Trump dá prazo de dez dias ao Irã para acordo nuclear, anuncia bilhões para Gaza e lança Conselho da Paz sob críticas da França, Vaticano e Lula. Entenda os bastidores.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que decidirá em até dez dias quais medidas adotará contra o Irã caso não seja fechado um acordo sobre o programa nuclear do país. A declaração ocorreu durante a primeira reunião do chamado Conselho da Paz de Gaza, criado por seu governo.
Além do novo prazo, Trump voltou a ameaçar Teerã com “coisas ruins” se não houver avanços nas negociações. A fala ocorre em meio à escalada de tensão entre os dois países e poucos dias após reuniões diplomáticas realizadas em Genebra, na Suíça.
Enquanto o Irã avaliou que o encontro de três horas teve progresso e indicou novas rodadas de diálogo, os Estados Unidos demonstraram insatisfação com a falta de um acordo concreto. Paralelamente, o governo americano acelera preparativos militares, mesmo mantendo oficialmente a via diplomática aberta.
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Bilhões para Gaza e poder ampliado no novo conselho
Durante a cerimônia, Trump anunciou o envio de US$ 7 bilhões, provenientes de contribuições de países aliados, para a reconstrução da Faixa de Gaza. O valor, no entanto, está longe das estimativas apresentadas pela Organização das Nações Unidas, que calculou em cerca de US$ 70 bilhões o custo total para reconstruir a região devastada por dois anos de conflito com Israel.
Além disso, Trump informou que os Estados Unidos enviarão mais US$ 10 bilhões ao Conselho da Paz, mas não detalhou como os recursos serão utilizados.
Segundo as regras estabelecidas pela Casa Branca, o presidente americano terá poder de veto dentro do conselho e poderá continuar na liderança mesmo após deixar o cargo. Para se tornar membro permanente, os países precisam desembolsar US$ 1 bilhão.
Apesar de o discurso oficial apontar para a reconstrução de Gaza, especialistas levantam preocupações sobre possíveis interesses políticos mais amplos. Há temor de que o conselho funcione como uma alternativa à ONU, instituição frequentemente criticada por Trump.
“O Conselho da Paz vai praticamente supervisionar a ONU”, afirmou o presidente. Em seguida, porém, declarou que pretende fortalecer a organização internacional e ajudá-la financeiramente.
Quem participou — e quem ficou de fora
O encontro reuniu 20 líderes mundiais. No entanto, não contou com a presença de representantes de países como Reino Unido, França e Alemanha. A Comissão Europeia enviou um representante, decisão que gerou críticas do governo francês.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Pascal Confavreux, declarou surpresa com a participação do órgão europeu. Segundo ele, a Comissão não possui mandato para representar os Estados-membros nesse tipo de iniciativa.
O Instituto V-Dem, que monitora a qualidade democrática no mundo, apontou que muitos países participantes são classificados como autocracias ou regimes autoritários, incluindo Hungria, Qatar e Arábia Saudita.
O Vaticano também anunciou que não participará. O cardeal Pietro Parolin afirmou que a Santa Sé não integrará o conselho “devido à sua natureza particular” e reforçou que a gestão de crises internacionais deve permanecer sob responsabilidade da ONU.
Lula critica iniciativa e questiona ausência palestina
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi convidado, mas ainda não confirmou participação. Entre suas críticas, destacou a ausência de representantes palestinos.
Lula afirmou que, com a criação do conselho, “a carta da ONU está sendo rasgada, e em vez de corrigir a ONU, com a entrada de novos países, o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova, em que ele sozinho é o dono”.
Ele também declarou: “Já falei com muitos outros presidentes tentando ver se é possível a gente encontrar uma forma de se reunir e não permitir que o multilateralismo seja jogado ao chão ou que predomine a força da arma, da intolerância de qualquer país do mundo”.
A expectativa é que o tema seja discutido em um encontro entre Lula e Trump previsto para março.

