Nova pesquisa da Embrapa utiliza ingredientes vegetais e impressão 3D para reproduzir alimentos marinhos com características semelhantes às versões tradicionais
Uma inovação desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, passou a chamar atenção por unir ciência, tecnologia e alimentação sustentável. Após cerca de 30 meses de estudos, pesquisadores criaram versões veganas de salmão, caviar e anéis de lula utilizando impressão 3D de alimentos e ingredientes de origem vegetal. O projeto buscou reproduzir aparência, textura, sabor e composição nutricional dos produtos marinhos tradicionais. Esse avanço foi divulgado em maio de 2026 e reforça o crescimento das pesquisas brasileiras voltadas ao desenvolvimento de proteínas alternativas.
Pesquisa combina impressão 3D e ingredientes vegetais
O desenvolvimento dos protótipos ocorreu no Laboratório de Nanobiotecnologia da Embrapa, conhecido como LNANO, em Brasília. Os pesquisadores utilizaram tintas alimentícias produzidas com proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais, óleos de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes. Essa combinação garantiu a consistência necessária para que os alimentos fossem moldados por impressoras 3D. Segundo a pesquisadora Cínthia Caetano Bonatto, grande parte dos ingredientes usados já aparece em alimentos consumidos no cotidiano, mas o diferencial está na formulação tecnológica aplicada ao processo.
Banco genético da Embrapa contribuiu para o desenvolvimento
A pesquisa também contou com apoio dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que reúnem materiais genéticos de plantas, animais e microrganismos. Esses acervos ajudaram os pesquisadores a selecionar ingredientes vegetais com potencial para oferecer características próximas às dos alimentos originais. O pesquisador Luciano Paulino da Silva, coordenador dos projetos de impressão de alimentos, explicou que o objetivo foi desenvolver produtos vegetais com composição semelhante à dos produtos de origem animal. A biotecnóloga Gabriela Mendes da Rocha Vaz também destacou que a tecnologia permite enriquecer os alimentos impressos com nutrientes específicos.
-
Sistema criado para salvar vidas em desastres se virou ‘contra’ o brasileiro na madrugada: um ataque hacker disparou um alerta falso da Defesa Civil com a palavra “misantropia” que tocou nos celulares de meio país, mesmo no modo silencioso, e derrubou o Cell Broadcast
-
No deserto frio de Ladakh, onde quase não chove, o engenheiro Sonam Wangchuk criou a estupa de gelo, uma torre que congela a água do inverno e a guarda para irrigar a colheita na primavera, num feito de engenharia simples que imita a natureza
-
Pela primeira vez na história, a energia solar e eólica gerou mais eletricidade que o gás natural no mundo inteiro em um único mês, abril de 2026, um marco da transição energética que mostra as fontes renováveis assumindo a dianteira do sistema elétrico global
-
A partícula Amaterasu, um raio cósmico com energia milhões de vezes maior que a do maior acelerador do mundo, atingiu a Terra vinda do Vazio Local, uma região praticamente vazia do espaço onde, em tese, não deveria existir nada capaz de criá-la
Protótipos já passaram por testes com consumidores
Os produtos desenvolvidos pela equipe já foram submetidos a testes de degustação após autorização de comissões responsáveis pela avaliação ética das pesquisas. Apesar dos avanços, os alimentos ainda não chegaram ao mercado e permanecem em fase de demonstração tecnológica. Segundo os pesquisadores, ainda não existe previsão para lançamento comercial. O modelo de produção também continua em avaliação, já que os produtos poderão ser feitos em restaurantes, indústrias ou até por impressoras domésticas no futuro.
Tecnologia amplia possibilidades para o setor alimentício
O projeto recebeu financiamento do Good Food Institute, organização internacional que apoia pesquisas relacionadas a proteínas alternativas, fermentação e carne cultivada. Países como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura já possuem experiências comerciais envolvendo alimentos produzidos por impressão 3D. No Brasil, estudos semelhantes também são conduzidos pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com a Universidade Harvard e a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura. Esse movimento mostra como a tecnologia pode ampliar alternativas alimentares e abrir novos caminhos para o setor.
O avanço da impressão 3D na produção de alimentos
A pesquisa conduzida pela Embrapa demonstra como a impressão 3D vem ganhando espaço na indústria alimentícia. A combinação de ingredientes vegetais e formulações específicas permite criar produtos com características cada vez mais próximas das versões tradicionais. O desenvolvimento de salmão vegano, caviar vegano e anéis de lula veganos passa a integrar um conjunto de iniciativas voltadas à criação de novas alternativas de consumo. Essa tecnologia também pode atender públicos com restrições alimentares e consumidores que buscam opções sem ingredientes de origem animal.
O que esperar dos alimentos impressos nos próximos anos?
Pesquisadores seguem avaliando o potencial da impressão 3D de alimentos e suas aplicações futuras. A possibilidade de produzir itens personalizados, enriquecidos nutricionalmente e feitos com ingredientes vegetais desperta interesse crescente no setor científico. Enquanto os testes avançam, a Embrapa mantém os protótipos como vitrine tecnológica, sem previsão de chegada ao mercado.
Você acredita que alimentos como salmão, caviar e anéis de lula veganos poderão se tornar comuns nas refeições das próximas gerações?

-
1 pessoa reagiu a isso.