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Mais de 300 pessoas saíram às ruas de Barcelona com sensores para mostrar que duas calçadas vizinhas podem ter temperaturas muito diferentes, uma com sombra e outra quente demais para caminhar

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 25/06/2026 às 20:18 Atualizado em 25/06/2026 às 20:20
Mais de 300 pessoas saíram às ruas de Barcelona com sensores para mostrar que duas calçadas vizinhas podem ter temperaturas muito diferentes
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Em Barcelona, caminhadas térmicas com sensores mediram o calor urbano no nível da calçada, revelaram como árvores, sombra, asfalto e prédios mudam a temperatura sentida e ajudaram a identificar locais onde caminhar ou esperar transporte fica mais difícil em dias quentes, uma realidade que lembra a rotina de muitas cidades brasileiras e reforça a importância de mais conforto para quem se desloca a pé.

Mais de 300 pessoas participaram de caminhadas térmicas em Barcelona para medir o calor onde ele realmente pesa, nas calçadas, praças, ruas e pontos de passagem usados todos os dias. A campanha de verão de 2024 realizou 52 caminhadas e envolveu 481 participantes em cinco áreas.

As informações foram divulgadas por Universitat de Barcelona, instituição pública espanhola de ensino e pesquisa. Os participantes usaram sensores para registrar a temperatura e também relataram como sentiam o calor em cada trecho do caminho.

O resultado ajuda a explicar uma situação comum nas cidades: uma calçada com árvores pode ser muito mais confortável, enquanto outra, a poucos metros, vira um espaço difícil de atravessar por causa do sol direto, do asfalto e da falta de sombra.

Caminhadas térmicas mostram o calor no lugar onde as pessoas passam

O projeto reuniu moradores para escolher os espaços que mais fazem parte da rotina de cada bairro. Ruas, praças, parques e caminhos usados para ir ao trabalho, à escola ou ao transporte entraram nas observações.

Caminhadas térmicas mostram o calor no lugar onde as pessoas passam
Caminhadas térmicas mostram o calor no lugar onde as pessoas passam

Depois, os grupos fizeram caminhadas com sensores. Esses equipamentos registraram a temperatura durante o trajeto e ajudaram a mostrar o que um aplicativo de clima muitas vezes não consegue explicar, a diferença de calor entre pontos muito próximos.

Os participantes também avaliaram o conforto térmico, expressão usada para descrever se um lugar parece suportável ou cansativo para caminhar, esperar ou permanecer por alguns minutos.

Essa combinação de medição e experiência real permitiu enxergar como o calor urbano afeta cada espaço. Uma temperatura geral para toda a cidade não mostra, por exemplo, o peso do sol em uma calçada sem árvores.

Cinco áreas da região metropolitana entraram no mapa do calor urbano

As caminhadas passaram por Congrés i els Indians e Sant Pere, Santa Caterina i la Ribera, em Barcelona. Também incluíram Collblanc e Torrassa, em L’Hospitalet de Llobregat, além de Sant Vicenç dels Horts e Montcada i Reixac.

A Universitat de Barcelona, instituição pública espanhola de ensino e pesquisa, registrou a participação de 481 moradores durante as 52 caminhadas térmicas da campanha de verão de 2024.

Cada área apresentou usos diferentes das ruas e dos espaços públicos. Algumas rotas envolviam calçadas mais expostas, enquanto outras tinham locais de sombra ou vegetação que mudavam a sensação de calor.

O trabalho não mediu apenas o número mostrado pelo sensor. Ele considerou como moradores de idades e perfis diferentes enfrentam o calor na vida real, o que ajuda a entender quais lugares exigem mais atenção.

Ilhas de calor fazem uma caminhada simples ficar mais pesada

As ilhas de calor urbano surgem quando áreas com muito concreto, asfalto, carros e prédios acumulam calor. Isso deixa o ambiente mais quente, principalmente em locais com pouca vegetação e pouca circulação de ar.

Quem anda a pé costuma sentir esse efeito de forma mais direta. Uma pessoa pode sair de uma rua arborizada e encontrar, logo depois, uma avenida sem sombra, com piso quente e sol batendo no corpo inteiro.

A diferença não está apenas na temperatura marcada em um termômetro. Ela também aparece na sensação de cansaço, na dificuldade de esperar ônibus e no desconforto de atravessar espaços abertos durante períodos de calor intenso.

Por isso, o calor urbano precisa ser observado no nível da rua. É ali que moradores caminham, trabalham, fazem compras, levam crianças para a escola e usam o transporte público.

Árvores, sombra e locais de descanso podem reduzir a exposição ao calor

O levantamento ajuda a apontar onde a cidade pode estudar respostas para reduzir o desconforto. Arborização, estruturas de sombra, fontes, mudanças no piso e áreas para descanso são possibilidades que podem ser avaliadas em cada local.

Uma rua muito exposta ao sol pode precisar de mais árvores. Um ponto de ônibus pode exigir cobertura. Uma praça com piso que esquenta demais pode precisar de soluções que reduzam a permanência direta sob o calor.

Não existe uma medida igual para todos os bairros. O que funciona em uma calçada arborizada pode não resolver o problema em uma avenida larga, cheia de concreto e sem espaço para sombra.

Os sensores ajudam justamente porque mostram onde o problema é maior. Com dados sobre a temperatura sentida pelos pedestres, o planejamento urbano pode olhar para situações que normalmente ficam escondidas em mapas gerais de clima.

O verão brasileiro ajuda a entender o problema de Barcelona

A experiência de Barcelona lembra situações comuns no Brasil. Esperar em um ponto de ônibus sem cobertura, caminhar até o trabalho sob sol forte ou atravessar uma praça sem árvores pode transformar poucos minutos em um trajeto cansativo.

Em dias quentes, a mobilidade muda. Algumas pessoas evitam caminhar, fazem pausas maiores ou procuram rotas com sombra, mesmo que sejam mais longas. Isso mostra como calor e mobilidade estão ligados na rotina de quem depende das ruas.

Uma cidade preparada para altas temperaturas não depende de uma única mudança. Ela pode oferecer árvores, sombra, água, bancos e caminhos mais confortáveis para quem precisa circular a pé.

As caminhadas térmicas de Barcelona mostram que o calor não se espalha de forma igual por toda a cidade. Duas calçadas vizinhas podem oferecer experiências muito diferentes, mesmo sob o mesmo dia de sol.

Os dados ajudam a enxergar onde o problema está e por que pequenas mudanças no espaço urbano podem fazer diferença para moradores, trabalhadores e passageiros. Medir o calor no nível da calçada também ajuda a pensar em cidades mais humanas para quem anda a pé.

Na sua cidade, qual lugar fica mais difícil de atravessar no calor e o que poderia torná-lo mais suportável para quem depende daquele caminho todos os dias? Compartilhe sua experiência nos comentários.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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