As autoridades de saúde da Holanda confirmaram, em junho de 2026, o primeiro caso de eutanásia realizado em uma criança com menos de 12 anos desde a ampliação das regras que passaram a permitir o procedimento para essa faixa etária.
O caso ocorreu no fim de 2025 e marcou a primeira aplicação prática da nova regulamentação adotada pelo governo holandês. A medida autoriza a eutanásia em situações consideradas excepcionais, quando uma criança enfrenta sofrimento intenso, uma doença incurável e não possui perspectiva de melhora.
O Ministério da Saúde não divulgou a identidade da criança nem detalhes que possam identificar a família. As autoridades justificaram o sigilo para preservar a privacidade dos envolvidos.
A confirmação do caso reacendeu o debate sobre os limites éticos da medicina, os direitos dos pacientes em situação terminal e o papel dos responsáveis legais em decisões relacionadas ao fim da vida.
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O que aconteceu
A ministra da Saúde da Holanda, Sophie Hermans, informou que médicos realizaram o procedimento após seguirem todos os critérios previstos na legislação do país.
De acordo com o governo holandês, a criança sofria de uma condição considerada incurável. Além disso, os profissionais de saúde concluíram que nenhum tratamento disponível conseguiria aliviar adequadamente o sofrimento enfrentado pelo paciente.
Os médicos também avaliaram que não existia possibilidade de recuperação. Diante desse cenário, a equipe médica iniciou o processo previsto pela legislação.
Antes da autorização, especialistas independentes analisaram o caso. Os responsáveis pela criança também participaram da decisão, conforme exige a regulamentação holandesa.

Quando a Holanda permitiu a eutanásia infantil
A Holanda ocupa uma posição singular nesse debate internacional. Em 2002, o país se tornou a primeira nação do mundo a legalizar a eutanásia sob determinadas condições.
Desde então, a legislação permitia o procedimento para adultos e adolescentes a partir dos 12 anos. Entretanto, crianças entre 1 e 12 anos permaneciam fora das regras gerais.
Essa situação mudou em abril de 2024. Naquele momento, o governo holandês decidiu ampliar a regulamentação para incluir menores dessa faixa etária em circunstâncias extremamente restritas.
A mudança ocorreu após anos de discussões entre médicos, especialistas em bioética, organizações de saúde e representantes do governo.
Segundo as autoridades holandesas, alguns casos não encontravam respaldo legal adequado, apesar do sofrimento severo enfrentado pelas crianças e de prognósticos irreversíveis.
Quais regras precisam ser cumpridas
A legislação holandesa estabelece uma série de exigências rigorosas para que a eutanásia possa ocorrer.
Primeiramente, a criança deve apresentar uma doença grave e incurável.
Além disso, os médicos precisam comprovar que o sofrimento é intenso e não pode ser aliviado de forma aceitável por outros tratamentos.
Outro requisito importante envolve a ausência de perspectivas de melhora. Os profissionais também devem concluir que a morte ocorrerá inevitavelmente em um período relativamente curto.
Além disso, especialistas independentes precisam revisar o caso antes da realização do procedimento.
Os pais ou responsáveis legais também participam da decisão. Sem esse consentimento, os médicos não podem seguir adiante.
Quantos casos podem ocorrer por ano
O governo holandês não espera um aumento significativo no número de procedimentos.
Quando aprovou a ampliação das regras em 2024, o Ministério da Saúde estimou que apenas entre cinco e dez crianças por ano poderiam atender aos critérios exigidos pela legislação.
Por isso, especialistas consideram que os casos continuarão extremamente raros.
As autoridades defendem que a medida busca atender situações excepcionais e não criar uma prática comum dentro do sistema de saúde.
Caso passa por revisão obrigatória
Mesmo após a realização da eutanásia, o processo não termina automaticamente.
A legislação determina que órgãos de fiscalização revisem cada caso individualmente.
Por esse motivo, uma comissão especializada analisará toda a documentação relacionada ao procedimento realizado em 2025.
Os integrantes verificam se médicos, responsáveis e autoridades seguiram corretamente todos os protocolos previstos na lei.
Caso encontrem irregularidades, os órgãos competentes podem encaminhar o caso para investigação adicional.
Debate divide opiniões no mundo
A decisão holandesa continua gerando discussões em diferentes países.
Entidades favoráveis argumentam que a legislação oferece uma alternativa para famílias que enfrentam situações extremas e sem possibilidade de cura.
Por outro lado, organizações contrárias afirmam que a prática levanta questões éticas profundas sobre o papel da medicina e a capacidade de tomar decisões relacionadas ao fim da vida de menores de idade.
O tema também mobiliza profissionais da saúde, juristas, pesquisadores e grupos religiosos.
Enquanto alguns países ampliam debates sobre morte assistida, outros mantêm proibições rigorosas para qualquer forma de eutanásia.
Caso marca momento histórico
A confirmação do primeiro procedimento realizado em uma criança após a mudança da legislação representa um marco na política de saúde holandesa.
Além disso, o caso deve continuar alimentando discussões internacionais sobre bioética, cuidados paliativos e direitos dos pacientes em situações terminais.
Embora a Holanda mantenha critérios extremamente rigorosos para autorizar a prática, a ocorrência demonstra como o país continua na linha de frente dos debates globais sobre decisões médicas relacionadas ao fim da vida.
O tema divide opiniões em todo o mundo. Na sua visão, em casos de sofrimento extremo e sem possibilidade de cura, a eutanásia deveria ser permitida para crianças sob critérios médicos rigorosos?

