Moradora de Joinville, no Norte catarinense, Thayna Renata deixou um salário fixo de R$ 1,5 mil para vender fotos polaroid a visitantes do Zoobotânico. O negócio deslanchou e chegou a render R$ 800 num fim de semana, até que um segurança a impediu de trabalhar e seu desabafo viralizou.
Uma câmera que revela a imagem na hora, um parque cheio e a promessa de eternizar momentos: foi essa a aposta que fez a fotógrafa Thayna Renata, moradora de Joinville, no Norte de Santa Catarina, largar um emprego de carteira assinada para vender fotos polaroid a quem visita o Zoobotânico da cidade. Segundo o NSC Total, o que parecia uma virada de vida promissora acabou esbarrando em um obstáculo inesperado no meio do passeio.
Ainda de acordo com o NSC Total, tudo mudou de patamar quando um segurança do parque a abordou e informou que ela não poderia comercializar os registros ali dentro. O desabafo que Thayna publicou logo depois se espalhou pelas redes sociais, transformou seu caso em assunto na cidade e reacendeu uma discussão antiga: até onde vai o direito de trabalhar por conta própria em um espaço público.
Do salário fixo de R$ 1,5 mil ao salto para a fotografia instantânea

Antes de apostar nas fotos instantâneas, Thayna vivia a rotina de quem tem renda garantida, porém apertada. Ela atuava como customer seller, responsável pela experiência dos clientes de um influenciador digital com mais de um milhão de seguidores e recebia cerca de R$ 1,5 mil fixos por mês, mais eventuais comissões.
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Hoje, formalizada como microempreendedora, ela integra o grande contingente de brasileiros que trocaram o vínculo tradicional pela autonomia; quem deseja seguir esse caminho costuma começar pelo Portal do Empreendedor, onde é possível abrir um MEI.
O contrato, no entanto, não era diretamente com o influenciador. Uma empresa terceirizada intermediava o trabalho e repassava a ela apenas uma fração do valor acertado com os mentores e “experts” do ramo. Foi justamente essa remuneração baixa que plantou a semente da mudança. No convívio diário com a produção de conteúdo, Thayna também descobriu a paixão que acabaria redesenhando sua carreira: a fotografia.
Como as fotos polaroid viraram um negócio de rua

A virada começou com a compra de uma máquina Instax, dessas que entregam a imagem revelada na hora, no formato polaroid. No início, a intenção era só guardar momentos pessoais no papel. Mas o que nasceu como hobby logo revelou potencial de renda. Para Thayna, o charme está em fugir do excesso digital: em vez da busca infinita pela selfie perfeita, a foto instantânea resgata o valor do registro único, impossível de repetir.
Com essa proposta na cabeça, ela passou a sair de casa nos dias ensolarados e a fotografar famílias, casais, amigos e outros visitantes em pontos movimentados como o próprio Zoobotânico e o Mirante. Cada fotografia sai, em média, por algo entre R$ 20 e R$ 25. A conta fechava: em um único dia, Thayna já faturou R$ 400 e, somando o fim de semana, chegou a R$ 800, bem acima do que recebia por um mês inteiro de trabalho fixo.
A abordagem do segurança e o vídeo que viralizou
O episódio que catapultou a história foi divulgado em julho pelo NSC Total, aconteceu enquanto ela fotografava os visitantes e foi abordada por um segurança do espaço. A informação foi direta: ela não poderia seguir vendendo fotos dentro do parque. Emocionada, Thayna gravou ali mesmo o desabafo que tomaria conta das redes.
“Fui proibida de vender fotos aqui no Parque Zoobotânico de Joinville e isso dói muito meu coração”, disse ela, relatando que o local vivia um dos dias mais cheios que já tinha visto. O vídeo correu rápido, rendeu ondas de apoio e transformou uma fotógrafa autônoma em personagem de um debate público sobre trabalho e cidade.
A via-sacra da regularização: Sama, alvará e MEI
Determinada a se enquadrar, Thayna tirou um dia inteiro para tentar resolver a papelada e descobriu, na prática, o tamanho do labirinto. Começou pesquisando no Google por onde iniciar e foi até a Secretaria do Meio Ambiente (Sama). Lá, segundo ela, a atendente não soube responder: como o caso envolvia fotografia, não se encaixaria como venda ambulante e, por isso, não renderia um alvará.
Orientada a procurar o portal do empreendedor, ouviu que, por já ter um MEI de fotógrafa, poderia vender suas imagens na rua e, em tese, já estaria regularizada mas ninguém soube esclarecer a dúvida específica sobre o Mirante. “Eu não sou contra me regulamentar, eu sou contra esse processo burocrático”, resumiu, dizendo não conseguir uma resposta clara depois de bater em várias portas.
O que diz a Prefeitura de Joinville
Procurada, a Prefeitura de Joinville informou que, no momento, não existe um regramento específico sobre comércio ambulante dentro do Parque Zoobotânico. Por ser uma área pública e ambientalmente protegida, qualquer regra futura precisaria levar em conta justamente esses aspectos, ponderou o Município.
A administração acrescentou que o interessado pode manifestar formalmente seu desejo à Sama como Thayna fez ao ser orientada a registrar o pedido por escrito para que a cidade tenha parâmetros sobre a procura por esse serviço. Ainda assim, a Prefeitura reforçou que a autorização não pode ser concedida de forma individualizada e que o tema segue em estudo.
Um caso pequeno que expõe um dilema das cidades
Por trás da história de uma câmera instantânea existe uma questão que ultrapassa Joinville. Milhares de brasileiros vêm trocando o emprego formal por atividades autônomas, muitas vezes exercidas em praças, parques e calçadas — espaços de todos, mas cercados de regras que nem sempre acompanham a criatividade de quem precisa gerar renda. O impasse de Thayna é, no fundo, o retrato de uma economia que se reinventa mais rápido do que a burocracia consegue responder.
Há ainda um segundo fio nessa trama: o poder de um único vídeo. Um desabafo gravado num momento de frustração foi capaz de mobilizar apoio, pressionar o poder público e colocar sob os holofotes um serviço que, até então, passava despercebido. Se a nostalgia das fotos polaroid conquistou os visitantes do parque, foi a força das redes que empurrou o caso para a mesa da Prefeitura — e o desfecho, por enquanto, permanece em aberto.
E você, acha que ela deveria poder vender as fotos no parque?
A trajetória de Thayna mistura coragem, empreendedorismo e um nó burocrático que muita gente conhece de perto. De um lado, uma profissional que largou a segurança do salário fixo para viver da própria arte; de outro, um espaço público protegido e regras que ainda engatinham.
E você, se estivesse no lugar dela, insistiria na regularização ou procuraria outro ponto para trabalhar? Acha justo barrar a venda das fotos polaroid num parque cheio de famílias? Deixe sua opinião nos comentários queremos saber de que lado você fica.

