil.
Pesquisadores da Swinburne, na Austrália, fizeram o tijolo de borra de café com argila a 400 graus: polui 80% menos, é 2x mais forte e mira a construção civil.
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Na Austrália, pesquisadores da Swinburne transformaram a borra de café jogada fora num tijolo de borra de café assado a menos de 400 graus: feito de argila e café, ele polui até 80% menos e é duas vezes mais resistente do que o exigido por lei, prometendo baratear a construção civil.

Aquela borra de café que sobra no coador pode virar parede. Foi o que mostraram pesquisadores da Swinburne, na Austrália, ao transformar o resíduo do café num tijolo de verdade. Em vez de jogar a borra no lixo, eles a misturaram com argila e assaram a peça a uma temperatura bem mais baixa que a de um tijolo comum. O resultado é um tijolo de borra de café que polui até 80% menos e é duas vezes mais resistente do que a lei exige.

A inovação foi divulgada pela própria Swinburne, universidade australiana por trás do projeto. O segredo está na temperatura: o tijolo é assado a menos de 400 graus, contra os mais de mil graus de um tijolo tradicional, o que derruba o gasto de energia. Menos calor, menos emissão e mais resistência, tudo a partir de um resíduo que ia para o lixo.

Um tijolo assado a menos de 400 graus

Pesquisadores da Swinburne, na Austrália, fizeram o tijolo de borra de café com argila a 400 graus: polui 80% menos, é 2x mais forte e mira a construção civil.
O coração da invenção é a temperatura.

Um tijolo comum precisa ser queimado em fornos a mais de mil graus, um processo que consome muita energia e libera muito carbono.

O tijolo de borra de café da Swinburne, ao contrário, é assado a menos de 400 graus, uma temperatura cerca de 80% mais baixa. Isso muda tudo na conta de energia.

Misturando a borra de café com argila e um ativador, a equipe conseguiu um tijolo firme sem precisar do calor extremo. Menos forno quente significa menos combustível, menos emissão e menos custo. É o mesmo tijolo de parede, só que feito de um jeito muito mais econômico.

Não é o concreto de café: é tijolo

Vale separar essa invenção de uma parecida que já circulou. Pesquisadores da RMIT, também na Austrália, criaram um concreto reforçado com borra de café, em que o resíduo vira um pó que deixa o cimento mais forte.

O caso da Swinburne é diferente: aqui a borra de café não entra no concreto, e sim vira o próprio tijolo de argila assado. São dois caminhos distintos para o mesmo resíduo.

No concreto, o café reforça a mistura de cimento; no tijolo, ele faz parte do bloco queimado. A Swinburne foca em substituir o tijolo de barro tradicional, não em melhorar o concreto. Por isso o tijolo de borra de café é uma novidade à parte.

Como a borra de café vira tijolo

O processo é mais simples do que parece. A equipe da Swinburne pega a borra de café usada, mistura com argila e adiciona um ativador alcalino, um ingrediente que ajuda o material a ganhar firmeza.

Essa mistura é então moldada e assada na temperatura baixa, virando um tijolo de borra de café pronto para construir. A borra, que seria descartada, entra como parte da matéria-prima.

A argila continua sendo a base, mas com um reforço sustentável do café. No fim, sai um bloco de construção comum aos olhos, mas verde na origem. É reciclagem transformada em material de obra.

Polui 80% menos e é 2x mais forte que a lei exige

Pesquisadores da Swinburne, na Austrália, fizeram o tijolo de borra de café com argila a 400 graus: polui 80% menos, é 2x mais forte e mira a construção civil.
Os números são o que tornam o tijolo promissor.

Por ser assado a temperatura muito menor, o tijolo reduz em até 80% as emissões de carbono ligadas à energia, comparado ao tijolo tradicional, segundo a Interesting Engineering.

E não é frágil: a resistência do bloco chega ao dobro do mínimo exigido pela norma australiana de construção. Ou seja, polui muito menos e ainda aguenta mais peso.

Geralmente, material sustentável vem com a fama de ser mais fraco, mas aqui é o contrário. Ter um tijolo mais limpo e mais forte ao mesmo tempo é o tipo de combinação rara que chama a atenção da indústria.

Da Swinburne para o mercado, com a Green Brick

A invenção já deu o passo do laboratório para o negócio. Em 2025, a Swinburne anunciou um acordo de licenciamento da tecnologia com a empresa Green Brick, para levar os tijolos ao mercado.

Sair do protótipo e firmar uma parceria comercial é o que separa uma boa ideia de um produto que pode, de fato, chegar às obras. Com o licenciamento, a fabricação em escala fica mais perto.

A Swinburne entra com a ciência, e a Green Brick com a produção. É a ponte entre a pesquisa e a construção real.

Por que isso importa para a construção civil

O impacto vai muito além de um tijolo bonito. A fabricação de tijolos é uma das atividades mais poluentes da construção civil, justamente por causa dos fornos a altíssima temperatura.

Cortar esse calor em 80% atacaria uma das maiores fontes de emissão do setor, sem abrir mão da resistência. Some-se a isso o reaproveitamento da borra de café, um resíduo que a Austrália produz às toneladas todo ano.

Em vez de apodrecer em aterro e soltar gases, o café vira parede. Para a construção civil, é a chance de baixar a pegada de carbono usando um lixo abundante.

O que a invenção mostra

A maior lição é que sustentabilidade e desempenho podem andar juntos. O tijolo de borra de café da Swinburne polui menos, custa menos energia e ainda é mais forte que o exigido, derrubando a ideia de que material verde é material fraco.

Vale, claro, manter o pé no chão. A tecnologia ainda precisa ganhar escala industrial e provar que funciona em grande volume, e o licenciamento com a Green Brick é o começo desse caminho, não o fim.

Ainda assim, ver a borra de café da Austrália virar um tijolo mais limpo e mais resistente é o tipo de inovação que aponta o futuro da construção civil. De resíduo de cafeteria a bloco de parede, a Swinburne mostrou que dá para construir gastando menos energia e jogando menos coisa fora, e que a próxima parede da sua casa pode começar no fundo da sua xícara.

E você, moraria numa casa feita de tijolos de borra de café? Conta pra gente nos comentários o que acha desse tipo de material sustentável.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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