Toyota Hilux é alvo de furtos em diferentes estados e investigação aponta vulnerabilidade explorada por quadrilhas especializadas.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul identificou um padrão preocupante envolvendo furtos da Toyota Hilux e do SUV SW4. A investigação, iniciada após o aumento dos crimes na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, aponta que grupos especializados estariam aproveitando uma vulnerabilidade relacionada ao sistema de acesso do veículo para entrar na caminhonete sem acionar alarmes. O caso ganhou relevância após autoridades observarem a repetição do mesmo método em dezenas de ocorrências registradas entre 2025 e 2026.
O avanço desse tipo de crime chamou a atenção principalmente pela concentração em determinados modelos e anos de fabricação. De acordo com o relatório produzido pela corporação e obtido pelo AutoEsporte, 34 unidades da Hilux e do SW4 foram furtadas em Mato Grosso do Sul entre janeiro e abril de 2026. Todas pertenciam à faixa de produção entre 2016 e 2022, sendo que a maior parte era composta por veículos fabricados a partir de 2019.
Toyota Hilux aparece com frequência em ações de quadrilhas especializadas
O interesse dos criminosos pela picape não surgiu por acaso. Durante uma operação realizada em Campo Grande, em setembro de 2025, investigadores identificaram que integrantes de uma organização criminosa tinham preferência por modelos da Toyota.
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Inicialmente, a escolha poderia estar relacionada ao valor alcançado pelos veículos no mercado ilegal. Entretanto, a repetição dos casos e a semelhança dos furtos levaram os policiais a aprofundar a análise sobre possíveis fragilidades exploradas pelos criminosos.
Foi durante esse trabalho que uma ferramenta específica chamou a atenção dos investigadores: uma chave de fenda fina e comprida encontrada entre os equipamentos utilizados pela quadrilha.
Como funciona o acesso irregular aos veículos?
A partir da apreensão da ferramenta, os policiais reconstruíram a possível dinâmica utilizada nos furtos.
Segundo a hipótese descrita no relatório, o equipamento seria introduzido em uma área da maçaneta para interferir no sistema responsável pelo reconhecimento da chave eletrônica. Dessa forma, o veículo interpretaria o comando como legítimo e liberaria a abertura das portas.

O aspecto mais relevante, segundo os investigadores, é que o processo não provocaria o disparo do alarme original. Com isso, os criminosos conseguiriam acessar o interior do automóvel sem chamar atenção de moradores, vigilantes ou pedestres.
O documento destaca que essa característica reduz os sinais aparentes de invasão, dificultando inclusive a identificação imediata do método utilizado.
Segunda etapa amplia o risco para a Toyota Hilux
Após entrar no veículo, a ação não termina. Conforme a investigação, a próxima fase envolve equipamentos eletrônicos capazes de programar chaves compatíveis com o automóvel. Os aparelhos mais sofisticados podem custar até R$ 30 mil.
No entanto, o relatório aponta uma mudança importante observada pelas autoridades. Segundo os delegados responsáveis pelo documento, versões mais baratas desses equipamentos passaram a ser encontradas em apreensões recentes. Alguns desses dispositivos estariam sendo comercializados por valores inferiores a R$ 5 mil.
Especialista compara combate ao crime a uma disputa constante
Um profissional da área de cibersegurança automotiva ouvido pela reportagem do AutoEsporte explicou que a tentativa de burlar sistemas eletrônicos não é um problema restrito ao Brasil.
Segundo ele, montadoras e criminosos travam uma disputa permanente em torno da proteção tecnológica dos veículos.
O especialista afirmou: “É um jogo de ‘gato e rato’. Volta e meia descobrimos algum bypass da arquitetura eletrônica do carro e lançamos, discretamente, uma atualização para dificultar a quebra”.
Ainda de acordo com o engenheiro, o tempo disponível para os criminosos estudarem modelos já consolidados no mercado aumenta as possibilidades de encontrar brechas de exploração.

Casos ultrapassam a região de fronteira
Embora a investigação tenha começado em Mato Grosso do Sul, o problema não ficou restrito ao estado.
Levantamentos apontam operações policiais contra grupos especializados em furtos da Hilux em pelo menos oito unidades da federação ao longo de 2025 e 2026.
Entre os casos destacados estão:
- Minas Gerais, onde 80 picapes desapareceram apenas em janeiro de 2025;
- Espírito Santo, que registrou a prisão de um suspeito apontado como líder de uma quadrilha local;
- Distrito Federal, onde uma investigação estimou prejuízos de R$ 16 milhões;
- Santa Catarina, Paraná, Bahia e outros estados alcançados por operações integradas.
As apurações também identificaram esquemas de comercialização dos veículos fora do Brasil, com menções a destinos como Argentina e Chile.

Medidas de proteção passaram a ganhar espaço
Diante da expansão dos furtos, especialistas em segurança passaram a recomendar barreiras adicionais para dificultar a ação criminosa.
Entre as alternativas mencionadas pelo investigador particular Fabrício Meirelles estão sistemas complementares de bloqueio, rastreamento e travas físicas visíveis. Segundo ele, a combinação de recursos pode aumentar o tempo necessário para a execução do crime e tornar o veículo menos atrativo para os criminosos.
A preocupação também chegou ao setor privado. Desde julho de 2023, estacionamentos pagos passaram a adotar travas de roda em unidades da Hilux estacionadas em seus espaços. A medida foi posteriormente incorporada por grandes redes varejistas em áreas de estacionamento.
Toyota acompanha investigação sobre a Hilux
Procurada pelo AutoEsporte, a Toyota informou inicialmente que não comentaria o caso. Posteriormente, a fabricante divulgou um posicionamento oficial.
No comunicado, a empresa declarou: “A Toyota informa que, até o momento, não há elementos que indiquem falha ou não conformidade do componente citado. A empresa segue acompanhando o tema e colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação”.

Enquanto as apurações continuam, o caso da Toyota Hilux permanece sob acompanhamento das forças de segurança. O objetivo das investigações é compreender a extensão do método utilizado pelas quadrilhas e identificar se a vulnerabilidade apontada pelos policiais está diretamente relacionada ao crescimento dos furtos registrados em diferentes regiões do país.

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