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Dólar caiu abaixo de R$ 5 e o real se tornou a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026 com alta de 10,4% mas especialistas alertam que um fator pode inverter tudo ainda este ano

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 22/04/2026 às 12:17 Atualizado em 22/04/2026 às 12:20
O real é a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026, com alta de 10,4%. O dólar caiu abaixo de R$ 5, mas a Selic e o risco fiscal definem o que vem a seguir.
O real é a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026, com alta de 10,4%. O dólar caiu abaixo de R$ 5, mas a Selic e o risco fiscal definem o que vem a seguir.
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O real lidera o ranking global de valorização cambial em 2026 com alta de 10,4% frente ao dólar segundo a Elos Ayta Consultoria, impulsionado pela Selic elevada e alta do petróleo, mas o especialista Leonardo Santana alerta que gastos acima do previsto em ano eleitoral podem inverter a trajetória da moeda.

O real é a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026, acumulando alta de 10,4% frente ao dólar americano no acumulado do ano, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria que comparou o desempenho de 27 divisas internacionais. O dólar fechou cotado a R$ 4,974 na segunda-feira (20), menor patamar desde 25 de março, quando havia atingido R$ 4,973, consolidando uma sequência de valorização da moeda brasileira que surpreendeu o mercado e atraiu R$ 67,3 bilhões em investimento estrangeiro na Bolsa de Valores de São Paulo no acumulado até 16 de abril. A coroa norueguesa aparece em segundo lugar no ranking com valorização de 8,3%, seguida pelo dólar australiano com 7,9% e o peso argentino com 7,3%.

Dois fatores principais explicam por que a moeda brasileira lidera o ranking mundial. O primeiro é o diferencial de juros reais: o Banco Central manteve a Selic em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, e mesmo após o corte para 14,75%, os juros brasileiros permanecem entre os mais altos do planeta, atraindo capital estrangeiro em busca de rentabilidade. O segundo fator é a valorização do petróleo e de commodities agrícolas e minerais, que encarece as exportações brasileiras e amplia a entrada de dólares no país, movimento semelhante ao que ocorreu após o início da guerra na Ucrânia.

Por que o diferencial de juros fez do real a moeda mais forte do mundo

O real é a moeda que mais se valorizou no mundo em 2026, com alta de 10,4%. O dólar caiu abaixo de R$ 5, mas a Selic e o risco fiscal definem o que vem a seguir.

A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central é o motor principal da valorização da moeda brasileira. Leonardo Santana, especialista de investimentos da casa de análise Top Gain, explica que mesmo com a perspectiva de novos cortes, o Brasil opera com um dos maiores juros reais do planeta, diferença entre a taxa Selic e a inflação que funciona como imã para investidores internacionais. Quando o juro real é elevado, aplicar em títulos brasileiros rende mais do que em ativos de economias desenvolvidas, e esse fluxo de capital fortalece a moeda nacional.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que as decisões “conservadoras” de manutenção da Selic em 15% criaram uma margem de segurança para o ciclo de cortes, posicionando o Brasil de forma favorável no cenário global. O corte para 14,75% ao ano sinalizou que a flexibilização será menor do que o mercado esperava, o que manteve a atratividade da moeda brasileira mesmo com o início da redução dos juros. Os agentes financeiros projetam inflação de 4,80% para 2026, acima do teto da meta de 4,50%, o que reforça a expectativa de que o Banco Central não terá espaço para cortes agressivos, sustentando o diferencial que beneficia o real.

Como a alta do petróleo reforçou a valorização da moeda brasileira

O encarecimento do barril e de outras matérias-primas exportadas pelo Brasil criou um segundo pilar de sustentação para a moeda. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, as receitas de exportação brasileiras aumentam, ampliando o volume de dólares que entram no país e pressionando a cotação da moeda americana para baixo. Esse mecanismo já havia funcionado em 2022, quando a guerra na Ucrânia provocou disparada nas commodities e o real registrou valorização expressiva no mesmo período.

Além do impacto cambial direto, a alta do petróleo beneficia as contas públicas. A arrecadação do governo com royalties deve ser potencializada pelo aumento dos preços, criando espaço para medidas de estímulo econômico. O FMI elevou a projeção de crescimento do PIB brasileiro para 1,9% em 2026, enquanto o conflito no Oriente Médio reduziu as expectativas de expansão da economia global, cenário que torna o Brasil relativamente mais atraente para investidores que buscam retorno em mercados emergentes com fundamentos sólidos.

O que pode fazer a moeda brasileira perder a liderança do ranking

O alerta vem do próprio mercado. Santana afirma que o cenário favorável à moeda pode se inverter caso o governo amplie gastos além do previsto, especialmente por se tratar de ano eleitoral, quando a tentação de elevar despesas públicas para conquistar votos tende a crescer. Se as preocupações fiscais voltarem ao radar dos investidores, o fluxo de capital estrangeiro que sustenta a valorização do real pode se reverter, provocando saída de dólares e desvalorização da moeda brasileira.

O risco fiscal é o fantasma que assombra qualquer ciclo positivo do câmbio brasileiro. Em 2024, o real perdeu valor justamente quando o mercado interpretou que o governo não cumpriria as metas fiscais, e bastaram sinais de deterioração das contas públicas para que investidores retirassem recursos do país, anulando o efeito protetor da Selic elevada. Se o padrão se repetir em 2026, a moeda que hoje lidera o ranking mundial de valorização pode rapidamente devolver os ganhos acumulados, transformando a cotação de R$ 4,97 em lembrança breve de um momento que poderia ter durado mais.

O que o ranking de 27 moedas revela sobre o cenário global

A posição do real no topo da lista não diz respeito apenas ao Brasil. Na outra ponta do ranking, a lira turca perdeu 4,2% frente ao dólar, a rúpia indiana recuou 3,4% e a rúpia da Indonésia caiu 2,5%, enquanto moedas de economias desenvolvidas como o euro, a libra esterlina e o rial saudita ficaram estáveis com variação zero. O DXY, indicador que mede a força do dólar contra uma cesta de seis divisas de mercados desenvolvidos, recuou 0,3%, confirmando que a moeda americana está perdendo terreno de forma generalizada.

Essa fraqueza do dólar beneficia exportadores de commodities como o Brasil, mas depende de fatores que podem mudar rapidamente. Se os Estados Unidos elevarem juros ou se o conflito no Oriente Médio se desescalar reduzindo o preço do petróleo, a dinâmica que favorece a moeda brasileira pode se alterar em questão de semanas. Por enquanto, o real aproveita uma combinação rara de Selic alta, commodities valorizadas e dólar global enfraquecido, cenário que nenhum analista garante que se sustentará até o final do ano.

E você, acha que o dólar vai continuar caindo ou o risco fiscal em ano eleitoral vai fazer a moeda brasileira devolver os ganhos? Deixe sua opinião nos comentários.

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luciano
luciano
26/04/2026 20:44

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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