O fluxo intenso de brasileiros e argentinos durante o feriadão de carnaval transformou a tríplice fronteira em um dos pontos mais movimentados da América do Sul, impulsionando o comércio paraguaio e provocando filas quilométricas nas pontes internacionais
O feriadão de carnaval voltou a provocar um forte impacto econômico na região da tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. Durante o período festivo, milhares de turistas brasileiros e argentinos cruzaram as fronteiras internacionais, impulsionando de forma significativa o comércio paraguaio, especialmente nas cidades fronteiriças como Ciudad del Este. O movimento intenso foi percebido tanto no turismo quanto nas áreas comerciais, que registraram procura acima do normal.
A informação foi divulgada pelo site La Clave, além de veículos regionais que acompanham o cotidiano da fronteira, apontando que o fluxo começou ainda antes do auge do carnaval. Em Foz do Iguaçu, no Brasil, e em Puerto Iguazú, na Argentina, o aumento no número de visitantes teve início na sexta-feira (13), quando os primeiros turistas começaram a chegar à região, antecipando o feriado prolongado.
Turismo regional cresce e pressiona a infraestrutura nas pontes internacionais
Ao longo do sábado (14) até a terça-feira (17), o volume de veículos e pedestres atravessando as pontes internacionais superou a média habitual. Na Ponte Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, o fluxo registrado foi considerado acima do normal para o período, refletindo o interesse de turistas que buscavam aproveitar o carnaval fora dos grandes centros urbanos.
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No entanto, além das tradicionais visitas às Cataratas do Iguaçu, um dos principais cartões-postais da região, um passeio específico ganhou destaque durante o feriadão: as compras no Paraguai. As lojas localizadas na área central de Ciudad del Este tornaram-se um dos principais destinos dos turistas, atraídos pelos preços competitivos e pela ampla variedade de produtos disponíveis.
Como consequência direta desse aumento no fluxo, a Ponte da Amizade, que conecta o Brasil ao Paraguai, registrou congestionamentos expressivos. No sábado e na segunda-feira (16), especialmente, formaram-se filas quilométricas para a travessia. Em Foz do Iguaçu, o congestionamento ultrapassou a trincheira da Avenida Paraná, alcançando mais de três quilômetros de extensão, evidenciando o impacto logístico do feriadão de carnaval na região.
Eletrônicos lideram vendas e dólar mais baixo impulsiona o consumo
O comércio paraguaio foi diretamente beneficiado pelo aumento no número de visitantes. Entre os itens mais procurados nas lojas de Ciudad del Este, os produtos eletrônicos lideraram as vendas, com destaque para celulares, acessórios e novidades tecnológicas. Além disso, brinquedos, cosméticos, perfumes e bebidas também registraram grande saída ao longo do feriadão.
Segundo comerciantes locais, o período de carnaval já é tradicionalmente um dos mais aquecidos do ano para o setor. Em declarações reproduzidas pelo jornal La Clave, o vendedor Víctor López, que atua na região do Paseo San Blas, comemorou o movimento intenso registrado durante os dias de folia.
“No carnaval, muitos brasileiros não vão para o Rio de Janeiro, mas vêm para cá fazer suas compras. Sempre temos muito movimento nesta época. Graças a Deus, estamos aproveitando ao máximo”, afirmou López, destacando a importância do turismo de compras para a economia local.
Além do feriado prolongado, outro fator contribuiu diretamente para o aumento das vendas: o recuo na cotação do dólar frente ao real. Para os brasileiros, a valorização da moeda nacional tornou os preços ainda mais atrativos no Paraguai, funcionando como um estímulo adicional ao consumo durante o feriadão de carnaval.
Dessa forma, o cenário combinou turismo, câmbio favorável e tradição comercial, resultando em um dos períodos mais movimentados do ano para Ciudad del Este e para toda a região da tríplice fronteira.
Com o feriadão de carnaval atraindo milhares de brasileiros e argentinos para as compras no Paraguai, esse modelo de turismo de consumo na fronteira continuará sustentável nos próximos anos ou dependerá cada vez mais do dólar e dos feriados prolongados?

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