Farmácias, supermercados e lojas de roupa já adotam a escala 5×2 no Brasil sem esperar o Congresso decidir. Drogarias Pacheco, São Paulo, H&M, Pague Menos e Grupo Supernosso implementaram dois dias de folga semanais para seus funcionários. Estudo da 4 Day Week com a FGV mostrou que 72% das empresas que testaram jornadas reduzidas tiveram aumento nas receitas.
Enquanto o Congresso Nacional ainda debate se vai ou não acabar com a escala 6×1, empresas brasileiras de grande porte já decidiram por conta própria. A escala 5×2, que garante dois dias consecutivos de descanso por semana, está sendo adotada por redes de farmácias, supermercados e lojas de roupa que não quiseram esperar a aprovação de uma lei para melhorar as condições de trabalho de seus funcionários. O Grupo DPSP, responsável pelas Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo, implementou a escala 5×2 em todas as suas unidades desde agosto, beneficiando cerca de 24 mil dos 30 mil trabalhadores do grupo. A multinacional sueca H&M, a rede de supermercados Pague Menos e o Grupo Supernosso seguem o mesmo caminho.
O argumento das empresas que adotaram a escala 5×2 é respaldado por dados. Um estudo da organização 4 Day Week com 19 empresas brasileiras, realizado em parceria com a FGV em 2024, mostrou que 72% das participantes tiveram aumento nas receitas após um ano sob jornada reduzida. Cerca de 79% dos funcionários relataram sensação de bom-humor no experimento, com redução de 58,2% no desgaste emocional no trabalho. Os números indicam que dar mais descanso não é custo, é investimento, e as empresas que saíram na frente estão colhendo os resultados enquanto o Congresso debate.
Quais empresas já adotaram a escala 5×2 no Brasil
Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, a transição para a escala 5×2 já começou em setores que tradicionalmente operam com a jornada 6×1, como varejo e comércio. As Drogarias Pacheco e a Drogaria São Paulo foram pioneiras ao implementar a mudança em todas as unidades do Grupo DPSP, com exceção das lojas que não possuem expediente aos domingos. O CEO Marcos Colares explicou que “a mudança traz mais equilíbrio e bem-estar para a vida dos nossos colaboradores, permitindo maior tempo de descanso em sequência”, e que o impacto positivo na saúde física e mental se reflete na qualidade do atendimento.
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Um ciclo vicioso que pode afetar, tanto a produção, quanto a demanda. Este é o cenário que está sendo construído pela política monetária empreendida pelo Banco Central (BC), que se obriga a manter um aperto monetário (vide Selic hoje no patamar de 14,25% ao ano), para conter uma inflação resiliente (projetada em 5,33% para 2026 pelo boletim Focus), como reflexo do desajuste fiscal (despesas superam receitas) patrocinado pelo governo federal, ‘de olho’ no pleito de outubro próximo.
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A H&M, gigante sueca de moda que chegou ao Brasil em agosto de 2025, adotou a escala 5×2 desde o início de suas operações no país. A decisão foi motivada pela busca de “qualidade de vida” e pela intenção de igualar as condições entre funcionários das lojas e das áreas administrativas, segundo o CEO Joaquim Pereira. A rede de supermercados Pague Menos, presente em 21 cidades do interior de São Paulo, anunciou que ampliará a escala 5×2 a partir de 2026. O Grupo Supernosso iniciou um projeto piloto em março com o objetivo de “reduzir a carga emocional e física” dos funcionários.
O que muda para o trabalhador na escala 5×2 em comparação com a 6×1
A diferença entre a escala 5×2 e a 6×1 parece pequena no papel, mas é transformadora na prática. Na escala 6×1, o trabalhador tem apenas um dia de folga por semana, o que significa que ele trabalha seis dias consecutivos antes de descansar um, um ritmo que acumula fadiga física e emocional ao longo de meses. Na escala 5×2, são dois dias consecutivos de descanso, tempo suficiente para que o corpo se recupere e a mente se desligue das pressões do trabalho.
