Honda e Nissan aceleram uma nova aliança depois de desistirem da fusão, com foco em centrais eletrônicas, redução de custos e lançamentos que podem redesenhar a disputa com as marcas chinesas.
A Honda e a Nissan voltaram a se aproximar e estão perto de anunciar uma nova parceria, agora longe da ideia de fusão que travou no início de 2025. A conversa ganhou força porque as duas montadoras japonesas buscam cortar custos e acelerar projetos em um mercado cada vez mais pressionado pela disputa com marcas chinesas.
Segundo Autopapo, o presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, disse a acionistas que as negociações estão em estágio avançado e próximas de um anúncio. Desta vez, a aposta não é em união societária, mas em cooperação pontual, com foco em tecnologia, peças e desenvolvimento compartilhado.
A mudança de rumo vem depois de uma tentativa frustrada de criar uma holding conjunta. Agora, a ideia é trabalhar em projetos específicos, sem transformar uma empresa na controladora da outra. No centro dessa nova etapa estão as centrais eletrônicas dos carros, os chamados ECUs, que podem ser usadas em futuros modelos híbridos e elétricos das duas marcas.
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Parceria agora mira projetos específicos, não fusão
As conversas entre Honda e Nissan evoluíram depois do fracasso das tratativas de fusão, encerradas em fevereiro de 2025. Na época, as empresas haviam assinado um memorando de entendimento para estudar a criação de uma holding, mas o plano não avançou.
De acordo com o material divulgado, a Honda chegou a defender um cenário mais duro, com a Nissan transformada em subsidiária e cortes mais profundos de custos, incluindo demissões e fechamento de fábricas. A proposta foi rejeitada pela rival, e a negociação foi para outro caminho.
Agora, a direção é diferente: colaboração em frentes técnicas e industriais que permitam dividir gastos e acelerar lançamentos. Mibe resumiu a nova fase como uma relação em que “todos ganham”, sem abrir todos os detalhes do pacote.
ECUs, híbridos e elétricos entram no centro da negociação
Uma das frentes mais importantes discutidas pelas montadoras é o desenvolvimento conjunto de unidades de controle eletrônico para híbridos e elétricos. Esses componentes funcionam como o cérebro de vários sistemas do carro e têm peso direto no custo de produção e na padronização dos modelos.
A ideia é que as peças sejam compartilhadas entre Honda, Nissan e, possivelmente, Mitsubishi. Isso pode abrir espaço para uma plataforma mais integrada entre as três marcas, com componentes comuns em veículos previstos para o fim da década.
O desenho dessa cooperação, porém, ainda não foi detalhado publicamente. O que já está claro é que a parceria tem um alvo prático: reduzir despesas de desenvolvimento num momento em que o setor corre para acompanhar a virada tecnológica e a pressão da concorrência.
Mitsubishi entra na negociação e Renault ainda observa os bastidores
A Mitsubishi pode participar desse novo arranjo, ampliando o alcance da aliança. A montadora japonesa já aparece como possível terceira peça da negociação, o que fortalece a leitura de que a colaboração quer ser mais ampla do que uma simples troca de tecnologia entre duas empresas.
Nos bastidores, a Renault também deve ter voz na movimentação. A francesa ainda detém 15% do capital com direito a voto da Nissan. Em 2023, essa fatia já havia sido de 43%, o que mostra como a participação foi sendo reduzida ao longo do tempo.
Mesmo sem protagonismo direto na nova parceria, a Renault continua sendo um nome relevante na mesa. Qualquer mudança de rota da Nissan mexe com a rede de alianças construída ao redor da montadora nos últimos anos.
Reestruturação, prejuízo e a pressão das marcas chinesas
A negociação entre Honda e Nissan acontece em meio a um período de forte pressão para as duas japonesas. A Nissan está executando o plano RE:Nissan, que prevê o fechamento de sete fábricas, o encerramento de dois estúdios de design, a demissão de cerca de 20 mil funcionários e a redução da capacidade anual de produção de 3,5 milhões para 2,5 milhões de veículos.
A Honda também passou a rever sua estratégia depois de registrar o primeiro prejuízo anual desde a abertura de capital, em 1957. A perda líquida foi de cerca de US$ 2,7 bilhões no ano fiscal encerrado em março, resultado de baixas contábeis bilionárias no negócio de elétricos e da demanda mais fraca nos Estados Unidos.
Além disso, a montadora cortou parte dos investimentos em elétricos, abandonou a meta de se tornar totalmente elétrica até 2040 e passou a concentrar esforços em híbridos. A empresa promete 15 novos modelos até 2030, com uma dupla de sedã e SUV prevista para 2028.
No fim das contas, a nova parceria aparece como uma resposta direta à velocidade das montadoras chinesas, que vêm forçando fabricantes tradicionais a dividir custos e acelerar projetos. Se o acordo for confirmado, ele pode marcar uma virada importante na disputa por espaço até 2029. E você, acha que essa aproximação entre Honda, Nissan e Mitsubishi pode dar novo fôlego às japonesas? Comente e compartilhe a reportagem.
