Enquanto a França já entrega energia de turbinas que boiam no Mediterrâneo e o Japão avança no mesmo caminho, o Brasil, dono de um dos melhores ventos oceânicos do planeta, só agora começa a montar a sua primeira usina eólica que flutua no mar.
Existe uma tecnologia de energia limpa que deixou de ser promessa e virou realidade pelo mundo, e o Brasil está chegando atrasado nela. A eólica flutuante, aquela em que as turbinas ficam sobre estruturas que boiam no mar em vez de fincadas no fundo, já gera eletricidade de verdade na França, onde a Ocean Winds passou a entregar energia do seu parque no Mediterrâneo. Japão e outros países seguem firme pelo mesmo caminho.
O detalhe que torna esse atraso quase irônico é que o Brasil tem um dos melhores ventos oceânicos do mundo, sobretudo no Sul e no Nordeste, considerados de classe mundial por quem estuda o setor. Mesmo assim, o país só agora começa a montar a sua primeira usina eólica flutuante, com investimento estrangeiro previsto para o Rio Grande do Sul. É um caso clássico de sentar sobre um tesouro e demorar para abrir o cofre.
Por que flutuar muda tudo
A diferença entre a eólica flutuante e a tradicional parece pequena, mas muda o jogo inteiro. Nas turbinas fixas, a base é cravada no fundo do mar, o que só funciona em águas rasas, perto da costa. Quando o mar fica fundo, fincar deixa de ser possível. A solução flutuante resolve isso colocando a turbina sobre uma plataforma ancorada que boia, liberando o acesso a áreas oceânicas profundas onde antes não dava para gerar energia.
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Isso importa muito para o Brasil, porque boa parte do nosso melhor vento sopra justamente longe da costa, sobre águas fundas. Confesso que dói um pouco ver outros países destravarem esse potencial primeiro, quando temos um litoral imenso e um vento de qualidade rara. A eólica flutuante é a chave que abriria esse recurso gigantesco, e ela já está girando no Mediterrâneo enquanto a gente ainda está montando a primeira peça.

O mundo já saiu na frente
O avanço lá fora não é mais experimento de laboratório. A França entregando energia de turbinas flutuantes à rede mostra que a tecnologia amadureceu e está pronta para produzir em escala comercial. O Japão, país de mar profundo e pouca terra plana, vê na eólica flutuante uma forma de gerar energia limpa sem disputar espaço em terra firme, e investe pesado nela. Outros países europeus seguem na mesma corrida.
Esse pelotão de frente foi construído com anos de pesquisa, incentivo e projetos-piloto que foram amadurecendo a tecnologia até ela ficar confiável. O resultado é que, hoje, quem chega depois tem a vantagem de aprender com os pioneiros, mas também a desvantagem de competir com quem já dominou a técnica. O Brasil entra nessa história como retardatário num clube onde os primeiros membros já colhem energia do mar profundo.
Há um detalhe que torna o atraso ainda mais relevante do ponto de vista econômico. A eólica flutuante não gera só eletricidade, ela movimenta uma cadeia industrial inteira, com estaleiros que montam as estruturas, portos que dão suporte à instalação e empregos técnicos qualificados que ficam no país. Quem domina a tecnologia primeiro tende a exportar esse conhecimento e equipamentos para os retardatários, virando fornecedor em vez de cliente. O Brasil, com seu litoral imenso e indústria naval já existente, teria condições de não só gerar a própria energia como fabricar parte dessas estruturas, mas para isso precisa correr atrás do tempo perdido antes que o mercado se acomode nas mãos de quem chegou na frente, transformando uma vantagem natural numa oportunidade de fato aproveitada.

Por que o Brasil demora tanto
A pergunta inevitável é por que um país com vento tão bom ficou para trás. A resposta passa por uma mistura de fatores, falta de regras claras para projetos no mar, licenciamento ambiental complexo, ausência de incentivos firmes e a concorrência com fontes que o Brasil já domina, como a hidrelétrica e a eólica em terra. Sem um caminho regulatório definido, o investimento que poderia destravar o vento oceânico ficou parado esperando segurança jurídica.
A boa notícia é que algo finalmente se move. O projeto previsto para o Rio Grande do Sul, com capital estrangeiro, é o primeiro passo concreto para transformar aquele vento de classe mundial em energia de verdade. Não dá para cantar vitória ainda, porque uma usina não faz uma indústria, mas é o início possível de uma virada num setor onde o Brasil tinha tudo para liderar e acabou ficando na arquibancada vendo os outros jogarem.

Um tesouro de vento esperando ser usado
Fico imaginando o tamanho do que o Brasil deixa de aproveitar a cada ano que passa sem destravar o vento oceânico, um recurso limpo, abundante e de graça soprando sobre o nosso litoral enquanto outros países já o transformam em eletricidade. É a sensação de ter um campo fértil nas mãos e demorar para plantar, vendo os vizinhos colherem primeiro.
A primeira usina flutuante no Rio Grande do Sul não apaga o atraso, mas pode ser o começo de uma correção de rota. Se o país criar as regras e os incentivos certos, esse vento de classe mundial ainda pode render uma indústria inteira de energia limpa. O abismo entre nós e a França hoje é real, mas ele só vira lamento permanente se a gente continuar olhando o mar e adiando a decisão de finalmente colocar as turbinas para girar.
Por que será que o Brasil demora tanto para aproveitar um vento oceânico que o mundo inteiro inveja?

A diferença é que o Brasil é autossuficiente em eletricidade, então isso não é algo tão imprescindível para nós, já a Europa é completamente dependente da Rússia para quase tudo em matéria de energia. Isso é mais como uma solução desesperada para eles.
É um Erro grosseiro apostar na eólica. Não só ao mar mas como em terra também! Altamente POLUENTE. Custo muito Elevado além de baixar a qualidade de vida daqueles que estão nas vizinhanças! Prejudicial à Saúde de TODOS os animais nas vizinhanças!👎☠️
Olá Joni, se a eólica é “altamente poluente”, imagino que os combustíveis fósseis devam ser classificados em uma categoria completamente nova.
Licenciamento ambiental complexo? Vá ver as exigências na Europa antes de escrever uma besteira destas…