1. Início
  2. Curiosidades
  3. Mecânicos arrancam o motor de uma Fiat Fiorino usada, instalam kit elétrico com WEG e FuelTech, colocam baterias no baú e preparam o furgão para rodar 100 km por dia no Brasil
Faça um comentário 7 min de leitura

Mecânicos arrancam o motor de uma Fiat Fiorino usada, instalam kit elétrico com WEG e FuelTech, colocam baterias no baú e preparam o furgão para rodar 100 km por dia no Brasil

Imagem de perfil do autor Alisson Ficher
Escrito por Alisson Ficher Publicado em 11/07/2026 às 15:10 Atualizado em 11/07/2026 às 15:20
Fiat Fiorino elétrica com kit WEG e FuelTech vira furgão de testes no Brasil para rodar 100 km por dia em conversão da Stellantis.
Fiat Fiorino elétrica com kit WEG e FuelTech vira furgão de testes no Brasil para rodar 100 km por dia em conversão da Stellantis.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Projeto brasileiro de retrofit transforma uma Fiat Fiorino em utilitário elétrico, com motor a combustão removido, kit desenvolvido por Stellantis, SENAI, WEG e FuelTech e baterias instaladas no compartimento de carga para testes urbanos de uso profissional diário no Brasil.

Uma Fiat Fiorino, um dos utilitários mais conhecidos das ruas brasileiras, entrou em um projeto de conversão elétrica que remove o motor a combustão, instala um novo powertrain elétrico e leva o conjunto de baterias para o compartimento de carga.

Voltada ao uso urbano, a proposta transforma um furgão originalmente movido por combustível em um veículo elétrico pensado para profissionais que rodam diariamente nas cidades, especialmente em rotinas de entrega, serviço e deslocamentos comerciais de curta e média distância.

A conversão faz parte de um projeto de retrofit elétrico desenvolvido pela Stellantis em parceria com o programa SENAI A3 da Rota 2030, além das empresas WEG e FuelTech, que participam da aplicação técnica no veículo.

Segundo a Stellantis, a iniciativa envolve veículos comerciais leves novos e usados e busca criar uma solução de mobilidade com emissão zero, mantendo critérios de segurança, durabilidade e homologação para uma adaptação mais próxima de padrões industriais.

Fiat Fiorino elétrica mira uso urbano e trabalho diário

O que chama atenção logo de início é o tipo de carro escolhido para a conversão, já que a Fiorino não é um protótipo distante da realidade brasileira nem um modelo de luxo vendido em baixa escala.

Presente há anos no cotidiano das cidades, o utilitário é um furgão popular entre entregadores, pequenos comerciantes, prestadores de serviço e frotistas, sendo usado como ferramenta de trabalho em operações urbanas de diferentes portes.

Na prática, o projeto remove o conjunto mecânico original a combustão e instala um kit de conversão elétrica, alterando a forma de propulsão do veículo sem transformar a Fiorino em um produto completamente distante de sua função original.

Para acomodar o novo sistema, o pacote de baterias fica alojado no compartimento de carga, uma escolha que ajuda a evitar alterações estruturais mais profundas e mantém o baú como parte central da configuração do furgão.

A ideia é preservar a função principal do veículo, que é transportar mercadorias, enquanto a propulsão passa a ser elétrica e o conjunto começa a ser avaliado dentro de uma lógica de uso profissional urbano.

Também incluído no desenvolvimento, o Peugeot Partner Rapid aparece ao lado da Fiorino como outro utilitário leve usado para permitir avaliação técnica e econômica do retrofit em condições reais, com componentes locais e aplicação voltada ao trabalho diário.

Conversão elétrica terá testes em vias públicas

Em vias públicas, os testes previstos pela Stellantis devem identificar fatores técnicos e econômicos do sistema, permitindo observar como os veículos convertidos se comportam fora do ambiente controlado de desenvolvimento e dentro da rotina urbana.

A coleta de dados será usada para compreender melhor o funcionamento do conjunto e ajustar parâmetros do veículo sempre que necessário, especialmente em uma aplicação marcada por partidas, paradas frequentes e circulação em baixa velocidade.

O alvo declarado do projeto são profissionais com utilização média diária de 100 quilômetros, um número compatível com entregas urbanas, pequenos deslocamentos comerciais e operações em trajetos previsíveis dentro das cidades.

Nesse tipo de uso, a previsibilidade da rota pode facilitar o carregamento, o controle da autonomia e a organização da operação, principalmente para empresas que utilizam furgões compactos em deslocamentos repetidos ao longo da semana.

O envolvimento da WEG e da FuelTech dá peso técnico ao projeto, pois coloca ao lado da Stellantis duas empresas conhecidas por atuar em áreas ligadas a energia, eletrônica e sistemas aplicados ao setor automotivo.

Enquanto a WEG tem presença em equipamentos eletroeletrônicos e soluções de energia, a FuelTech atua no mercado automotivo com sistemas eletrônicos de controle, compondo com o SENAI uma base técnica para a eletrificação de veículos comerciais leves.

