Segundo a Abiec, as exportações de carne bovina do Brasil bateram recorde mensal em maio, com 297 mil toneladas. A China levou mais da metade do volume, impulsionada pela salvaguarda chinesa, e os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, mesmo com a ameaça do tarifaço de 25% prevista para julho.
As exportações brasileiras de carne bovina atingiram um recorde mensal em maio de 2026. O Brasil embarcou 297 mil toneladas da proteína para o mundo, volume 17,8% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado e quase 3% acima de abril, segundo dados do MDIC compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e divulgados na quarta-feira (3).
O resultado foi puxado pela China, que sozinha levou mais da metade da carne bovina vendida ao exterior no mês. Mesmo em meio à tensão do tarifaço, os Estados Unidos seguiram como segundo maior comprador. No acumulado do ano, o país já exportou 1,3 milhão de toneladas e faturou quase 8 bilhões de dólares.
China abocanha mais da metade da carne bovina

Segundo informações do portal Globo Rural, a China manteve a liderança folgada entre os destinos da carne bovina brasileira em maio.
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Foram 157,6 mil toneladas embarcadas para o mercado chinês, que renderam US$ 1,06 bilhão e representaram 53,1% de tudo o que o Brasil vendeu da proteína no mês.
Na comparação com maio de 2025, as vendas aos chineses cresceram expressivos 39,6%.
Esse salto, porém, tem uma explicação que merece atenção. Segundo a Abiec, o avanço das exportações para a China reflete uma antecipação de embarques diante da entrada em vigor das medidas de salvaguarda anunciadas pelo país asiático para as importações de carne bovina.
Na prática, os frigoríficos correram para enviar o máximo possível antes de a cota chinesa apertar, o que ajuda a entender por que o número de maio veio tão forte.
Estados Unidos resistem mesmo com o tarifaço
Em segundo lugar, e contrariando parte do pessimismo, apareceram os Estados Unidos. O mercado norte-americano importou 28,8 mil toneladas de carne bovina brasileira em maio, com receita de US$ 195,6 milhões, um avanço de 5,1% frente ao mesmo mês do ano anterior.
O desempenho chama atenção justamente por ocorrer no auge da tensão comercial entre os dois países.
O ponto-chave é que a carne bovina ficou de fora da nova taxa de 25% que pode atingir produtos brasileiros a partir de julho.
O governo de Donald Trump incluiu a proteína na lista de itens isentos do tarifaço, já que o alimento vindo do Brasil é considerado estratégico para o abastecimento do mercado americano.
Isso explica por que, mesmo com o clima pesado, os Estados Unidos continuaram comprando em ritmo firme.
Recorde de preço e peso da carne in natura
Além do volume, maio trouxe números fortes de receita e preço. O faturamento das exportações somou US$ 1,83 bilhão, alta de 6,5% sobre abril, enquanto o preço médio da carne bovina exportada chegou a US$ 6.163 por tonelada, 3,5% acima do mês anterior.
Ou seja, o Brasil não vendeu apenas mais, mas também a um valor melhor.
Outro destaque foi o tipo de produto embarcado. A carne bovina in natura, aquela vendida resfriada ou congelada sem processamento industrial, respondeu por 88,2% do volume e por 93,1% da receita obtida pelos frigoríficos no mês.
O dado mostra que a maior parte do faturamento do setor vem do corte propriamente dito, e não de produtos industrializados.
Acumulado do ano confirma a força do setor
No acumulado de janeiro a maio, os números reforçam o bom momento. O Brasil já exportou 1,3 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando os embarques somaram cerca de 1,2 milhão de toneladas. A receita do período chegou a US$ 7,88 bilhões, quase 8 bilhões de dólares, um dos melhores resultados já vistos pelo setor em cinco meses, segundo a Abiec.
A divisão entre os compradores segue o mesmo roteiro do mês. A China lidera com folga, com 631,9 mil toneladas adquiridas no ano e US$ 3,78 bilhões em compras, o equivalente a 45,5% do volume e 48% da receita do setor.
Os Estados Unidos vêm em segundo, com 178,6 mil toneladas e US$ 1,16 bilhão, ou 12,9% do total, seguidos por Chile, Rússia e União Europeia.
A presença da carne bovina brasileira em mais de 177 mercados ajuda a dar estabilidade às vendas.
Ver a carne bovina brasileira bater recorde mesmo com a China apertando cotas e os Estados Unidos sob a sombra do tarifaço mostra o tamanho do agronegócio nacional.
Conte nos comentários se você acha que essa dependência da China é arriscada e o que o Brasil deveria fazer para não ficar refém de um único comprador.

A questão é de poder de compra que ambos países tem, China e Eua, e também de matemática. A China tem uma população de cerca de 1,4 bi e os EUA cerca de 350 mi, cerca de 1/4. Como citado na matéria, China compra cerca de 50% e os EUA 12,9%, valor próximo a 1/4 de 50%, além de termos 177 mercados. Não consigo ver problema nesse item de nossa balança comercial, pelo contrário, estrategicamente é adequada a situação.