Projeto em análise na Câmara mira a progressão automática, amplia discussões sobre aprendizagem e preocupa estudantes diante de possíveis avaliações mais rígidas
Uma proposta educacional de grande impacto voltou ao centro das discussões no Brasil, chamando atenção de estudantes, famílias e profissionais da educação. O Projeto de Lei 5.136/2019, apresentado pelo deputado Bibo Nunes (PL-RS), propõe proibir a chamada “aprovação automática” nas escolas brasileiras, com exceções para a educação infantil e situações ligadas à saúde dos estudantes.
O texto foi aprovado em julho do ano passado pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e, desde então, segue em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Nas últimas semanas, o deputado Bacelar (PV-BA) foi designado relator da proposta, substituindo a deputada Rosangela Moro (União-SP), escolhida anteriormente em setembro do ano passado. Esse avanço reacendeu o debate sobre critérios de avaliação, progressão escolar e possibilidade de reprovação no país.
Projeto reacende debate sobre aprovação automática
A proposta busca impedir que estudantes avancem automaticamente sem comprovar aprendizagem suficiente dentro do sistema escolar. O autor do projeto, Bibo Nunes, afirmou em 2019, quando protocolou a matéria, que a promoção automática serviria apenas para fins estatísticos, além de desmotivar estudantes e profissionais envolvidos no processo educacional.
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Segundo o parlamentar, esse modelo também causaria uma falsa sensação de sucesso pessoal, educacional, social e econômico. A justificativa fortaleceu a defesa de avaliações mais criteriosas e colocou novamente em discussão o funcionamento da progressão continuada nas redes de ensino.
Como funciona a progressão continuada no Brasil
A progressão continuada não significa que alunos de escolas públicas nunca possam ser reprovados. Na prática, o ciclo de aprendizagem costuma ser mais longo do que um ano letivo, normalmente com duração entre dois e três anos. Durante esse período, os estudantes seguem avançando dentro do ciclo e recebem medidas de reforço escolar.
A reprovação, portanto, ainda pode acontecer ao final desse ciclo, caso o aluno não alcance os objetivos esperados. Esse modelo busca evitar repetências anuais imediatas e prioriza o acompanhamento pedagógico ao longo de um período maior.
Estados já adotaram ciclos mais longos de aprendizagem
De acordo com levantamento da BBC News Brasil de 2024, nove estados haviam aderido ao sistema de progressão continuada. Entre eles estavam Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, que adotaram formatos de ciclos mais longos em suas redes.
O jornal O Globo também explicou que o modelo popularmente chamado de “aprovação automática” é liberado atualmente apenas para o ensino fundamental. Esse cenário mostra que a discussão envolve diferentes redes estaduais e modelos de avaliação já aplicados no país.
Alunos temem reprovação com avaliações mais rígidas
A possibilidade de mudança aumentou a preocupação de estudantes diante de critérios mais duros de desempenho. Caso o projeto avance, escolas poderão reforçar exigências ligadas ao aproveitamento escolar, à frequência e ao acompanhamento da aprendizagem.
Esse temor cresceu porque a proposta reacende a chance de reprovação em um cenário educacional que, em algumas redes, prioriza ciclos de recuperação e reforço. A discussão, porém, ainda depende da tramitação legislativa e da análise final na Câmara dos Deputados.
O futuro das avaliações escolares no Brasil
O projeto continua em análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, etapa necessária antes de novas movimentações na Câmara. Enquanto isso, o tema segue dividindo opiniões entre quem defende critérios mais rígidos e quem considera os ciclos de aprendizagem importantes para reduzir repetências imediatas.
A proposta coloca em evidência um dilema central da educação brasileira: como garantir aprendizagem real sem transformar a reprovação em uma barreira ainda maior para os estudantes?