Retrofit da Fiorino não é apenas troca de motor

Colocar um motor elétrico no lugar do motor antigo é apenas uma parte da operação, já que a retirada do powertrain a combustão exige adaptação do veículo para receber novos componentes e sistemas de gerenciamento.

Além do motor, entram na conversão baterias, controles eletrônicos e soluções capazes de entregar funcionamento adequado em uso urbano, com foco em uma experiência compatível com a rotina de um veículo comercial leve.

O objetivo informado pela fabricante é assegurar qualidade de conversão com padrão semelhante ao de equipamento original de fábrica, reduzindo a distância entre um retrofit experimental e uma aplicação desenvolvida com critérios técnicos mais rigorosos.

Essa diferença separa o retrofit da Fiorino de experiências puramente caseiras, embora o resultado visual desperte a mesma curiosidade de ver um carro comum virar elétrico sem perder sua aparência familiar.

Por trás da transformação, a iniciativa trabalha com critérios industriais, parceiros técnicos e preocupação com homologação, mantendo o furgão como veículo de trabalho mesmo depois da saída do conjunto movido a combustão.

A escolha de colocar as baterias no compartimento de carga também revela uma decisão prática, pois alterações profundas na estrutura poderiam tornar o projeto mais caro, complexo e distante da proposta de aproveitamento do veículo.

Em um carro destinado a empresas e profissionais, esse equilíbrio entre transformação elétrica e manutenção da função original ganha importância, já que o furgão precisa continuar útil para transportar mercadorias e atender demandas urbanas.

Projeto se conecta à economia circular da Stellantis

Dentro da estratégia de descarbonização da Stellantis, o projeto aparece ligado a iniciativas de economia circular e prolongamento da vida útil de veículos e peças, ampliando o debate sobre eletrificação para além dos modelos novos.

No caso da Fiorino, a conversão elétrica explora justamente essa ideia ao aproveitar um veículo comercial já conhecido, retirar o sistema a combustão e dar ao conjunto uma nova aplicação dentro da mobilidade urbana.

Essa proposta também conversa com uma dúvida comum entre motoristas brasileiros, que é a possibilidade de eletrificar veículos já existentes em vez de depender apenas da compra de um carro elétrico novo.

Para frotas e empresas, o retrofit levanta discussões sobre custo, manutenção, operação diária e acesso a soluções de menor emissão, especialmente em modelos comerciais que costumam permanecer rodando por muitos anos.

A força simbólica da Fiorino aumenta o apelo do projeto, porque o modelo faz parte do cenário urbano nacional há décadas e aparece associado a entregas, oficinas, comércios de bairro e pequenas empresas.

Ver um veículo tão comum receber motor elétrico cria um contraste forte entre a mecânica tradicional e a eletrificação que avança no setor automotivo, aproximando a tecnologia de um carro familiar para o público brasileiro.

SENAI participa do desenvolvimento da Fiorino elétrica

A Stellantis também relaciona o projeto à SUSTAINera, unidade voltada à economia circular, peças remanufaturadas e soluções de manutenção com menor custo, dentro de uma visão de reaproveitamento e extensão de vida útil.

Nessa lógica, a conversão elétrica surge como uma forma de criar uma nova etapa de uso para modelos já conhecidos, reduzindo a dependência de descarte precoce e ampliando possibilidades para veículos comerciais em operação.

Outro elemento relevante está no papel do SENAI, que participa do desenvolvimento por meio do programa SENAI A3 da Rota 2030, política industrial ligada à inovação no setor automotivo brasileiro.

A presença da instituição indica que o projeto não se limita à montagem do carro, mas envolve desenvolvimento de competências técnicas relacionadas à eletrificação, sistemas embarcados e mobilidade sustentável aplicada a veículos comerciais leves.

Para o público brasileiro, a Fiorino elétrica chama atenção porque aproxima a eletrificação de um veículo visto todos os dias nas ruas, em vez de restringir o tema a sedãs importados ou SUVs de alto preço.

A conversão ainda depende de testes, coleta de dados e avaliação técnica para definir sua aplicação prática em larga escala, especialmente em setores que dependem de carros comerciais robustos, conhecidos e relativamente simples de operar.

O resultado é uma Fiorino com aparência familiar, mas com outra lógica de funcionamento, já que o motor a combustão sai de cena, o powertrain elétrico assume o deslocamento e as baterias ocupam o baú.

Avaliado para rodar até 100 quilômetros por dia em ambiente urbano, o furgão passa a representar um caminho alternativo para a eletrificação de veículos de trabalho, sem depender exclusivamente da substituição imediata por modelos novos.

Se um utilitário tão comum quanto a Fiorino pode ser convertido para trabalhar como elétrico nas cidades, quais outros carros famosos do Brasil também poderiam ganhar uma segunda vida sem motor a combustão?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x