Os dados do estudo da 4 Day Week e da FGV confirmam a percepção dos trabalhadores. A redução de 58,2% no desgaste emocional reportada pelos participantes não é um número abstrato: significa menos burnout, menos afastamentos por problemas de saúde mental e menos rotatividade, três problemas que custam bilhões às empresas brasileiras todos os anos. Para os 24 mil funcionários do Grupo DPSP que passaram para a escala 5×2, a mudança é concreta: mais tempo com a família, mais disposição para trabalhar e menos ressentimento em relação ao empregador.
O que o Congresso está fazendo sobre o fim da escala 6×1
Enquanto empresas já operam com a escala 5×2, o Congresso se movimenta em ritmo próprio. Na terça-feira (14), o governo Lula enviou um projeto de lei para reduzir a carga semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. Existem também duas PECs sobre o tema na Câmara: uma apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) em 2025 e outra pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) em 2019, que foram apensadas para tramitar juntas.
A tramitação legislativa pode levar meses ou anos, e o resultado é incerto. Para as empresas que já adotaram a escala 5×2, a lei apenas formalizará o que elas já praticam. Para milhões de trabalhadores do comércio e do varejo que ainda operam em escala 6×1, a aprovação de uma lei seria a única forma de garantir dois dias de folga, já que seus empregadores não demonstram intenção de mudar voluntariamente. A diferença entre o trabalhador da Drogaria Pacheco e o da farmácia concorrente é que o primeiro já desfruta da escala 5×2 enquanto o segundo espera o Congresso decidir.
O que os CEOs dizem sobre os custos da escala 5×2
O principal argumento contra a escala 5×2 é que ela aumenta os custos operacionais ao exigir mais contratações para cobrir os turnos. Joaquim Pereira, CEO da H&M no Brasil, reconhece a preocupação mas acredita que “os ganhos em engajamento, satisfação e produtividade se traduzem em um retorno positivo tanto para a equipe quanto para a experiência dos clientes”, ou seja, o custo adicional de contratar mais pessoas é compensado pela maior produtividade e menor rotatividade dos funcionários existentes.
O Grupo Supernosso optou por uma abordagem diferente. A rede de supermercados manteve a carga horária de 44 horas semanais previstas em lei, mas distribuiu essas horas em cinco dias em vez de seis. Na prática, os funcionários das unidades piloto passaram a cumprir jornadas de 8h48 por dia, em vez de 7h20 na escala 6×1. Essa solução permite a escala 5×2 sem necessidade de contratações adicionais, embora torne cada dia de trabalho mais longo. Para os trabalhadores, a troca de um dia de folga extra por jornadas diárias mais longas tem sido aceita positivamente.
Por que a escala 5×2 pode se tornar padrão no Brasil
A tendência é clara: empresas que adotam a escala 5×2 relatam resultados positivos, e a legislação caminha na direção de tornar a mudança obrigatória. Se o projeto de lei do governo Lula for aprovado, a jornada de 40 horas semanais com dois dias de descanso se tornará o padrão legal, e as empresas que já operam nesse modelo terão vantagem competitiva por já terem feito a transição. As que resistirem precisarão se adaptar sob pressão, com custos possivelmente maiores.
Para os trabalhadores brasileiros, a escala 5×2 representa mais do que dois dias de folga. É a diferença entre um modelo de trabalho que consome a vida pessoal e um modelo que reconhece que descanso é produtividade, não desperdício. As farmácias, supermercados e lojas que saíram na frente já provaram que o modelo funciona. Agora resta saber se o Congresso vai alcançar o que o mercado já decidiu.
Grandes redes de farmácias e supermercados já adotam a escala 5×2 antes do Congresso decidir. Você trabalha em escala 6×1? Como isso afeta sua vida? Sua empresa deveria mudar? Deixe sua opinião nos comentários.

Claro que sim, deveria mudar para 5×2 ! Qualidade de vida, gera motivação no trabalho, desestimula as fraudes de atestados, melhora e aumenta a produtividade. ( Conforme estudos em estabelecimentos que já o fazem ).