Pesquisa da UFPI transforma resíduos de tilápia em suplemento proteico rico em nutrientes, ampliando a sustentabilidade e reduzindo desperdícios na aquicultura.
A transformação de resíduos da indústria alimentícia em produtos de alto valor agregado tem ganhado destaque em pesquisas voltadas à sustentabilidade. Na Universidade Federal do Piauí (UFPI), a nutricionista e mestre em Alimentos e Nutrição Nagylla Maria Alves Canuto desenvolveu um suplemento proteico encapsulado produzido a partir de resíduos de tilápia gerados durante a filetagem do pescado.
Segundo informações do UFPI no dia 23 de junho de 2026, a pesquisa demonstrou que os coprodutos normalmente descartados possuem elevado valor nutricional e podem se tornar uma importante fonte de proteína sustentável. Além de reduzir desperdícios, a iniciativa amplia o aproveitamento alimentar do peixe e cria novas possibilidades econômicas para a cadeia produtiva da aquicultura.
Pesquisadora da UFPI encontra valor nutricional onde antes havia descarte
O estudo surgiu a partir de uma realidade comum no mercado brasileiro. A tilápia é uma das espécies mais consumidas do país, principalmente devido à preferência dos consumidores pelos filés.
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Entretanto, boa parte do pescado acaba não sendo utilizada para alimentação humana após o processamento industrial. Foi justamente nesse cenário que a pesquisadora da UFPI identificou uma oportunidade para transformar esses materiais em um ingrediente de maior valor agregado.
O resultado foi o desenvolvimento de um suplemento proteico obtido a partir dos coprodutos da filetagem, mostrando que o reaproveitamento de matérias-primas pode gerar benefícios nutricionais e econômicos.
Resíduos de tilápia revelam composição rica em nutrientes essenciais
Para avaliar o potencial dos coprodutos, foram realizadas análises centesimais, físico-químicas, microbiológicas, estudos de vida de prateleira e identificação do perfil de aminoácidos presentes nas proteínas extraídas.
Os resultados mostraram que os resíduos de tilápia apresentam elevado teor proteico e fornecem todos os aminoácidos essenciais necessários para o organismo humano.
Além das proteínas, também foram identificados nutrientes importantes, como:
- Cálcio;
- Fósforo;
- Magnésio;
- Zinco;
- Peptídeos bioativos.
Segundo os resultados obtidos por Nagylla Maria Alves Canuto, esses componentes reforçam o potencial dos coprodutos para a produção de alimentos com alto valor nutricional.
Desenvolvimento do suplemento proteico seguiu critérios rigorosos
A formulação do suplemento proteico não foi definida apenas com base na concentração de proteínas. O projeto considerou diversos requisitos nutricionais, tecnológicos e regulatórios.
Entre os aspectos avaliados pela equipe da pesquisa estavam a estabilidade do produto, teor de umidade, solubilidade, conservação e qualidade microbiológica.
Também foram observadas as exigências previstas na legislação brasileira para suplementos alimentares. O objetivo foi garantir um produto seguro, eficiente e alinhado às demandas do mercado.
Esse cuidado permitiu que o estudo comprovasse a viabilidade técnica da utilização dos resíduos de tilápia como matéria-prima para novos produtos alimentícios.
Proteína sustentável ganha espaço diante do combate ao desperdício
A preocupação com o desperdício de alimentos tem levado pesquisadores e empresas a buscarem soluções que aproveitem melhor os recursos disponíveis.
Nesse contexto, a produção de uma proteína sustentável a partir de coprodutos da filetagem surge como uma alternativa alinhada aos princípios da economia circular.
Ao invés de serem descartados, os materiais passam a integrar novas cadeias produtivas. Isso reduz perdas, diminui impactos ambientais e amplia a eficiência da indústria pesqueira.
Além disso, a crescente procura por fontes alternativas de proteína torna iniciativas como essa cada vez mais relevantes para o setor alimentício.
Aproveitamento alimentar fortalece economia circular na aquicultura
O aproveitamento alimentar integral do pescado é um dos principais diferenciais da pesquisa desenvolvida na UFPI.
A proposta permite transformar materiais de baixo retorno econômico em ingredientes capazes de abastecer mercados especializados, como os segmentos de suplementos e alimentos funcionais.
Entre os benefícios observados estão:
- Redução do desperdício industrial;
- Maior aproveitamento da matéria-prima;
- Geração de novos produtos;
- Agregação de valor ao pescado;
- Incentivo à sustentabilidade.
O conceito de aproveitamento alimentar vem sendo cada vez mais valorizado por indústrias que buscam melhorar seus índices de eficiência e reduzir impactos ambientais.
Metodologia criada pela pesquisadora da UFPI pode gerar patente
A orientadora da pesquisa, Maria Christina Sanches Muratori, destacou que o trabalho está alinhado aos objetivos de extensão universitária e sustentabilidade da instituição.
Segundo a docente, a metodologia empregada para recuperar as proteínas apresenta características que despertam interesse do setor industrial. O processo utiliza técnicas consideradas de baixo custo e associadas ao chamado processo verde, cada vez mais valorizado por empresas que buscam certificações ambientais.
A expectativa é que a tecnologia desenvolvida pela pesquisadora da UFPI avance para futuras etapas de proteção intelectual e gere novas oportunidades de parceria com a iniciativa privada.
Núcleo da UFPI reuniu equipe multidisciplinar no projeto
O estudo foi desenvolvido no Núcleo de Estudos, Pesquisa e Processamento de Alimentos (NUEPPA), da Universidade Federal do Piauí.
Além de Nagylla Maria Alves Canuto e da professora Maria Christina Sanches Muratori, participaram das atividades os integrantes do núcleo Mariane Próspero Alves, Beatriz Santos da Costa, Lorena Santos de Jesus Andrade, Euzebio da Silva Cruz, Karine Hellen Carvalho de Oliveira e Matheus José Gomes Costa.
A colaboração entre pesquisadores e estudantes foi fundamental para validar todas as etapas necessárias ao desenvolvimento do suplemento proteico.
Pesquisa abre caminho para novos alimentos funcionais
O desenvolvimento de um suplemento proteico a partir de resíduos de tilápia mostra como a inovação pode contribuir para tornar a produção de alimentos mais eficiente e sustentável. A pesquisa liderada pela pesquisadora da UFPI comprovou que esses coprodutos possuem alto valor nutricional e podem ser convertidos em uma fonte relevante de proteína sustentável.
Além de ampliar o aproveitamento alimentar do pescado, o estudo cria oportunidades para o surgimento de novos produtos funcionais, fortalece a economia circular e agrega valor a materiais que tradicionalmente teriam baixo retorno econômico. O projeto também reforça o papel da ciência brasileira no desenvolvimento de soluções capazes de unir sustentabilidade, inovação e geração de riqueza.
